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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Boas festas.







E então mais um ano caminha para o fim...
Tudo aconteceu,
Tanta coisa boa,
Algumas nem tanto,
É hora de erguer a cabeça, secar o pranto.
O caminho poderá ser mais árduo, ou não,
Mais tranquilo, ou não,
Mais triste, ou não...
Enfim, que seja caminho,
Que seja promissor mesmo quando não houverem oportunidades,
Que seja grandioso mesmo que as forças acabem-se.
Que seja caminho...
Que tenha sabor de vitória,
Que tenha cheiro de luta,
Que tenha a harmonia da tranquilidade,
Que tenha a certeza do dever cumprido.
E que o próximo ano, seja cheio de certezas,
Que traga os acertos que deixaram de ser cometidos nesse que vai-se,
Que traga-nos a visão de tantos sonhos que ficaram pelos armários,
Que abra-se como doces momentos que ficaram apenas na inspiração.
Enfim,
Que esse novo ano seja um novo começo,
Uma nova oportunidade,
Uma releitura de nosso atos,
Que traga bons ventos...
E que todos os nossos passos sejam iluminados,
Que esse novo ano, tenha a força e a beleza que rege nossos anseios.
Que possamos brindar por tudo que conquistamos nesse velho que vai-se,
E que o anúncio do novo seja a renovação em nossas vidas.


À todos vocês que fizeram-se presença em meu blog, meu muito obrigada e tudo de bom!!!

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Entrelinhas;


Existem almas esculpidas em minhas palavras,
Por vezes chorosas,
Por vezes cantantes,
Por vezes que amam,
Por vezes silenciosas...
E cada uma vive em seu pequeno espaço,
Dou-lhes vida,
Dão-me relatos.
E não há tempo que as defina,
Não há momento que as prenda,
Estão por essas entrelinhas, caminhando por suas fendas...
Cheias de sentimentos,
Vazias, sem que ninguém as compreenda.
E cada alma que vive nessas linhas,
Deixam de si um pouco,
Ou nada...
Somente definem-se quando aos olhos deixam de ser palavras.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Até quando não sei...


Olá bom dia,
Posso saber por onde andas, dona Esperança?
Seu silêncio incomoda-me deveras,
Sou sincero em declarar-te minha preocupação,
Visto que os homens digladiam-se por míseras moedas,
Visto que os valores encontram-se perdidos,
E a senhora Moral...?
Essa foi-se para longe, ninguém mais a viu.
O que era dito racional, sofreu severa mutação,
Não sabe-se mais a diferença entre animal e homem...
Os caçadores andam a solta,
Corpos tombam com a mesma velocidade que os patos em época de caça,
A caçada começou.
Não sei se vês o noticiário,
Creio que o jornaleiro também por aí deixou a profissão,
Aliás, ninguém mais quer sair ás ruas,
Pelas grades de minha janela vejo o sol nascer,
Sou homem livre,
Livre da liberdade que me era merecida,
Ontem adormeci lendo um velho livro, hoje já não sei se conseguirei,
As pessoas tremem ao ouvirem passos pelas ruas,
Não sabem se é polícia ou bandido,
Aliás, tememos os dois...
Alguns profetizam o fim dos tempos,
Outros apenas o tempo de dores que inicia-se,
Eu cá não sei,
Eu cá apenas assisto tudo, em silêncio, temeroso.
Ninguém ouve ninguém, as pessoas gritam juntas.
Nossos governantes não sei...
Assistem esse espetáculo de horror como os antigos romanos,
Deixam que as feras nos engulam e quem sabe nos cuspam?
Não tardais a responder-me,
Ando ansioso em sentir-te novamente,
Aliás, todos nós,
Povo dessa nação dita livre,
Onde o povo é escravo e refém do medo e da inconsequência de quem governa.
Não tardais, porque ainda acreditamos, até quando não sei...
Até quando, não sei...

Raquel Luiza da Silva.







quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A pluma e o vento.




E o vento toca-me os cabelos,
Não posso vê-lo,
Mas posso sentir seus dedos invisíveis,
Diz-me algo ao ouvido, 
Um segredo talvez...
São palavras leves, que vão-se...
Palavras de vento.
Abraça-me e foge,
Dá-me as mãos e entrelaça-se entre meus dedos,
Dança comigo uma tênue valsa,
Deixa que sinta-me leve, tal como é.
Depois acalma-se e silencia-se...
Quando penso que foi-se...
Aparece-me novamente a assanhar o vestido e os cabelos,
E corre e deixa-me correr,
E assim sua canção envolve-me,
Acalma-me,
Consola-me...
E quando sinto-me enfadada de tal companhia...
Fecho a janela,
Deixo-me pesar tal como suave pluma a fugir do invisível que a leva.
E o vento lá fora... esquece-se de mim e segue seu rumo,
Pois a nada prende-se, puro vento.


Raquel Luiza da Silva.

sábado, 3 de novembro de 2012

Identidade.


Há um pouco de sombra nas pinturas abstratas dessa mente que vaga,
Ontem arranhei as paredes,
Hoje escreverei um livro,
Sou ser imprevisível,
Humano...
Tocado pelas aparições que desenham-se nos côncavos indeléveis de minha memória,
Apregoando ao mundo as virtudes que faltam-me,
Talvez estejam escondidas embaixo dos tapetes da sala,
Talvez eu esteja escondida por esses cantos...
Minhas digitais apagaram-se,
Tenho uma identidade qualquer,
Num papel com números,
Sou um número transvestido de mulher.
E o dia que nasce lá fora, grita-me com sua luz que cega-me os olhos,
Não quero mais ouvir essa luz que arrebata-me aos dias vindouros de incógnitos futuros.
Não tenho pressa,
Não tenho medo,
Nem dinheiro,
Nem ouro...
Disseram-me que minhas asas são de vento,
Palavras são tempestades de tormentos,
Paradigmas universais que crucificam-me a cada manhã,
E meu grito ecoa levado pela extensão de minhas palavras,
Palavras mudas...
E as horas que desenham-se nesse corpo,
Traçados do tempo,
São caminhos de vislumbre de alguns viajantes,
Homens...
Amantes...
Não digam-me que sou ancoradouro de poucas virtudes,
Não cumulo definições,
Sou mutável.
E na rapidez de meus passos deixo-me perder por esses caminhos,
Numa conversa,
Num sorriso,
Num copo de vinho...
E meu preço é justo,
Valho a infinidade das coisas que cultivo,
Posso valer todos os seus tesouros,
Posso valer as histórias contidas num velho livro.
E não sigam-me os exemplos,
O que sei perde-se por entre os dedos como poeira ao vento.
Se quer de mim desvendar segredos,
Não procure-os nas canções ou nas velhas histórias,
Eu sou apenas o que sua mente comporta,
O arremate de uma escultura da costela de barro,
Fruto de um pecado,
Sou um pouco desse paraíso que a loucura não quer,
Um número, transvestido de mulher.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Daquelas terras.



Eu vim de longe,
Secando o suor do rosto,
Ajeitando a roupa amarrotada no corpo,
Eu vim daquelas bandas,
Onde o sol se cala no horizonte para que venha a noite das palavras,                                                             A lua amante,
De onde o som é mudo diante do silêncio da criação.
Eu vim de lá,
Daquelas terras sem nomes,
Das imaginações fronteiriças,
Onde as águas se dividem,
Onde as pessoas se multiplicam,
Onde a razão dorme seu sono profundo,
Venho daquelas terras,
Daquele pó,
Daquele sopro,
Daquele povo,
Não trago sabedoria,
Trago aprendizado,
Não tenho nos bolsos moedas,
Sou forjado no trabalho,
Não se assuste com meu jeito por vezes rude,
Sou tão humano quanto pareço,
Não se assuste com minhas poucas palavras,
Por vezes me atrapalho,
Mas acredite que sou daquelas terras,
Onde o tempo não corre,
Onde o tempo espera,
Sou daquelas terras, onde se cria, se renova...
Talvez você seja como eu,
Pisando em terreno desconhecido,
Tentando se abster do passado,
Traçando nas linhas as horas que não se demoram,
Talvez você também seja daquelas terras, onde o homem se faz menino,
Onde menino se faz poeta.

Raquel Luiza da Silva.

Saudade tem nome.







Saudade tem nome,sobrenome...
Esconde-se nas linhas do tempo,
Pode ser canção,
Pode ser momento...
Não se define,
Não tem proporção,
É pálida,
Vazia não.
Tem sabor de lágrima,
Tem sabor de sorriso,
Beijo roubado,
Roubado destino.
Saudade tem nome, sobrenome...
É algo, alguém...
Vai-se,
Leva,
Deixa,
Espera...
É companhia,
Marcada,
Arredia.
Saudade só não mata,
Pode doer, mas passa,
Porque tudo que é bom quando vai-se deixa suas pegadas,
Todos que são bons, quando vão-se levam da gente um pedacinho,
E ela descansa,
Esmaece mas não some,
Mesmo pequenina é saudade,
E saudade tem nome, sobrenome...

Raquel Luiza da Silva.






In memorian vô Geraldo, tio João, tia Catarina, tia Madalena, tio Miguel, Alice,dona Maria da Glória, Tony.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

...

Creio que quando Deus criou o homem não esperava que numa estrutura de barro pudesse se formar um coração de pedra.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desse tempo, dessas horas...










Todos os anjos migraram,
No varal ainda tremulam algumas virtudes que o vento não conseguiu levar,
No varal ainda estão as virtudes que o tempo não conseguiu decompor...
Disseram que as horas correm loucas e desvairadas,
Mas ninguém parou para vê-las passar,
Ninguém perdeu um pouco de tempo ao alvorecer observando o sol se por...
E ainda cismam que as horas correm louvas e desvairadas...
Ficarei aqui,
Esperarei que o tempo me encontre,
Que toque meu rosto,minhas forças,meus cabelos...
Não temerei, desde que não me toque a razão,
Que de mim não leve as lembranças,
Aquelas guardadas,dos anjos que migraram,
Que não me tirem as virtudes,
Aquelas que ainda tremulam com o vento no varal...
Ficarei aqui, ao alvorecer...
E quando o sol se por, talvez eu veja as horas correrem...
Talvez eu veja o tempo passar...





Raquel Luiza da Silva.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nem sempre é o que parece ser.

Tempos fora da modernidade esse nosso...
Ainda pensam que poetas vivem apenas de amores, de dores, de palavras mortas...
Que são ouvidos surdos e bocas mudas ante os muros de concreto...
De tanta alma árida como deserto.
Poeta é humano em transe, rende-se por instantes,
Mas diante da realidade acorda, grita, fala...
Poeta é poesia,
É realista,
É gente,
Tem vida.
Poeta é o que falta nessa terra,
Mas também é o que sobra  nessa terra.
É tudo que pensarem ser,
Mas sobre tudo, é o que mais há de conflitante nesse mundo.


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Retratos.


Saudade  é uma coisa,
Pintada em várias cores,
Num papel especial,
De sorrisos e tal...
Preservada em instantes,
Trazendo á memoria fragmentos em rompantes,
De déjá vus já passados,
Em porta retratos, no alto de minha estante.

Raquel Luiza da silva

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dona do salão.


Quando ela entrou no salão com ares primaveris,
Calou-se a orquestra então diante daquela beleza cortesã,
Tantos olhares nela pousavam que sentia-se estrela num imenso céu sem fim,
Rodopiava mostrando as belas pernas  naquele ousado vestido carmesim,
As moças  invejavam-na,
Pareciam cobiçar sua beleza juvenil,
Enquanto os moços suspiravam como apaixonados de abril,
E ela rodopiava...
Rodopiava...
Com seu brilho de estrela terrena,
Trazendo na tez o rubor de uma pequenina açucena,
Seu sorriso marcante mostrava sua real felicidade,
Enquanto todos comentavam que nunca  haviam-na visto pela cidade,
Alheia a todas as  indagações  ela era dona,
Da noite, daqueles salões...
E no final quando já cansada,
As luzes já apagadas,
Alguém puxou-a pelo braço,
_Sei quem tu és... Moço transvestido de mulher.
_Cala-te. _Disse ela com rompante diante do susto. _Não, durante o dia voltarei á minha real fantasia, mas nessa noite, não roubarás de mim o direito de ser uma perfeita mulher.

Raquel Luiza da Silva.


Ao querido Miguel.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Das horas que não sei.



Hoje rasguei aquelas cartas,
Rasguei aquela marra,
Dei um grau no visual,
Nada casual,
Sou ser,
Sou humano,
Sou normal,
Imoral talvez,
Sensato ou insensatez,
Depois escolho,
Escolho talvez...
Já refiz os meus planos,
Aos olhos podem ser estranhos,
Para a mente insano,
Mas para mim, meus planos.
Quebrei aquele relógio,
Que ditava as horas,
Nada agora,
Pouca demora,
Não quero horas.
E há quem não goste desse meu jeito,
Um pouco sem jeito,
Há algum direito?
Isso não sei,
Imperfeito talvez,
Vou lá pra fora,
Não quero mais horas,
Para ser agora,
Tem que ser dessa vez.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 22 de setembro de 2012

...

Então você descobre que ninguém vive feliz para sempre,
Que poucos casais conseguem manter o romantismo depois de algum tempo,
E que tudo aquilo que você julgou lindo e perfeito não era amor,
Era tipo amor,
Mas não era amor...
E então acabou-se,
Como o anel que tu me destes e quebrou-se por ser de vidro,
Como o toucinho que tava aqui e gato comeu,
Como o cravo que saiu ferido e a rosa despetalada,
Como atiraram o pau no gato...
E assim você para, pensa e se pergunta, mas o que tudo isso tem a ver?
Não sei, mas talvez entenda que quando não há sentimento,
Haverá sempre algo para explicar a ausência deste,
E percebe que perdeu um bom tempo da vida pensando que fosse amor,
Que era tipo amor,
Mas não era amor...

R.L.S



Ps: Que que isso?rsrs

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Conexo.

Esse corpo preso á terra,
De poeira,
De pó,
De sopro,
Feito de matéria real,
Carne, sangue, mortal.
Deixa livre uma mente que vaga,
Sem peso,
Nua,
Sem nada,
E fundem-se num misto tão controverso,
De prisões, de liberdades...
De mundo conexo.
E sou livre enquanto vago,
Presa aqui me acho,
E a mente nua, translúcida,
Foge dessa terra,
Dessa carne viva, 
Desse sangue que corre,
Foge para longe,
Onde não há suspiro que fenece,
Nem tempo que corre.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

...

Os gritos que vêm de fora não assustam-me,
Quando ultrapassam os umbrais tornam-se sussurros,
Encontram-me absorta em um mundo que não conhecem,
Desfazem-se rapidamente diante de meu silêncio.


Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Consome-me.


A poesia sorve-me em prolongados goles,
Tritura-me entre seus dentes invisíveis,
E meu sangue surge em estrofes,
Torno-me mar por entre as linhas,
E corro e transcorro pelas arestas inconscientes dessa minha mente,
Sóbria?
Insana?
Apenas mente...
Enquanto devora-me essa poesia,
Degusta-me cada canto existente,
E sorve-me,
E revolve-me,
E esse alimento que de mim alimenta-se,
Faz-se presente utopia,
Arrepio de almas vazias...
Sem segredos,
Apenas complicado de se entender,
E essa boca quente que sorve-me,
E desfaz-me por entre seus afiados dentes,
São  na verdade  a alegria e a dor pungente,
De um eterno fingidor.

Raquel Luiza da Silva.








quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Companhia.

Poesia é companhia...
É boca que fala quando quer silenciar-se,
É boca que emudece quando quer gritar,
É alma em esplendor de ascensão repentina,,
É tempestade...
É neblina.
Poeira da estrada,
Fé,
Cegueira,
Dor,
Amor...
Noite enluarada.
É o respirar lento, do corpo a perder a centelha existencial,
É toque,
É vida,
É chegada,
É partida,
Lágrimas encantadas em cristais,
Canção,
Emoção,
Vontade,
Tentação,
É o passo de dança esquecido pelos salões,
É festa,
É tristeza
É monotonia,
É paixão...
Poesia é companhia...
É a casa da alma cheia quando se está sozinha.
Poesia é companhia...

Raquel Luiza da Silva.






segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vidas.



Quando a lua deixar cair a sombra de seu clarão pela terra,
Espiaremos pela  sacada todos os nossos fantasmas,
E nossos corpos nus bailarão pelos salões da silenciosa consciência,
E cada passo da dança será como um novo ato em nosso teatro diário,
Somos feitos de matéria cintilante que despeça-se com o vento,
E quando o clarão da lua tocar nossa pele desnuda, sentiremo-nos imortais,
E deixaremos que nossos fantasmas tomem parte á mesa como bons amigos,
Beberemos da mesma taça,
Partilharemos o mesmo vinho.
Eternas horas de noites que findam-se,
Vidas que navegam em barquinhos de papel...
Tão frágeis criaturas,
Tão controversas criaturas...
Tão criaturas...
Dançantes ao clarão da lua,
Desnudadas de suas verdades,
Transvestidas de tantas faces,
Pobres criaturas espiando pela janela,
Bebendo com seus fantasmas,
Em silenciosas noites,
Em bocas caladas,
De eternas horas, de noites que findam-se...
Além da sacada.

Raquel Luiza da Silva.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012





Então parei de pensar na vida...
Descobri que ela não pensa em ninguém,
Apenas segue seu curso,
Como eu tenho que seguir o meu.
E o resto?
Não sei, tenho apenas que seguir...
Enquanto a vida me segue.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 26 de agosto de 2012

Dualidade.


Penso que tenho duas almas nesse frágil corpo,
Uma livre por ai está,
Quando?
A que horas?
Não sei em que Era regressará...
A outra é tão  cômoda,
Das aventuras desse mundo preserva-se,
É tão singela e dócil,
Que prende-se observando da janela os rostos pela  rua,
Em versos de inacabadas palavras,
Que definham-se ao toque dos primeiros clarões da lua.


Raquel Luiza da Silva.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ausência.

Eu não vi o ultimo carnaval...
Não vi as crianças a cantarolarem uma canção no parque,
Não vi o trem que partiu atrasado,
Nem a chuva que tamborilava seus dedos invisíveis em minha janela,
Não vi o sol vermelho a queimar a pele do trabalhador,
Não vi o gato que fugia da janela vizinha,
Não vi o dia passar monotonamente,
Nem os pássaros que cantavam em meu jardim,
Não vi o carteiro deixar as correspondências em minha caixa,
Não vi o jornal deixado á porta,
Não vi os carros pela rua,
Não vi o mendigo a pedir uma esmola,
Nem as pessoas que no metrô acercavam-se de mim...
Não vi o adeus de meus amigos,
Não vi a lágrima da despedida,
Não vi o sonho realizado,
Não vi o drama findado...
Não vi essa ausência que apenas sente-se,
Ausência de nada,
Ausência de tudo,
Ausência de mim.

Raquel Luiza da Silva.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fim do dia.



Um velho sentado á porta,
Observando o cair da aurora,
Um cão que aos seus pés se coça,
Sem temer a chegada das horas mortas,
Está impassível á natural poesia.
E as folhas dançantes em seus galhos a farfalhar,
Dando adeus á luz do dia,
Acenando ao que não mais voltará,
No curral já tudo em silêncio,
No galinheiro aves a dormitarem,
Tudo se calando aos pouquinhos, como se á noite não quisesse assustar.
Uma velha á porta observa o fogo a trepidar no fogão a lenha,
Talvez em seus pensamentos a vida se desenha.
E aquela cena melancólica...
Seria por demais insossa se repousasse em um quadro,
Se tivesse seus pequenos toques por mãos camuflados,
E deixaria de ser tão belo e tão singelo,
Se as cores tão cuidadosamente escolhidas,
Não pudessem ser tão bem vistas,
Não teria a real autoria que repousa no rodapé do final do dia,
A indelével assinatura de um ser de mãos divinas.

Raquel Luza da Silva.






Se sou...

Gosto dessa liberdade vadia,
Desse vento que em mim tripudia,
Sou meio assim,
Sou meio assado,
Meio observador,
Meio calado...
Interprete de emoções eloquentes ,
Coisas minhas,
Coisas da gente,
Um grito além do Ipiranga,
Nas palavras escritas,
Todas encobertas como cartas na manga...
Não duvido dos sentimentos,
De quem os prende,
De quem os deixa á seu contento,
Sou do tipo arredio,
Preso a quase tudo, menos á um destino.
E se sou de cores?
De Flores?
De amores?
Faça me um favor...
É assim que sou,
Como toadas livres na surdez de um pensador,
E se sou versos,
Sou quase nada,
Mas sou tudo, nesse silêncio de intrépidas palavras.

Raquel Luiza da Silva.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Adeus.



Não direi que o que passou foi ruim
Apenas direi adeus,
As cinzas da lareira não voltarão a ser tronco novamente,
Nem a ferida aberta  fechará-se sem cicatrizes,
O tempo deslizará sobre os ponteiros para que não volte a cometer deslizes,
Não rasgarei os véus de meus templos sagrados,
Nem abarrotarei de tesouros essa vida minha,
Passarei assim, sem ser incomodada, sem ser percebida,
E o que alegra-me a alma, são as doces matizes do fim do dia,
Correndo por entre os dedos do futuro, esse presente que inebria-me,
E quanto ao passado...
Repousará apenas num adeus,
Assim tão passado que não mais voltará aos dias meus.

Raquel Luiza da Silva.

Onde estão?


Não sei onde esconderam-se...
Não sei para onde foram-se...
Não sei onde estão as lembranças,
Camufladas de doces sonhos.

Raquel Luiza da Silva.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Estrelas...


De repente começo a ver estrelas no céu...
Disseram-me que sempre estiveram ali.
Talvez eu raramente estivesse aqui...
Talvez eu sempre estivesse a vagar, por onde não sei.
Mas hoje, comecei a maravilhar-me com a beleza das estrelas no céu.

Raquel Luiza da Silva.


domingo, 12 de agosto de 2012

Mudar...



Eu nunca quis mudar o mundo mesmo...
Quanto a mim?
Não sei...
Não sei...
Nunca quis mudar o mundo mesmo...

Raquel Luiza da Silva.



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Leveza.





Não mais me assusto com a figura que envelhece no espelho,
Aprendi que a lentidão do corpo não influência a mente, se eu assim não permitir...
Que se sentar-me num jardim e souber apreciar ao meu redor, pintarei um quadro,
Se não souber pintar, poderei compor um poema,
E se ainda, não souber compor, apenas me satisfarei com as maravilhas repletas de traços incomuns, 
Estarei no jardim...
Permitirei apenas a lentidão das horas,compondo sua monótona melodia de velhos ponteiros a arrastarem-se,
Não abarrotarei de tantas memórias minha cabeça pensante,
Nem de ricas moedas meus bolsos furados...
A leveza da alma, será o objetivo maior desse meu breve caminho,
Onde os anos passam...
A vida corre...
E o tempo permanece intacto em seu dever de algoz,
Mas passarei por ele, 
Passarei por esse tempo,
Sentada no jardim apreciando as flores,
Pintando um quadro talvez,
Ou compondo um poema, não sei...
Enquanto a alma.... Cobre com sensatez todas as imagens que envelhecem no espelho.




Raquel luiza da Silva.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Se ele não passar...

Se esse tempo não passar...
Passarei eu por ele á galope,
Levantando poeira da estrada...
Açoitando as horas com meus dispartes,
E se ele não passar não me vou embora,
Daqui não saio,
Daqui não saio...
Se ele não passar...
Se ele não passar...

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

...

Há dias os quais não precisamos de muito...
Apenas de lenços de papel e amendoins torrados.


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Felicidade disfarçada.





A saudade é um tipo de felicidade,
Felicidade que se disfarça de vontade,
Vontade de querer mais e mais...


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Olá saudade...


Olá saudade, porque não partes logo e deixa-me em paz?
Eu sei...
Se fores, sentirei saudade de sentir saudade...
Serei um vazio profundo,
Um poço seco, sem final.
Uma alma vaga a vagar...
Um indigente no sinal.
Olá saudade, porque não ficas e doa menos?
Eu sei...
Talvez nunca aprendesse o significado da lágrima,
O frio do adeus,
O sentido de sábias palavras,
O tempo que corre, que maltrata.
Olá saudade, por favor fique e faça-me companhia,
Doce controvérsia vontade,
Desejo de sentir...


De sentir-te, saudade.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Simples assim.





Um dia você descobre que não aprendeu nada com suas experiências,
Que o tempo que levou atrás de respostas fora perdido,
Que a bagagem que trouxe nas costas tornou-se um peso morto,
E que todos os caminhos te levariam a algum lugar,
Então você para,
Enxuga o suor do rosto,
Sacode a poeira da roupa,
Despe-se de todas suas conclusões e convicções...
E começa a viver.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pois é José...

Não tenho dinheiro...As contas já chegaram, água, luz, telefone, colégio...
Vi na TV que o governo vai fazer melhorias...
Hoje fui assaltado, levaram o mínimo que podiam levar, meu salário.
Peguei o ônibus cheio, reclamações, um bebê chorava, devia ter fome, uma senhora falava alto ao telefone, estava nervosa, o marido teria que ser internado as pressas, de certo ela tinha medo que ele morresse, pelo que ouvi a família não dispõe de plano de saúde, vai fazer a cirurgia necessária pelo SUS, isso se ele conseguir chegar lá, com esse trânsito,com hospital lotado...
O dono da casa me cobrou o aluguel, ele disse que sentia muito ter que fazer isso mas estava apertado, que a vida não tá fácil pra ninguém, talvez tenha razão, não tá mesmo, e eu que pensei que as coisas iam mudar, que uma estrela de fato ia brilhar na imensidão desse azul anil...
Azul, o Cruzeiro perdeu a ponta do brasileirão, ainda bem que temos futebol, dentro do país, porque fora o trem tá feio, quase tive um infarto na ultima copa do mundo, e o que ia ganhar com isso?
É, parece que vai chover, vai descer morro em algum lugar, sempre desce, vai dar na TV, sempre da.
Eu queria que o pessoal dos direitos humanos fosse na minha casa, ia relatar as coisas que o governo faz comigo, me sinto totalmente desrespeitado em todos os meus direitos. Eu tenho mesmo direitos? Semana passada assaltaram minha casa, até pensei em espancar o bandido, mas eu poderia ir preso por lesão corporal ou coisa pior, não tenho passagens pela polícia, não queria ganhar uma ás custas de um pobre bandido, pai de família que nem eu, deixei que ele fosse, se for preso vai ganhar mais que eu, é, eu ganho apenas um salário mínimo por trinta dias trabalhados...
Mas há coisas boas, comprei um sapato semana passada, sei que está cheio de impostos, impostos são para melhoria do país não é?
Minha rua tem buracos, ás vezes falta luz, a escola está precária, o ônibus é sempre lotado...
É, eu pago impostos...
Mas sou feliz... "O Brasil é um país de todos", essa é uma bela frase, em fevereiro tem carnaval e a copa vem ai... E eu? Vou pra onde?
Desculpa aí parceiro pelo falatório, mas passa o dinheiro, tenho que pagar o sapato que comprei semana passada, o aluguel e as contas que não podem atrasar, aqui está meu endereço e nome completo, a delegacia mais próxima fica naquela esquina á direita, vou estar em casa esperando a polícia, não vejo a hora de passar a receber R$915,05, até que enfim vou me livrar do mínimo! Obrigada pela atenção.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Tempo...Tempo...



Perdi a conta de quantas palavras deixei morrer em meus lábios,
De como olhava o mundo com olhos fechados tentando encontrar respostas...
De como tudo mudou ao meu redor enquanto eu dormia,
Não vi o sol nascer,
Não vi o sol se por,
O tempo e eu andávamos atados um ao outro,
Eu sempre por acabar, ele sempre acabando...
Mas pude entender a dor de perdas valiosas,
De horas de insônia infindáveis,
O tempo por vezes não passava, insistia em não deixar-me ir...
E eu aprendi a abraçar cada pedaço de vida, deixados pelos cantos...
Aprendi a tocar o céu quando descia de meu orgulho,
Aprendi...
A caminhar acompanhada, só, sendo eu, sempre eu,
E deixei alguns minutos para o nada,
Para o vazio das horas ociosas...
Um pouco de tempo para o tempo que não para...
Então adquiri migalhas de sabedoria, sugadas das páginas de empoeirados livros,
E li sorrisos,
E li lágrimas,
E li...
Cada minuto deixado de lado correndo atrás do...
Do tudo que me era tão desnecessário para ser feliz,
Então eu parei,sentei-me e vi o sol nascer...
E as horas passaram-se...
E vi o sol se por...
E aprendi a viver sem as horas,
Com o tempo acorrentado a mim, beijando palavras que nunca saíram de meus lábios.


Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tesouros.

Não trago ouro,
Não tenho prata,
Trago apenas um punhado de palavras,
Palavras soltas,
Palavras mudas,
Palavras cegas,
Palavras surdas...
Se sou pobre?
Oh não!
Tenho a liberdade que o ouro ceifa,
Que a prata sufoca,
Mas trago um punhado de palavras,
Por serem tão soltas transformam-me em livre monarca.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aquarela.



A vida não é só cor-de-rosa,
O que me encanta é a paleta de cores com que pinta cada dia,
Por vezes não gosto de algumas matizes,
Mas são necessárias para um quadro perfeito,
Se fosse apenas cor-de-rosa a vida,
Seria um quadro de pintor sem inspiração,
O belo é isso,mistura de cores sem quê nem pra quê,
Uma obra sem fim,
Eternamente inacabada,
Apenas as cores certas, nos lugares certos,
Isso é a vida,
Um grande quadro cor...
Colorido!

Raquel Luiza da Silva

domingo, 24 de junho de 2012

Silenciosa companhia.




Ainda tenho algumas respostas...
...Enquanto maioria das pessoas possuem algumas perguntas,
Não sei se vai chover hoje,
Mas amanhã sei que fará sol,
Tenho algumas moedas nos bolsos, pela casa...
Não tenho dinheiro algum que me possa comprar sonhos,
Vi pela janela cortejos fúnebres passarem,
Ouvi no apartamento ao lado o bebê a chorar, talvez quisesse apenas um pouco de leite...
Enquanto uma sombra esgueirava-se e roubava meus pertences, matéria...
Acenei para as pessoas que olhavam-me por entre as cortinas,
Toquei uma canção que não me sai da cabeça,
Um pouco de vinho me fará bem,trará um pouco de alegria á alma...
Quiseram libertar-me a alma, deram-me panfletos dizendo que Deus residia em algum lugar,
Não sei, tenho medo de não encontrar um Deus que tem morada fixa,
Ontem senti vontade de dançar, não sei dançar...
O anel que usava escorregou-me do dedo, não sei onde está...
Fiz algumas alianças, desfiz algumas alianças...
Do jornal recortei algumas palavras, não tinha mais nada ali de valor...
Deixei a mesa posta, jantarei sozinha novamente...
Sozinha não!
Apenas a solidão e eu.
Apenas nós.
Apenas sozinha,acompanhada pela solidão.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Jogo da vida.




Tem coisas das quais não sinto falta,
Pessoas que nem lembro que passaram pela minha vida,
Momentos há muito esquecidos,
Migalhas de sentimentos deixados ao longo do caminho, perdidas no tempo,
Há um pouco paz quando se tem esquecimento,
Há um pouco de lucidez quando se deixa estar,
Há prioridades maiores que lembranças insignificantes...
Que pessoas pequenas,que não deixaram marcas...
O que se perde nem sempre é ruim,
O que se ganha, nem sempre é bom.
A vida é um jogo, mas quem muda as peças de lugar sou eu.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tardia.





A felicidade é tão doce memória...
Dela apenas nos lembramos quando vai-se embora...
E quando voltará tal primor da vida?
Ora, se não soubestes aproveitar o tempo passado em tão doce companhia, espere pela próxima...
Felicidade tardia.

Raquel Luiza da Silva.

...

Por vezes gosto desse mundo cercado de ilusões,
Por vezes gosto de plantar flores invisíveis no imaginário que me abraça,
Por vezes gosto de pisar com os pés descalços na grama molhada,
Por vezes gosto de lançar sementes ao longo de meu caminho.
E se me perguntrem... Quem sou?
Direi eu apenas: Jardineira de ilusões em um jardim de sonhos.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Paraíso.

.


Hoje acordei a tempo de ver o sol nascer,um espetáculo fantástico!
No meu jardim o canto dos pássaros a saudarem o novo dia era a melhor sinfonia que eu podia ouvir.
O orvalho molhava as flores abertas enquanto novos tenros botões apontava por entre as folhas verdes e molhadas...
E pude respirar o ar fresco e sentir o calor do astro rei a tocar-me a pele.
Tudo aquilo era magnifico! Então ergui os olhos aos céus e agradeci á Deus pelo privilégio de conhecer o paraíso sem precisar morrer.
Existem pessoas que cegas pelas religiões, deixam de ver a beleza que lhes cerca á cada passo, e vivem presas na esperança de conhecerem um jardim prometido ao morrer, talvez se decepcionem com o que verão, pois toda beleza que lhes é dada em vida passa despercebida diante dos olhos e são incapazes de notá-la á cada amanhecer...



Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Palco da vida.




A voz calou-se no ultimo ato...
Quando as cortinas enfim baixaram,
Senti-me tão só diante daquele mundo,
Diante dos aplausos,
Diante do silêncio que em mim dormitava,
Eu estava ali,
Atrás das cortinas...
Outrora encenava uma peça,
Como alguém que vive...
...Pelas ruas...
...Pelos caminhos...
...Pelo tempo...
...Pelo vento...
...Pelo nada...
Tão sóbrio na embriagues insana da procura de respostas...
Vontade e ansiedade impregnadas nas veias,
Existência oculta.
Tentando escalar tantos montes invisíveis diante de meus olhos, na busca de alguma resposta...
Para tantas perguntas.
eu estava ali...
Atrás das cortinas...
Aguardando o próximo ato.
Os próximos aplausos,
Enquanto a vida...
A vida seguia seu rumo,
Tão linda e bela,
Plena e singela.
Como no primeiro dia que ecoei meu primeiro choro.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Saudade.



Vai se embora feito sombras,
Tocadas pelos ventos de um velho moinho,
A saudade que outrora encrustada nas paredes da mente perturbava-me,
Vai esvoaçante em seu negror solitário,
Libertando-me a alma sôfrega, cansada,
Deixando morrer tantos anos de prisão voluntária,
No silêncio que a tudo regela,
Deixo partir a saudade que outrora me aprisionava o peito,
Tal qual pássaro em gaiola de prata.

Voe para longe!
Voe para onde não possa mais vê-la!
Saudade de tempos,
Saudade vai-se...

Levando tudo...
Deixando-me a paz.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Casinha ao pé da serra.



Quero uma casinha naquele recanto, onde o vento faz curva,
Ao pé da serra, apenas um pedacinho de terra,
Quero a liberdade das aves a fazerem barulho no pomar,
Um pouco de sossego ao final do dia, nada mais que paz,
Quero uma casinha naquele recanto,
Santo, canto...
Ouvir o som da chuva no telhado e o cheiro de terra molhada,
Apenas quero uma vidinha, minha, sossegada,
Onde o vento faz curva,
Onde me curvo diante da sagrada beleza infinita,
De vida, de vidas...
Lá ao pé da serra...
Final de mundo,
Início da terra,
Apenas uma casinha,
Sozinha,
Minha,
Ah... Como quero...



Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Das perdas.



Se eu perder a alma em alguma esquina, não preocupar-me-ei em recuperá-la,
Talvez em seu vazio complacente encontre algumas doces pérolas alvas,
E se perder a razão...
Motivos enfim tenho para que não hajam preocupações em sua busca,
Pois talvez em seu vazio insano, gerando tormentos duradouros, construa versos de interna luta.
E se as perdas não me bastarem, e vier eu a perder o coração pulsante...
Perderei enfim a grande batalha, pois a poesia em mim sobrevive sem razão, sem alma...
Mas quando regela-se o sentimento, no pulsante órgão que não se cala...
Perderei enfim a maestria de dar vida á mortas palavras.

Raquel Luiza da Silva.

Horas que passam...


Vorazes são as horas que esgueiram-se feito sombras na penumbra do tempo,
E consomem,
E libertam,
E sacrificam,
E renascem...
E ditam todos os ritmos, consumando todas as notas.
Deitam-se sobre a vida, como lápides sepulcrais,
Mas trazendo em si a fineza dos véus que outrora cobriam os belos rostos das donzelas...
E essas horas consomem a carne e os ossos,
O coração e a razão,
Mas não podem consumir o que se constrói ao longo da história.
Horas...
Horas...
Horas...
Que passam sozinhas,arrastando o mundo sobre os ombros,
Sozinhas,sem nenhum arranjo,
Tão vorazes esgueirando-se feito sombras na penumbra do tempo...

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Emaranhado.



Por vezes penso que não tenho um coração,
Trago no peito um emaranhado de palavras que lutam para serem libertas,
O órgão pulsante desgastou-se com o tempo, talvez,
Foram tantos sentimentos que desfez-se em pedaços pela história...
O que trago no peito nada mais é que emaranhado de palavras,
Do tipo que lutam para serem libertas,
Se não as deixo livres sufocam-me,
Se não as deixo partir intoxicam-me,
Mas pulsam com a intensidade do órgão que desfez-se ao longo da história.


Raquel Luiza da Silva.

A louca.





Por favor, faça silêncio, não deixe que seus passos ligeiros possam ranger as tábuas frouxas do assoalho,a morte nos espreita de algum canto, sei que ela dorme nesse momento, mas durante a noite ouço-a perambular pelos vãos das portas semi abertas, por vezes dançante derruba talheres e taças de cristal, sua gargalhada perturba-me, é tal qual canto de ninfas mitológicas a rondar-me a cabeça que penso que irá explodir-me os miolos a qualquer momento.
Ouça, são sussurros, almas presas em suas vestes negras a gritarem enquanto ela dorme, clamam por socorro, desejam a liberdade de um céu de primícias, elas choram enquanto o sol está no céu, mas quando a lua aparece e a morte acorda calam-se e fazem um silêncio que gela-me os ossos, temem-na, apenas ouço o farfalhar de seus pés acorrentados naquelas vestes negras.
Durante o dia fico em silêncio para não perturbar-lhe o sono, sei que ele é leve tal qual as plumas de cisnes, desta casa já levou todos, quase todos, apenas eu fiquei, porque faço silêncio, os outros acordaram-na em pleno repouso diurno e sentiram o peso de sua ira, eu não, aprendi a conviver com ela, somos apenas nós duas nessa velha casa, e eu respeito-a, sei que ela se zanga facilmente, por isso calo-me quando ela dorme e pratico o silêncio dos mortos quando ela está acordada.
Não! Por favor... Não faça barulho! Ela pode nos ver, descobrir que falei dela, que contei de suas vestes negras de almas...
Ela dorme... Ela dorme...
Não faça barulho, não incomode a morte que descansa em algum canto.
Ela dorme...
Ela dorme...

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Por entre os dedos...


Vão se embora os anos, revestidos de luzes ofuscantes,
O tempo a amadurecer a infância bela de outrora,
E eu nesse meio tempo, de termos incógnitos,
Observando da janela o mundo que corre,
O vento que passa-me por entre os dedos,
E com meus dedos posso tocar a matéria real que essa mente não pode tocar,
Mas a mente pode desfazer-se e fugir para onde quiser,
Para onde meus dedos de carne e osso nada podem fazer.
E já não sei mais se sinto saudades...
Se sou saudades de alguém.
Mas esgueiro-me por entre as sendas de minha história,
Sem pressa...
Sem medo...
Sem delonga...
Apenas tocando com os indicadores da mente,
A poeira sobre os imaginários móveis,
Que esse menino,velho...
Apenas recorda-se de ter sido gente...
Brincando por entre os dedos desse tempo que lá fora corre.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Deixa correr o tempo.
Hoje atrasei meu relógio, Tomei meu café mais cedo, Despedi o jornaleiro com aquelas más notícias diárias, Namorei os pássaros a construírem seus ninhos em minha amoreira, Dancei pela sala com a música que vinha da casa vizinha, Exausta sentei-me na soleira de minha porta e vi o mundo acordar completamente com a luz do sol, Dei bom dia ao dia! É fantástico beijar a vida como aqueles raios de calor. Eu estou viva! Senti-me assim quando atrasei o relógio e deixei o tempo correr. Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Puritana.


Não tenho segredos,
Talvez alguns medos...
Corre em minhas veias histórias não contadas,
Algumas lágrimas perderam-se nos traços de meu rosto,
Parei algumas vezes para descansar e perdi precioso tempo,
Corri várias vezes e perdi ocioso tempo...
Entre algumas palavras e algumas notas compus minha liberdade...
Tracei caminhos por entre a lama e o ouro,
Por entre o que é palpável e o vento,
E aqui estou,
E sou o que restou...
Todo tempo da criação de Deus,
Todo tempo da criação humana,
A razão infinita do inexplicável,
O que não se pode decifrar,
E sou o que restou...
E aqui estou...

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O amor...





O amor...
Ah...!
O amor não é isso e nem aquilo,
O amor é...
É tudo o que a gente sente enquanto de várias formas tentam decifrá-lo.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 5 de maio de 2012

Humana poesia.



Não sei ao certo quantas palavras repousam sobre as páginas outrora em branco,
Não sei quantos acordes formarão uma canção pura,
Quanto tempo meus sentimentos psicografarão as batidas desse coração...
Nada é perfeito,
Tudo é silêncio enquanto grito por entre as estrofes desses versos,
Tudo é vazio enquanto encho-me de tantos momentos,
E tudo é tão abstrato na intimidade dessas horas,
Acompanhada de intensa imaginação,
Gritantes no peito,
No consciente...Cega razão...

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Felicidade noturna.




Ora, assalta-me o sono,
Os poucos ruídos desfazem-se como brasas trepidantes aos pingos da chuva,
Conto as estrelas que brilham invisivelmente em meu teto branco,
Tantas constelações imaginárias...
Estou no topo do mundo,
Desse tal mundo que assalta-me quando desfaço-me de mim,
De minha real identidade...
Dessas tantas e diárias identidades,
Pesam-me as pálpebras,
Estou a alçar voo,
Tocando o imenso céu de sois alaranjados,
Brasas totalmente apagas são os ruídos...
Campos, tantos...
Correndo por entre eles como livre gazela,
Livre, totalmente liberta das amarras do tempo...
Nada mais...
Nada mais...
Andando por entre transeuntes sorridentes,dançantes, cantantes...
Livres estão,
Livres enfim...
Todos, tantos!
Vou seguindo, sempre...
Pelas estradas, pelas estrelas...
Silêncio de brasa apagada...
Vou seguindo...
Ao ritmo da canção dos povos felizes...
Felizes povos...
E o silêncio...
Acende-se tal brasa inflamada,
E o trepidante som obriga-me a despertar,
Vida comum,
Identidade comum,
No mesmo lugar,
Com minha única identidade,
Em meio a transeuntes impacientes,
Nesse mundinho chamado cidade...




Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lógica


Vozes esculpidas nos átrios dessa vida,
O grito que incomoda o silêncio que dorme,
O farfalhar de galhos secos na imensidão da floresta viva,
O céu pintado na descrição eloquente do poeta bêbado,
O sol que curva-se diante da aurora,
A morte que espreita pela janela semi-serrada,
E a lógica disso tudo onde está?
Na mente incomodada que persegue a lógica,
Na poesia que faz-se intensa aos olhos da alma,
No sentido inverso dos versos que nada dizem,
Na boca que vocifera teatralmente tais palavras...
E a lógica onde está? No vazio incômodo,
Em tudo que não tem lógica de nada.



Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Coração.


Não tinha som,
Não tinha toque,
Era apenas um coração em seu silêncio,
Talvez também não tivesse vida,
Talvez também não tivesse amor,
Veio vindo das noites boêmias,
Veio vindo dos braços que não retêm calor,
Veio vindo da solidão de si,
Da solidão acompanhada,
Da solidão dos grandes salões,
Veio vindo do nada...
Seu silêncio era intocável,
Seu silêncio de gelo,
De navalha...
Cortando as artérias do vazio,
Sangrando a livre alma,
Não tinha som, não tinha toque,
Talvez também não tivesse vida...
Sangrando as invisíveis feridas,
Da já liberta alma.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 22 de abril de 2012

Tempo perdido.


Hoje não tenho tempo...
Amanhã não terei tempo...
Depois de amanhã não terei tempo...
Talvez não tenha mais adiante...
...
...
...
Porque não vem me ver hoje que tenho todo tempo do mundo?
Porque já se perdeu no tempo como todo meu tempo...


Raquel Luiza da Silva.