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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Presença.


Fui-me embora para longe,
Deixei para trás um pouco de mim,
Naquelas paredes escuras,
Naquelas paredes frias e escuras,
Como uma pichação vazia de ilusões,
Talvez um dia entendam um pouco de minha presença,
Tão calada,
Tão estranha,
Naquelas paredes frias e escuras...


Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Paz


Quero um pouco de paz,
Não a paz comercializada nos templos religiosos,
A paz rica em bênçãos que não se encontra nos frascos e envelopes que custam um propósito financeiro,
Quero a paz que vai do antigo ao novo Testamento,
A paz revestida de luz e doação espiritual,
A que transforma o coração e que não cega,
Que é tão necessária quanto o ar que respiro,
E tão real quanto minha existência nessa terra,
Quero um pouco de paz,
A paz que foi resgatada da morte um dia,
Que foi gerada por Deus e em Deus,
Aquela paz que a Virgem Maria trouxe no ventre,
E que ao nascer trouxe luz,
Adormeceu em um berço de palha, num estábulo,
Tão humilde,
Tão pequena,
Tão cheia de Deus e vazia do mundo,
Quero a paz que habita nos vales,
No doce da manhã,
Na nostalgia do cair da aurora,
Na noite que entorpece,
Aquela que alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes,
Que disse á mulher que tocou em seu manto: “A tua fé te curou”.
Ou ainda, aquela que fez o cego enxergar,
Que fez coxos andarem,
Quero essa paz que abriu os olhos do mundo,
Mas que o mundo se fechou a ela, se escondendo nos luxuosos templos,
Quero a paz que não se transforma em dinheiro,
Que é verdade mesmo quando o terreno é de inverdades,
A paz que não condena,
Que não consome,
Aquela que faz nascer, ressurgir, crescer,
Aquela que não tem limites,
Aquela que não deixou religiões, apenas ensinamentos,
Quero a paz que se perdeu na vaidade humana,
Que se transformou em pequenos fragmentos de luz nos corações terrenos,
Quero a paz que se perpetua pela fé,
Nos braços das verdades de Deus,
Quero apenas a paz de Jesus.


Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Brincado de ser...


Por vezes penso que sou criança brincando de ser gente grande,
Em um mundo de coisas superficiais,
Onde a razão é desnecessária quando se tem um truque na manga,
E o imoral é mais sensato do levar tudo a serio,
Olho a vida pelas lentes escuras de meus óculos,
Como se não fosse minha, essa responsabilidade de ser gente,
De abraçar os caminhos com a voracidade de um estômago invisível,
E eu não sei mesmo quem vai ao meu lado,
Gente daqui, gente de lá...
Nessa caixinha redonda que gira, gira...
Como se no correr das horas, tudo isso fosse um propósito apenas, para dar voltas á minha cabeça,
Cabeça vazia, cabeça dura, cabeça pensante, cabeça...
E tudo o que sei está nos livros,
Ou nos bancos da tal escola vida,
Onde se é corriqueiro a greve moral,
Por vezes falta um pouquinho disso ou daquilo...
Mas todos acabamos diplomados,
Uns com algum juízo, outros sem nenhum...
E mais uma vez não sei quem vai ao meu lado,
Porque o tempo, senhor das mudanças, muda tudo...
É como se isso fosse mesmo a realidade escondida na primeira esquina,
É como se o óbvio fosse a encarnação da verdade,
E é por isso que penso que sou criança,
Criança brincando de ser gente grande,
Carregando nas costas as responsabilidades de uma idade,
Sem perder a graça e real sabedoria da tenra idade que preservo interiormente.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Poeta.


Eu era sol,
Eu era lua,
Era a consciência num universo de sonhos,
Era a beleza,
Era o espanto,
De tudo que se abria em mim eu era um pouco,
Da dor sofrida,
Da magia buscada,
Da alegria insana,
Eu era um mundo...
Um pouco da terra molhada,
Da aridez de um coração,
Do suor imperceptível que nenhuma mão secava,
E do toque resplandecente do Criador,
Eu era a quimera criação,
Mutação de planos,
De aspirações talvez,
Apenas a cegueira nos olhos da lince,
Ou o voo alquebrado da águia já cansada,
Mas eu era alguma coisa,
Eu era o tudo em meio ao nada,
E não me perdia ainda que estivesse em pedaços,
Sempre abria portas,
Caminhos pintados pelo imaginário de mãos tortas,
Mas eu seguia,
Meio assim...
Sem saber o que procurar,
Se eu causava dor,
Ou se as podia curar,
Mas eu era vendedor de ilusões,
Um vulto possuidor de carne e alma,
Talvez de um variável coração,
Tão sozinho em si,
Em meio a uma multidão de olhos,
Tão longe da sensatez que ainda me cerca,
Eu era...
Eu sou...
Eu sempre serei poeta.

Raquel Luiza da Silva,

sábado, 13 de agosto de 2011

...

O mal da humanidade chama-se, falta de inspiração,
Se a tivéssemos faríamos poesia ao invés de guerras.

Raquel Luiza da Silva.

...

Minha alegria incomoda aos outros,
Minha tristeza incomoda aos outros,
Serei alegre em silêncio,
Serei triste em silêncio.
E se alguém se incomodar...
Não me restará mais nenhuma alternativa.

Raquel Luiza da Silva.

...

Se soubéssemos apreciar a beleza do tempo presente,
Não desejaríamos tanto a eternidade das coisas.


Raquel Luiza da Silva.

...

A validade das coisas está em sua embalagem,
A validade das pessoas em seu caráter.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Apenas ouse .


Tenho alguns caminhos para seguir,
Talvez eu escolha um ou dois quando acreditar que me levarão a algum lugar,
Qualquer lugar, onde eu possa me deitar na grama e meu olhar se perca no azul do céu,
Sem ter medo de buscar as formas amorfas que existem em cada sentimento que alimento,
Simplesmente deixar que a ilusão dos dias de calmaria invada cada segundo desse tempo que me escravizou por anos,
Talvez eu escolha um ou dois caminhos quando acreditar que é seguro transpor a soleira do meu eu interior e seguir...
Abraçando tudo o que se perdeu por acaso, ou se fez acaso em minha vida pela ignorância que me cegou,
Deixar partir de mim tantos tesouros que tranquei num canto escuro chamado de eu interior,
Apenas para não dividir com os outros, porque eu sabia que era bom...
Talvez um ou dois caminhos farão a diferença quando eu acordar pela manhã e desejar acreditar,
Acreditar naquele amigo que se foi sem dizer adeus,
Nas palavras de um alguém que nunca me disse nada,
No sorriso discreto que não percebi,
Nas lágrimas que rolaram e eu não as pude controlar,
No amanhã que me era promissor,
Na dor como oportunidade de renascimento,
Na verdade como trunfo,
No amor como dádiva...
Talvez eu acorde e deseje seguir, sempre seguir...
Perseguindo a felicidade tão sonhada,
Incrustada na essência de um ou dois caminhos que sempre estarão á minha frente,
Convidando-me apenas a dar o primeiro passo.

Raquel Luiza da Silva.


Para Miguel Ferreira.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pode ser...


Se eu não gostasse de poesia,
Talvez gostasse de outra coisa qualquer,
Que trouxesse os reflexos conflitantes do coração,
Ou a razão tão tranquila das coisas comuns,
Se eu não gostasse de poesia,
Talvez gostasse de outra coisa qualquer...
Talvez eu aprendesse a gostar de poesia,

Raquel Luiza da Silva,

sábado, 6 de agosto de 2011

Sentimento em palavras.


Já dei vida á palavras gritantes,
Que perturbadoras no silêncio da alma gritavam por si só,
Eram loucas revestidas pela beleza invisível de um sentimento que nunca soube,
Se desprendendo como lágrimas de olhos sem visão,
Mas sua clareza era tamanha a ponto de serem confundidas com cristais,
E feriam,
E perturbavam,
E calavam,
Mas também causavam paixão, lascívia...
Ardentes como o ferro em brasa sobre a pele nua,
Ou o doce toque do amante em horas mortas,
Distinguiam-se pela agressividade do momento,
Ou pela doçura transbordante,
Uns julgavam serem heresia,
Outros, tormentos da alma,
Eu apenas as classificava de sentimentos em palavras.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amante.


Adormece minha alma em profundo sono,
Na relutância da liberdade perdida de outrora,
Na ignorância que levou a findar-se um paraíso,
Do triste som do cair da chuva lá fora,

E meus olhos cegos de desejo,
Abraçando a paisagem morta á minha frente,
De amorfas formas,
De dor pungente,

E em meu peito a bater relutante,
Coração sofrido,
Insistente,
Solitário amigo,

E as chamas invisíveis que me devoram,
Trazem em seu puro teor a saudade,
Do calor e da luxúria de tantos corpos,
De tudo que jurou ser verdade,

A carne que repousa sobre a terra,
Num ultimo suspiro,
De um adeus doido,
De amores que se foram com um triste sorriso,

E que cravem em minha lápide,
Tais palavras que murmuro agora
Sendo fiel ao que por si só dizem,
“Teve como ultimo amante a beleza que traz o cair da aurora”.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Lágrimas de tinta.


Era a dor que forjava o sofrimento,
Era a lágrima que corria a seu contento,
O que me ia á alma vertia-se em palavras,
E meus olhos embaçados nada viam,
Nada sentiam...
Não eram de vento,
Não eram de chuva,
Lagrimas de tinta corriam pelas ruas,
Em letreiros de neon,
Nas notas da canção proibida,
Eram dor,
Eram vida,
Num renascimento que nunca se se soube,
Partes vivas,
Encarnadas naqueles caminhos,
Um sangue carmesim,
Encrustado naquelas poucas cores,
Linhas divididas,
Suavemente destorcidas,
E a veste de festa de outrora,
Hoje repousa do lado de fora,
E o que nasce nesse corpo,
São lembranças do que se sentiu,
Apenas toques, setas de puro ardil.
E tantos olhos incrédulos ainda vislumbram,
Ainda que não entendam ou sintam,
Tanta dor, nessas lágrimas de tinta.


Raquel Luiza da Silva