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sábado, 30 de abril de 2011

Ah o tempo...


Hoje não é dia de festa,
As colombinas e arlequins descansam no fundo dos armários empoeirados,
Ontem eram risonhos a bailarem pelas ruas,
Abraçando a liberdade da juventude que por vezes parecia-lhes eterna,
Sorrisos apenas,
Numa brincadeira que desenrolava-se pela vida,
Eu era assim, alegre, na maquilagem de triste arlequim,
E nessa brincadeira de pique esconde com o tempo,
Ele encontrou-me, como encontra a todos,
Sorrindo e chorando,
Como num papel teatral,
Sendo humano, homem, mortal,
E então eu falei-lhe dessa vida,
Dessa minha vida...
Ele ouviu-me atentamente,
Tirou-me a maquilagem do rosto,
E disse-me que era hora de guardar minha fantasia,
Roupa velha, imagem dividida,
E foi-se...
Não sei com que freqüência voltarei a ver a passagem de outros tempos.
Mas na lembrança sempre serei assim,
Alegre, na maquilagem de triste arlequim.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mudando o mundo que sou eu.

Eu não quero ser nada mais além do que poesia na pele enrijecida e empoeirada dessa humanidade,
Embora, como tantos já desejei mudar o mundo,
Descobri que mais mudanças causo ao mundo quando tento mudar a mim mesma.


Raquel Luiza da Silva.

sábado, 16 de abril de 2011

Poema da falta de inspiração.


Se hoje eu tivesse inspiração comporia um poema,
Sem mágoas,
Sem tristezas,
Talvez sem rimas para não dar uma conotação triste a algumas linhas,
Algo diferente,
Talvez uma aleatória sorte,
Nem de vida, nem de morte,
Traria a tona alguns inesperados desejos,
Algo simples,
Que não se tornasse enfadonho quando leio,
Talvez que trouxesse aos olhos uma surpresa crescente,
Algo novo,
Que falasse de alguém ou de tanta gente,
Um poema acima de qualquer suspeita,
Cheio de perfeição,
Como nunca se viu no plano dessa imperfeita criação,
Tão doce,
Tão belo,
Tão cheio de vazio, como pelas ruas tantas noites de sexo,
Seria um poema,
Mais um poema que traria partes de mim e de tanta gente que desconheço,
Mesmo do tipo que traz a vida e suas vestes ao averso,
Um certo empenho da mente,
Que não mente,
Carregado de valores pendentes,
Seria um belo poema,
Sem rimas,
Em poucas linhas,
Mas talvez seria em vão,
Porque apesar de ter mil e um poemas,
Nesse momento que me vale os sentimentos, me falta toda inspiração.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sem regras.


Não tenho regras para minha vida,
Apenas não a deixo ao acaso como tantos outros,
Já busquei sonhos em tantos planos,
Mistificando tantas essências que não eram minhas,
Aprendi a desenhar sentimentos,
Trazendo a tona contornos desnudos de um coração pulsante,
Sem consultar a importância dos fatos,
Nem tudo me pertence aqui,
Tenho apenas lapsos de chorar ou sorrir,
Tudo corre na continuidade de um tempo que me desafia,
Vou andando por ai,
A lentidão dos meus passos refletem a distância da partida ou mesmo falta de passos,
E essa vida minha é meio assim,
Cheia de tantas coisas, cheia de mim,
Se eu disser que não gosto seria desmedida intriga,
Se disser que adoro, seriam palavras perdidas,
Não sei o que se passará nas próxima horas,
Por isso nada de regras nem depois, nem agora.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mente sóbria e coração vazio.


Não sei se quero a eternidade das coisas que trago comigo,
Ora as vejo tão terríveis, ora tão lindas...
São tão doces nos momentos oportunos,
No entanto quando passam parecem apenas apagadas linhas,
E eu as envolvo nos sentimentos,
Como pequenos tesouros nas mãos do tempo,
São meus brinquedos de real peso,
Ou talvez leves como o vento,
Que existem a meu contento,
Porém...
Ainda não sei se quero que sejam eternas essas coisas,
Essas tais que trago comigo,
Uma mente sóbria e um coração vazio,
Que brincam com um corpo que virá a ser pó,
Ou acabará em algum canto só,
Como tantas coisas que ja trouxe comigo,
Guardadas numa mente sóbria e num coração vazio.

Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 12 de abril de 2011

Um pouco de solidão.


Se os olhos dizem tantas verdades,
Eu agora estaria calada,
Pois tenho os olhos fechados para de mim não revelar nada,
já me abri ao mundo sem segredos,
Deixei as claras o que era belo ou causava medo,
E com isso me tornei tranqüila,
Transparente e destemida,
Mas as vezes é preciso estar só,
De olhos fechados sem abrir os pormenores,
Porque é no silêncio dessa vida minha,
Que escrevo as história nessas páginas contidas.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 10 de abril de 2011

Nem tudo se perde.


Ainda não perdi minha alma,
Apesar de ter deixado tantas partes de mim em tantas esquinas,
Ter vagueado por entre os carros da avenida,
E na loucura que me consumia,
Eu era parte de tantas, de todas, daquela vida,
E o calor do asfalto me excitava,
E eu caminhava por esse mundo a passos largos,
Mergulhava na noite,
Vislumbrava o dia como se fosse novidade,
Sem deixar pegadas ou sequer saudade,
Eu era apenas mais um rosto naquela multidão,
Sem identidade definida,
Sem roupa de marca, ou trazia todas as marcas de uma vida,
Se era de sorte nunca soube,
Se trazia algo que valesse alguma verdade, também nunca soube,
Eu era alguém sob as marquises
Escondido na pintura de diferentes matizes,
Não tinha o olhar marcante,
Mas era a chaga de uma sociedade instigante,
E entre a estrada e os sonhos...
Eu escolhi a estrada para não me perder no que me era estranho,
Apenas vagueava,por tantas avenidas, por tantas esquinas...
Jogando com a casualidade,
Envolvendo-me com o passar das horas,
Deixando os que vinham e os que iam embora,
Então resolvi guardar comigo o que não perdi ao longo dos anos,
Nessa desconhecida e dura caminhada,
Tudo consegui ganhar e perder, mantive apenas intacta minha alma.




Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tudo é vaidade...

Existem tantos templos religiosos,
Existem tantos sem teto,
Tanta "casa do Pai"
Tanto filho ao relento,
Tanta promessa ilusória,
Tanta realidade sem resposta...
Não entendo como Deus sendo pai,
Com tantas luxuosas "casas",
Permita que seus filhos se tornem moradores de rua e vivam sem nada.

Raquel Luiza da Silva.