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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Anjos.


Guardemos nossas asas,
O tempo de revolta já passou,
Caímos de tantos céus,
Perdendo nossas auréolas angelicais,
Pousados nessa terra,
Vislumbrando o abismo que se abre ante nossos pés,
Somos anjos,
Somos iguais,
Abraçando a sorte sem temor,
E tantas lutas apenas guardadas na memória,
Nos lembraremos do derradeiro dia?
Do clarão que nos trouxe até aqui,
Guardemos nossas asas,
Somos anjos,
Somos iguais,
Caminhando lado a lado,
Cortando caminhos,
Com os pés no chão de poeira solta,
No radicalismo das Eras,
De tantos combatentes que se lançaram a luta,
De anjos revoltosos e com ideais,
Guardemos nossas asas,
O tempo de revolta já passou,
E já nos esquecemos de onde viemos,
Perdendo por ai as verdades de nossos céus,
Mas ainda somos anjos,
Somos iguais.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 30 de maio de 2010

Onde a dor se esconde?


Hoje me dói o peito,
Não sei entender direito,
Existem coisas sem razão,
Sem porque, sem noção,
Abrindo brechas,
Esculpindo nesse coração arestas,
Fazendo poesia,
Tencionando tantas utopias,
É uma dor ilógica,
Do tipo que sei que um dia vai embora,
Mas deixando sempre sua nodoa,
Talvez eu esteja mesmo perdendo a esperança,
Aquela dos velhos tempos de criança,
Partida ao meio, por mãos que não vejo,
Não sei por que, mas me dói o peito,
De tal modo, de tal jeito...
Procurando o lugarzinho certo onde essa dor se esconde,
Para perguntar a ela porque não me responde,
Se for mesmo em meu peito seu morar, acho mesmo que terei eu que me mudar,
Pois naquele cantinho há apenas um lugar,
Onde não se compartilha com a dor a arte de machucar.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 29 de maio de 2010

Filhos dessa terra.


Tantas palavras ocultas,
Perdidas no infinito de bocas caladas,
Num silêncio que subjuga a essência da existência,
E onde estão os filhos dessa terra?
Onde estão os filhos que são dela?
E perde-se a fé diante do que se vê,
São olhos cegos,
Sem brilho,sozinhos,
Perdendo entre tantos caminhos o que é seu domínio,
E é tão triste ouvir,
Acreditar e aprender a mentir,
Na sequência de um tempo que expõe a carne a tal arte,
Arte que domina, prisma mas recrimina,
E o tempo esculpi seus soldados humanos,
Forjados na batalha existencial entre o bem e o mal,
E onde estão os filhos dessa terra?
Onde estão os filhos que são dela?
Aqui estamos, filhos de um sistema e de seus dilemas,
Moldados a um domínio de poucos valores,
Lavrados nas mãos do destino como bonecos de pinho,
Para atuar num grande palco consumista,
Onde somos meros ventrículos,
Sugando dessa mãe seu sangue, sua vida,
Perdendo aos poucos a sua, a minha,
Somos filhos dessa mãe terra,
Que geme, que aos poucos morre,
Num instante que nos é inconstante,
Somos filhos dessa terra,
Que suporta modificações, que resiste a Eras,
Somos filhos que se calam,
Que se cegam,
Que emudecem,
Enquanto em nossas mãos a mãe fenece.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

É assim...


Doces sentimentos,
Vultos em tormento,
Por hora me enganam,
Por vezes beleza emanam,
Não sei se me povoam ou se simplesmente voam,
Deixo-os livres para em mim navegar,
Como pequeno barco em imenso mar,
Atingindo a imensidão de meu coração,
Que por vezes me cega a necessária razão,
Na busca de tantos caminhos,
Se ferindo em venenosos espinhos,
Amando...
Sozinha...
E os sentimentos simplesmente nascem,
Crescem,
Fenecem,
Renascem,
E caminho assim,
Cheia, vazia de mim,
Explorando tantos sentimentos como se fossem o amor primeiro,
Em face de um coração aventureiro.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Não entender o próprio destino.



Nasci fadado a um destino,
Ouvia isso desde menino,
Tinha medo das coisas,
Será que teria uma bela moça?
E então passei a ver,
Tinha uns amigos que se casaram com umas feias de morrer,
E então comecei a temer o tal destino,
Podia me dar de presente coisas que abomino,
Sei lá, era mesmo coisas a pensar,
Recebi heranças dos pais que se foram em minha infância,
Fiquei em casa, não queria me dar asas,
Comprei um carro, mas pensei,
E se ele bater?
De certo que vou morrer,
Então ficou na garagem, de onde não saiu nem para passagem,
E foram tantas coisas que amontoei por medo do tal destino,
E quanto as namoradas só me apareceram doidas interessadas,
Daí então fiquei aqui, nessa casinha cuidada por mim,
E parece que de onde o destino passa distante,
Porque continuo bem, longe de tudo, sem ver ninguém,
Apenas não entendi o que ouvi numa conversa sem nexo,
Sussurraram que sou um pobre e ranzinza velho.

Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Veneno.


Não havia mais luz,
A fera rastejava pela noite,
Perdida na ventania que lhe chocava contra o rosto feito açoite,
Suas feridas sangravam,
Um sangue invisível que a carne não lhe maculava,
Os pés descalços a ferirem-se nas pedras soltas da rua,
Sua pele alva parcialmente nua,
E pelos becos perambulava doentia criatura,
Coberta pelo que sentia, sua fiel agrura,
Tinha apenas a escuridão por testemunha fiel,
Da queda na terra, após provar sonhado céu,
E seu corpo, o mesmo que entregara a tão sonhado moço,
Parecia agora deixado na escuridão do mais profundo poço,
E seus passos eram sôfregos,
De pobre criatura a fugir em seu devido esforço,
Sem a piedade de alguém que lhe estendesse a mão,
Em uma das curvas deixou-se ir ao chão,
Suas forças abaladas não lhe permitiam continuar,
Pareceu-lhe ouvir uma suave música, vinda de algum lugar,
Seu triste olhar a procura de uma gota que fosse do luar,
Estava só e aquilo não podia mudar,
Fechou os olhos sentindo com horror a vida acabar,
Embebida na melancolia do triste momento,
Sentiu feliz ao ver findar seu grande tormento,
Porém algo tocou-lhe os ombros,
E seus olhos se abriram em profundo assombro,
Sussurrando em seu ouvindo o cometido engano,
Que daquela bela jovem ele era apenas amo,
E sempre lhe fora fiel,
Desde o momento em que lhe prometera o céu,
Porém ela não entendera tal companhia,
E se lançara ao ar feito triste cotovia,
Sorveu do cálice o amargo veneno,
Da desconfiança primeiras gostas que lhe molharam a boca,
Agora o arrependimento lhe consumia, desejosa de voltar,
Caída ali, o amado parado assustado ao vê-la, estático,
Ela voltou a cabeça na direção da face que lhe fitava paciente,
Queria regredir no tempo,corrigir o errôneo momento,
Mas aquilo apenas aumentava seu tormento,
Estendeu a mão como num gesto de devoção ao amado que continuava ali parado,
Sem saber o que fazer, sem querer acreditar,
Então ela cheia de medo,
Olhou para a face e sussurrou em segredo: Quem és tu que veio minha agonia aumentar?
Perante o fim iminente, novamente sentiu a mão sobre o ombro pesar.
E a resposta soou como sentença, impiedosa e fria antes da ultima lágrima rolar:
_Sou a morte e vim te buscar.


Raquel Luiza da Silva.

Perfeição.


Não existe poeta perfeito,
Não existem versos sem defeitos,
Pois se o peito sangra, nas palavras dolorosas se derrama,
Se seu sorriso é evidente, nas palavras seu contentamento não espanta,
E então o poeta é um pouco de sua criação,
Ou a criação é um pouco do poeta em momentos de abstrata razão?
E a poesia se torna fiel auto-retrato de sentimentos em relato,
Por vezes beirando a perfeição, por vezes caricato,
E o imperfeito por vezes toma emprestado do divino o ato de se moldar,
Em falas, em palavras, o que em si insiste em não se calar,
Por isso não existe poeta perfeito,
Porque só Deus tem o merecido direito, da vida em versos,
Na grande folha de papel que é o universo,
Em sua criação, a perfeição a arte de poetizar.

Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 25 de maio de 2010

Tesouros.


Tenho saudades de coisas que guardo na memória,
Meu recanto de mil histórias,
Um lugarzinho de tantas liberdades,
Esculpido de tanta doçura e verdades,
A infância cheia de encantos,
A adolescência do primeiro beijo,
Pessoas que ficaram tão distantes, mas que na mente ainda vejo,
Um sorriso dado,
Um abraço apertado,
A família reunida,
O desejo do regresso após a partida,
O segredo jamais revelado,
O que não tinha necessidade de ser guardado,
São para mim fiéis tesouros,
Que guardo no peito, lugar que denomino como minha caixinha de ouro.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Não permita...


Não permita que o tempo passe sem que você tenha tido oportunidade de sonhar,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha se apaixonado por um olhar,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha amado a vida,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha sido decepcionado por uma conquista,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha tecido ilusões,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha doado parte de seu coração,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha estendido a mão a alguém,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha recebido um abraço de quem nada tem,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha chorado,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha amado,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha lutado por justiça,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha levado esperança a quem não mais acredita,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha sentido a chuva sobre seu corpo,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha entendido que a beleza está no coração e não nos traços de um rosto,
Não permita que o tempo passe sem que você entenda que mais vale a fé do que qualquer riqueza material,
Não permita que o tempo passe sem que você saiba que a ganância é da humanidade o maior mal,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha aprendido várias lições,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha feito em sua mente várias correções,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha criado sua própria personalidade,
Não permita que o tempo passe sem que você acredite em suas lutas, em suas verdades,
Não permita que o tempo passe sem que você tenha ignorado em alguns momentos a razão e dado ouvidos a simplicidade de seu coração,
Quando permitir que o tempo passe, terás marcas visíveis em sua face e em seus sentimentos,
Mas acredite que o tempo não fenece o que você aprendeu e conquistou,
Apenas amadurece o que em sua juventude você sabiamente semeou.


Raquel Luiza da Silva.

Perfeita ignorância


Falta paz, faltam acordos,
Pequenas vidas são interrompidas em abortos,
O homem se diz imagem e semelhança de Deus,
Mas onde Deus no homem se esconde?
Existem bocas que gritam,
Existem barrigas vazias, cheias de fome,
O absurdo se abre diante dos olhos,
A ignorância repugnante dos governantes nos acolhe,
E dizem que somos iguais,
Uns ricos,outros pobres demais...
Somos imperfeitos em nossa perfeita ignorância,
Onde não aprendemos a ver o mundo com os olhos de crianças,
E gritam em nós tantas vozes caladas,
De almas dilaceradas,
Pelo toque de mãos armadas,
E temos nome,
E somos racionais,
Mas agimos como animais,
Bebemos o sangue do mundo,
Temos nas mãos o fim mais profundo,
Vendo nossa iminente destruição,
E por que motivo?
E por que razão?
Temos alma, mas perdemos o coração,
E quando vemos a morte, nos tornamos irmãos,
Dizemos que somos imagem e semelhança de Deus,
Mas Dele não herdamos a perfeição.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 23 de maio de 2010

Não apareça essa noite


Se a lua essa noite me viesse visitar, com seus lampejos febris de ternura,
Pediria a ela para voltar outra hora pois a solidão ainda perdura,
Sei que seria vã sua visita esta noite, porque dos amantes é a doçura sua,
Não se fala de amor sendo um só, feito gato solitário a virar latas pela rua,
Então doce astro dos céus, por favor,não me venha hoje visitar,
Estou pobre de sentimentos, como barco solitário em pleno mar,
Talvez na semana ou mês que vem...
Tenha um amor que ao meu peito convêm,
Farei poemas falando da beleza tua,
Poderei até ser gato vira-latas, mas acompanhado e não mais só pela rua,
Falarei da sorte minha, fazendo gracejos me deleitando com tantos beijos,
Mas enquanto isso não é real...
Por favor lua, não me faça mal,
Esconda-se nesse céu, e faça das nuvens teu véu,
Porque ainda não tenho ao meu lado ela,
Não quero ver-te tão brilhante ladeada de estrelas,
Sempre estás iluminada e bela,
Com tua licença, para não mais sofrer, fecharei minha janela.

Raquel Luiza da Silva

Meu outro ser


Posso ver além do que meus olhos conseguem enxergar,
No anonimato se escondem talentos abstratos,
Figuras que moldo em momentos,
Muitas vezes posso ouvi-las gritar em pleno silêncio,
Fazem de minha imaginação cidade de sonhos,
Passeiam por mim sem nenhum assombro,
E eu acredito que sou assim,
Parte delas em mim,
Transformando o que não posso ver em algo que se possa sentir,
Exteriorando minha capacidade de exprimir,
E minhas várias faces são feitas de fases,
Me navegando como em desconhecidos mares,
Abraçando corpos sem vida, porém não mortos,
Enxugando lágrimas que jamais irão cair,
Numa realidade na qual sempre irão existir,
Na dor de quem não posso sentir,
Na velocidade que nunca irei atingir,
Em cores, palavras, nascem amores,
E é assim meu outro ser,
Ouvindo a voz de versos que insistem em viver,
Abraçando a eternidade de palavras que nunca se acabam,
Na arte milenar do ser, ter e poder,
Eu existo porque minhas palavras não se calam,
Se abrem, se fecham e por mim falam,
Tão incontroláveis quanto inimagináveis,
Refletidas em olhos que jamais verei,
Na longitude de lugares que jamais pisarei,
Mas assim me transporto,
Nos braços dos versos,
Em momentos certos ou incertos,
Que se abrem como doces oásis em mim que sou, extenso deserto.

Raquel Luiza da Silva

sábado, 22 de maio de 2010

Abolição


Disseram que a liberdade do negro veio da ponta da caneta de uma princesa,
Mulher nobre da realeza,
Mas não podiam entender que o negro já era livre,
Que as correntes eram apenas dos ignorantes um deslize,
Que prendiam as mãos e os pés,
Mas não lhes acorrentavam na alma a fé,
E aqueles homens por algum instante pensaram serem donos,
Do corpo julgado pela cor, fadado pelo destino ao abandono,
Se entregar não era do feitio daquele povo,
Porque a alma era livre habitando o cativo corpo,
E na revolta latente,
A imagem de tantos rostos se fez presente,
Na revolução de tantas cabeças,
Não sabia a princesa que mais força tinha aquela gente do que as palavras de sua caneta,
E surgiram os heróis, homens de cor trazidos pelos mares,
Salve grande fantasma! Salve Zumbi dos Palmares,
E a força da alma juntou-se a do corpo,
E o negro mostrou que não se renderia a tanto desgosto,
E a caneta da princesa foi apenas um pretexto da realeza,
Pois se não fosse ela, um dia o negro seria livre com certeza,
Pela sua força, pela sua raça,
Pela história traçada na pele feito um fiel mapa,
E hoje a caneta da princesa tem pouco efeito,
Pois ainda há gente que vive a era do preconceito,
E o negro mais uma vez luta,
E os heróis estão espalhados por ai, pelas ruas,
Mostrando que a abolição não foi fruto apenas de palavras num papel,
“Dando” liberdade ao povo de cor a princesa Isabel,
Porque hoje se luta para que ela aconteça na mente,
De tantos escravos livres que são cativos pelo preconceito que ainda sentem.

Raquel Luiza da Silva

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Olhos tristes.


O trem já partiu,
Na estação apenas algumas pessoas com o semblante sombrio,
Fico a ver a paisagem acinzentada do inverno,
Belo quadro de triste pintor sem o devido mérito,
Um cão sozinho me faz companhia,
Talvez sinta como eu o incômodo de se estar sozinho,
Sou quase imperceptível em meu casaco preto,
Passam tão rápido que não notam que ainda é cedo,
Cedo para o próximo trem que atravessa cidades e terras...
Uma tosse rouca, um cheiro de cigarro, na boca um gosto amargo,
No bilhete de viagem uma luz no fim do túnel,
Ou talvez seja simplesmente uma passagem para terras distantes
Mudar as coisas, ser e viver não como antes,
Alguém canta uma canção,
Talvez algum mendigo a espera de algum bom coração,
Enfim a fumaça ao longe é o sinal,
Dando liberdade a mim simples mortal,
E a canção metálica de rodas sobre os trilhos,
Acende em meus olhos inigualável brilho,
Passos ligeiros, homens crianças, cargueiros...
Me acomodo de algum modo,
Vejo pela janela rostos sombrios,
Acenos e alguns tímidos sorrisos,
Os olhos tristes do pobre cão me fitam,
Sinto um certo aperto no peito,
Não posso entender direito,
Nunca me prendi a nada,
E aqueles olhos tristes me fizeram ficar calado,
Enquanto os passageiros se despedem dos parentes seus,
Apenas um pobre cão que conheci na estação, com olhos tristes me diz adeus.

Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Apenas viva.


Ontem se passou tão depressa,
Tinha sonhos que se perderam pelas arestas,
Hoje vivo como se tudo fosse acabar,
Amanhã me é um mistério, nem mesmo sei se chegará,
E então vou levando a vida,
Numa liberdade merecida,
Tudo passa, tudo acaba,
É a verdade cheia de segredos,
Nada será descoberto até que perca da vida o medo.

Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Essência.


Existem almas que choram sozinhas,
Existem corações perdidos em um único caminho,
Existem talentos ocultos que jamais serão conhecidos,
Existem amores certos, outros tardios,
Existem pedras pela estrada,
Existem castelos construídos após longa caminhada,
Existem tempestades,
Existem artes perfeitas como o por do sol ao findar da tarde,
Existem tropeços,
Existem vitórias que chegam nem sempre pelo acerto,
Existem braços abertos,
Existem oásis em meio ao deserto,
Existem coisas sábias,
Existem ouvidos atentos e sentimentos sedentos por palavras,
Existem confusões e delírios inconvenientes,
Existem coisas que gritam por si, mudas e ninguém sente,
Existem dores convertidas em salvação,
Existem tediosas prisões,
Existem juras e orações,
De tudo que existe um pouco constitui a essência que nos forma,
De tal maneira a sermos um pouco do tudo e do nada,
Num perambular constante por caminhos, seguindo estradas,
Buscando a perfeição que só se encontra ao fim de mais uma jornada,
Na amplidão de entendimentos que a nós sempre serão vãos,
Porque nem sempre nos calamos para ouvir a alma e enxergarmos com o coração.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sonhos.


De que são feitos os sonhos?
De meros desejos ou de desejos sem assombro?
Pode ser uma constante busca inconsciente, do que se quer, do que se sente,
Sonhos são vontades,
Do que fica ou que foi e virou saudade,
Um querer abrasador, alucinante torpor,
Revestido de esperança, alma de velho, jovem, criança,
Abrindo-se em leques de expressivas buscas,
Muito ou pouco custa,
Com valores ditados pela vida,
Pedra de valor inimaginável,aos olhos da face invisível,
Que toma forma simples ou lapidada pelo incrível,
Sonhos são na verdade o que se conta,
Pelas buscas que empreende no tempo de sois que adormecem ou no céu apontam,
Sonhos são o tamanho de sua capacidade de almejar e planejar,
Criar o desejo e o moldar,
Alçar vôo além dos limites,
Não limitarmos ainda que hesitemos,
Sonhos são o tamanho de nossa capacidade expresso na maneira de conseguirmos o que desejamos,
Nos terrenos que nosso coração mapeia,
Fruto da imaginação viva na razão,
Sonhos é a arte de não deixarmos morrer o divino que em nós insiste em viver.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Adeus.


O sofrer do corpo sob o sol,
A alma que padece aos tormentos do momento,
O coração que sangra,
Alguém que ganha de mim a distância,
Sonhos que se perdem,
Desejos que já não mais se percebem,
A lágrima que cai,
A eternidade presa no minuto que se vai,
Os braços vazios,
O abraço interrompido,
A lua sem poesia,
O sol negro em pleno dia,
Não quero falar de flores,
Não existem flores,
Apenas pétalas carmesins de dores,
E o caminho se torna vazio de mim,
Algo inconsciente,
Vazio e sem fim,
Perdido em um adeus,
Com certeza, sem talvez,
Escrito sem palavras,
Em minha ausência de sentimentos e em plena estupidez.

Raquel Luiza da Silva

domingo, 16 de maio de 2010

Nós.


Nós fomos capazes de criar o fogo,
Mas não somos capazes de aplacar o fogo intolerante da guerra,
Nós fomos a lua,
Mas não somos capazes de dar um bom dia ao mendigo que passa por nós na calçada,
Nós criamos lindas canções que falam de amor, liberdade, paz...
Mas ainda deixamos nossos velhinhos nos asilos, gritamos com nossos filhos...
Nós inventamos a moda, pessoas perfeitas em corpos perfeitos,
Mas não entendemos que a perfeição não está no corpo que um dia apodrecerá sob a terra,mas sim nos bons atos de um coração nobre que nunca morrem,
Nós inventamos os grandes heróis,
Mas somos incapazes de voar para dentro de nós e nos questionarmos sobre nossos atos,
Nós aprendemos a julgar a mãe que rouba para sustentar o filho,
Mas sutilmente elegemos políticos que nos roubam a esperança,
Nós voltamos nossa atenção para uma copa do mundo,
Mas pouco nos importamos com o mundo ao nosso redor:
A jovem que vai abortar,
A criança a usar drogas,
A mulher que apanha do marido...
Porque adoramos futebol e o mundo...?
Bom, o mundo é problema dos políticos,ganham para isso, não é?
Ainda somos muito humanos,
Ainda vamos provar nossa capacidade e exibir grandes feitos,
Mas nunca abraçaremos todas as causas da humanidade,
Porque somos muito inteligentes e ocupados,
Sempre nos preocuparemos com coisas mais "importantes",
Um dia talvez aprendamos algo valoroso,
Sermos gente.


Raquel Luiza da Silva

sábado, 15 de maio de 2010

Doce Flor.



Uma vitória humanamente impossível,
Onde a força conseguida pelas armas se rendeu ao invisivel,
Em Lepanto Ela se ergueu antes que seus filhos caissem,
Após a visão concreta do Sumo Pontífice,
E sobre as águas a andar,
Nos braços dos sofridos negros se deixou levar,
E em meio as suas canções quis ficar,
Mãe do povo sofrido,
Do povo branco,
Do povo negro,
A nenhuma raça fechou seus ouvidos,
Em oração pedindo a Deus pelos filhos seus,
Filhos de longe,
Filhos de cá,
Nas histórias e nas lendas de quem contar,
Mas viva fortemente na fé de tantos corações,
Erguendo se como em Lepanto do humano o imaginário,
Doce Flor do céu,
Mãe dos brancos,
Mãe dos pretos,
Virgem Santa do Rosário.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O poeta e Ela





O poeta zela pela sua amada, eternizada em seus versos,
Olha-a adormecida em cada estrofe,
Em que ela olha-o com os olhos de amor,
Beija-o com os lábios doces,
E adormece em seus braços com um sorriso eterno.

A cada palavra que surge,
Ela toma nova forma,
Nova vida,
É a fidalga, a meretriz, a plebéia...
É apenas sua, unicamente sua.

Sente-se um criador, dando vida a sua obra prima,
È de sua alma que ela nasce E se espreguiça no papel outrora em branco,
Toma vida, toma brilho,
E se reveste de magia a ponto de senti-la, ali ao seu lado.

Suas mãos não se cansam,
Seu peito arde em paixão,
E ela se revela, á luz do candeeiro,
Tão nítida...


Quantas vidas tivesse, a recriaria,
Apenas para imaginá-la sorrindo,
Cantando e dançando.
Musa, sua musa, que povoa sua imaginação,
Em si tão viva e real quanto a própria razão

Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Saudosismo.


A memória parece não perdoar,
Invadindo cada cantinho do meu pensar,
Posso ver a casinha velha...
A mãezinha com seu olhar triste á porta,
Os irmãos mais moços a espreitarem pela janela,
E eu a andar sem olhar para trás,
Para não voltar no que se faz,
Na velha mala, poucos trapos,um velho rádio e um novo sapato,
Ainda sinto o cheiro da terra solta, molhada, invadindo minhas narinas como um nada,
Tinha na cabeça idéias de jovem, querendo abraçar o mundo com os braços,
Viajei a procura do meu espaço,
A casinha, a mãezinha e os irmãos mais moços,ficaram para sempre numa foto que carrego no bolso,
Chorei nas noites frias,
Nos dias de sol cantava tal como uma cotovia,
Andei por estradas de terra e também por mil rodovias,
Experimentei o cheiro de tantas terras soltas, molhadas...Mas nenhuma se igualava ao da partida, lá de casa,
E o tempo passou, me tornei adulto, contruí minha casa, vendo o tempo que se passa...
Mas na lembrança continuo jovem, ou ainda menino, aquele que saiu de casa seguindo um destino,
Ao longe na lembrança que nunca padece posso ver a casinha,a mãezinha, os irmãos mais moços, numa foto, de um tempo que a memória nunca esquece.
E assim vou aos poucos voltando para casa,
Posso ouvir de longe a passarada,
As narinas se enchendo com o cheiro de terra molhada,
Os olhos avistando ao longe a velha casinha,
Os irmãos mais moços a olharem ressabiados,
Enquanto á porta a velha mãezinha me espera com olhos marejados.



Raquel Luiza da Silva.

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das mães.


Hoje é um dia especial,
Mas como todos os outros, um total,
Não é só num dia em que se homenageia essa mulher maravilha,
Porque dia das mães...
É todo dia!


Raquel Luiza da Silva

sábado, 8 de maio de 2010

Contando o tempo.


E o tempo é assim...
Passa tão depressa,
Sem saber que não temos pressa,
Por isso cada dia é único e sozinho,
Passando por tantos caminhos,
Abrangendo as dimensões que não consigo imaginar,
Na plenitude do que eu levaria mil vidas para contar.

Raquel Luiza da Silva

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Falta...


Não tenho sono,
A imaginação de mim se esconde,
De forma a me levar a tamanha inércia intelectual,
Vou falar de que?
De mim, de ti, ou do irreal?
Vou olhar para a folha em branco,
Ela se sorrirá de não a poder rabiscar,
Mais uma vez vou me sentir sem palavras,
Sem sono, sem mim, sem nada,
Mas ainda posso fechar os olhos e inventar finais felizes,
Ou bons finais com desfechos imperceptíveis,
A lógica nem sempre está no que se vê,
Mas também pode estar no que se inventa sem escrever.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Segredo...



Ainda sou criança,
Me reinventando a cada dia, em cada lembrança,
Buscando no escondido imaculado do coração, para a vida a esperança,
É bom olhar nos olhos dos outros sem receios,
Erguer a mão não para punir, mas para mostrar o belo anel que trago no dedo,
Sorrir o mais gostoso sorriso, para provar que aprendi a arte de ser feliz,
E que no palco da vida sou grande atriz,
Segredar que tenho medos,
Gritar que posso realizar meus desejos,
Abraçar para reter calor,
Mostrar que o bem maior é sem dúvida o verdadeiro amor,
Acreditar nas pessoas sem medo de me decepcionar,
Sim, é bom ser criança!
É bom amar!
Cantar uma música, inventar uma dança,
Viver solta sem perceber que o corpo se cansa,
Chorar por coisas que realmente tenham valor,
Ver que o tempo é das coisas o maior escultor,
Aprender nas linhas de cada dia,
Que caminhar é como pular amarelinha,
E no doce de cada descoberta ver que do desconhecido se liberta,
Tomar decisões que resolvam, sem saber se é ou não é a certa,
Abrir a porta sem temer o que ela esconde,
Esperar as possibilidades, mesmo que só as aviste de longe,
É, sou mesmo criança,
Escondida no peito de gente grande,
Fazendo arte, deixando de mim um pouco em toda parte,
É, sou criança sem medo,
Contando a todos meu maior segredo,
Que nessa arte de me reinventar, brinco de pique esconde para sempre me encontrar.

Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Quero flores em meu caminho.


Quero flores coloridas em meu caminho,
Andar sem me sentir sozinho,
Cantar aquela canção que fala de vida,
Sorrir e gozar a liberdade ainda que tardia,
Abraçar cada cantinho do meu inconsciente, como se isso fizesse diferença á muita gente,
Contar as maravilhas do hoje, sem pensar nas frustrações de ontem,
Deixar que o que passou só os outros contem,
Quero sim,
Ver a sorte sorrir para mim,
Ousar no principio, sem temer o fim,
Quero cantar num tom desafinado, mas cheio de verdade o que me dita a realidade,
E então quero dizer olhando para o mundo:
"Eu posso e consigo ir mais alto, explorar minhas possibilidades mais a fundo",
Quero flores coloridas por toda parte,
Dançar na chuva me sentindo em outra terra, talvez em marte,
Cavalgar em meu imagino,
Explorar os desejos alados,
Quero flores em meu caminho,
Sem me prostrar diante das feridas causadas pelos espinhos,
Acreditando que sempre que estiver comigo, jamais estarei sozinho.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 4 de maio de 2010

....

É tão curta a vida para se viver todos os sonhos,
São tão longos os tempos sem paz diante de nossos olhos,
E existem caminhos incalculáveis de certezas variáveis,
E as horas correm com rapidez indomável,
Se ainda paramos para dar tempo ao tempo,
Deixaremos que muitos dos nossos planos se vão com o vento.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Preciso de um tempo...


Preciso de um tempo...
Olhar de olhos fechados para coisas que invento,
Mundos, sonhos, sentimentos profundos...
Invadir um mundinho de coisas estranhas,
Vangloriar-me de nobres façanhas,
As quais apenas a mim não serão estranhas,
Preciso de um tempo,
Para abrir os braços e sentir o vento,
E fingir que a tudo entendo,
Preciso ouvir minha voz,num tom calmo e profundo,
E tapar meus ouvidos para as palavras soltas que vêem do mundo,
Só preciso de um tempo,
Para sentir e esculpir tudo o que vão acabar lendo...
Mas quando será esse tempo?
Não sei,
Nem mesmo creio que o terei,
Mas sei que preciso esculpir palavras, ainda que não acredite em mais nada,
Preciso desse tempo...
Talvez venha a galope, talvez venha lento,
E assim vou aprendendo na demora do tempo a esculpir palavras a meu contento.

Raquel Luiza da Silva

domingo, 2 de maio de 2010

Esse ano tem eleição!


Esse ano tem eleição,
Todo mundo passa a ser companheiro, irmão...
Tapinha nos ombros, sorriso aberto, tudo certo!
Vai ser uma festa só,
Bandeiras, hinos cantados de cór,
Palanques serão erguidos e o povo será um só,
Será um P...aqui, um P...ali
E o povo todo lá a sorrir,
Na TV um tempinho deles, para nosso "deleite"
E vamos sorrir também, mesmo sem dinheiro para o pão, o arroz, o feijão e o leite,
E esse ano tem eleição,
Coisa de pobre, rico, ateu e cristão,
Falta emprego, mas tudo bem...
Tem coisas que nem todo mundo tem,
Falta justiça,
Ligamos não, tem tanta coisa que acontece e é esquisita,
Falta amparo ao trabalhador,
Esquentamos não, ao menos aboliram a escravidão,
Os professores estão em greve,também estamos mal na educação,
E o que tem? Sabemos ler escrever, contar até dez e ainda podemos usar o dedão...
Falta saúde...
Quem pariu Mateu que dele cuide,
Esse ano tem eleição,
Vai ter show na televisão,
Enquanto os candidatos se matam...
A gente se faz de palhaço,
Acreditando que existe alguem melhor,
Ao menos entre muitos um só,
É melhor a gente esperar e viver.
Numa escolha de "P"... "Q"(uanto) "P"...!

Pra quem sabe ler um pingo é letra...

Raquel Luiza da Silva

sábado, 1 de maio de 2010

Tédio...


Tédio...
Tédio...
Tédio...
Parece me observar do alto de algum prédio...
Tédio...
Tédio...
Tédio...
A me espreitar com seus grandes olhos céticos...
Tédio...
Tédio...
Tédio...
Inexplicável e sem remédio...
Tédio...
Tédio...
Tédio...
Desça desse prédio,
Feche seus olhos céticos,
Para ti quero remédio,
E me livrar de ti...
Tédio...
Tédio...
Tédio...

Raquel Luiza da Silva.