Translation language

Total de visualizações de página

Follow by Email

sábado, 5 de outubro de 2013

Ensaio sobre a timidez.





Sou ser tímido, de poucas palavras,
Trago sorrisos para ocasiões importantes, assim como raros vinhos na adega,
Tenho o olhar perdido por vezes, na esperança de encontrar algo que não sei,
E se interpelarem-me sobre o silêncio que acompanha-me, nada direi...
Talvez entre uma conversa e outra, deixe transparecer um pouco de minha simpatia,
Sim! Ainda possuo resquícios de simpatia sob a camada superficial de minha aparência sisuda,
Sou narcisista ao averso, amando  as qualidades que internamente me enchem, me preenchem...
E quando encontrar-me por ai, apenas passe por mim sem alarde, minha alma saberá compreender a tua,
Os sons cotidianos nada dizem, são sons, apenas sons...
Se encontrar-me em profunda meditação, sinta-se convidado a partilhar comigo desse momento,
Almas silenciosas são capazes de tocar o céu, quando partilham entre si a harmonia do que desconhecem.
Sentir-se-a decepcionado se o que trago pouco possui de beleza, se fores bom observador descobrirá no abstrato o suficiente para descobrir-me,
Se não descobrir-me, apenas olhe-me nos olhos e parta sem demora, para que tua mente não perturbe-se tentando desvendar-me,
Sou uma incógnita aos olhos de mentes barulhentas e olhares desatentos,
Sou o infinito resumido em matéria resumida, sem contas ou contos...
E o tempo que serei, desconheço...
Apenas conheço a contagem dos dias que passam por mim.
Sou ser tímido...
De poucas palavras...
                                                                 De início, meio e fim.


Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

...

As últimas palavras não foram minhas...
Não eram doces, nem coloridas...
Eram distantes, vazias.
Os olhos banhados cristalinos, minavam,
De tristeza? De alegria?
Não havia escolha, o coração sabia.
E o vulto do adeus enchia a casa,
Ecos, aromas, adágios...
As horas tripudiavam sobre meus pensamentos,
Distantes, de vento,
Sem tempo...
Vai passar...
Vai passar...



Raquel Luiza da Silva.

 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Deixarei,


Deixarei de mim poucas palavras,
Palavras ditas, escritas, talvez...
Poucas linhas de traçado leve,
Variantes cores em sua limpidez,
Deixarei de mim o que pouco pesa.
O que incomoda,
Por sua beleza, por sua rispidez...
Deixarei poucas palavras,
Escritas, ditas, talvez...
Se são de mim,
Se são assim,
Se deixarei,
Se escritas,
Se ditas...
Palavras...
Talvez.

Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 8 de maio de 2013

 Calma e doce poesia

Não serei sombra por entre essas linhas caladas, outrora vazias,
Já sangrei a alma em canções sem sentido,
E sentindo procurei abrigo nas sombras de tantos poetas,
Abriguei-me no luto de rostos anónimos...
Criei a esperança em jardins de almas juvenis,
Fui o escuro na cegueira de olhos límpidos,
A palavra calada que no silêncio alguém pronunciou,
Dor, amor...
E a alegria que com sorrisos coloriu o dia,
A chegada, a partida...
Abracei tantos corpos nus em noites amantes,
Fui a lágrima cristalina, fria...
O tempo a esculpir semblantes.
Também quisera eu,
Que a tinta que cobre o existir desses meus dias,
Não fosse de luto ou de eterna alegria,
Que sou palavra muda,
Palavra que grita,
Que não sente,
Mas que toca,
Que não chora,
Mas imita,
Quisera eu ser eterna,
Ser compreendida,
Adormecer em sentimentos,
Nesse tempo de breves dias,
Calma e doce poesia.
Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 25 de março de 2013

Inverno.


Talvez o sol não nasça hoje e eu veja com deslumbre incomum o tom acinzentado do dia,
Talvez eu pinte a tela em branco há muito esquecida no canto de algum canto da sala...
E pela janela eu abrace o frio que brinca com minha pele ressequida e desnuda,
E apreciei a beleza nas cores mortas das árvores e no semblante cansado das pessoas apressadas e caladas.
Talvez eu encontre um pouco de graça na solidão cheia de matizes ocultas em cada parte dessa casa,
Encontre vida nos retratos mofados em algumas tantas gavetas,
Brinque com o vazio das coisas, aquelas que foram minhas, só minhas, de mais ninguém.
E no acinzentado desse dia eu sinta falta,
Falta sem fanatismo, dos aromas e cores da primavera,
Das lembranças pintadas em minha mente,
Dos quadros acabados pelas paredes,
Das paredes que ocultaram gemidos, lágrimas e sorrisos...
Que essa saudade não me consuma,
Que venha doce e tranquila,
Mas que parta com os primeiros raios de sol ao amanhecer o dia ...


Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de março de 2013

E o tempo que era eu.




Eu era tempo,
Tempo perdido,
Perdido em algumas bocas,
Encontrado em algum braços,
Arredio em alguns momentos,
Fugidio em algumas horas...
Monótono,
Julgado, não conjugado,
Tempestuoso e primaveril,
Dançando por ai,
Arrastando meus pesados fardos...
Tempo,
Sem tempo...
De peito arfante,
De alma transparente,
Reluzente,
Carente,
Talvez...
Era tempo corrente,
Sedento,
Tempo que não volta,
Que se perdia em algumas bocas,
Que se encontrava em alguns tantos braços...

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 12 de março de 2013

Tatuagem.


Saudade é um pouco do passado esquecido na gente,
Esquecido em algum canto da casa,
Nas cinzas que voaram com o vento,
No sorriso que não envelheceu,
Na pele sulcada, 
Saudade é a gente esquecido,
Em algum canto,
Em porta-retratos,
Em beijos, 
Em abraços...
Um misto de aromas que ficaram na mente,
Um misto da mente que ficou na gente...
Saudade é o traçado de linhas em velhas cartas,
Traçado de conteúdo em tantas linhas,
Um monte de coisas,
Tantas coisas minhas.
Saudade é a definição do tempo que ficou de fora da cronologia,
Há o tempo que passa,
Há o tempo que vive-se,
Há o tempo que espera.
E há o tempo que  guarda-se,
Que nunca passa,
Que nunca mais vive-se,
Que nunca mais espera-se.
E então  essa saudade, 
Repleta,
Vazia...
Cheia de tempo,
Em todos os tempos,
Feito tatuagem na pele que envelhece,
Que nunca se apaga,
Em letras negras, com aroma de tantas tardes...
Lê-se esse tempo...
Tempo, saudade.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 3 de março de 2013

Apenas vivi...


Vago por esses caminhos,
Vago pela essência escondida no âmago dos brutos,
Transpiro o suor dessa terra, sou pó.
E posso ver além, bem além dos olhos que possuo nessa face enrugada.
Talvez ainda sinta os efeitos dos impulsos ardis da juventude,
Talvez ainda sinta os efeitos dos sentimentos que passaram por esse coração...
Velho coração...
E há ainda quem diga ao tempo que volte,
Que corra...
Eu apenas digo que siga seu caminho,
Que não volte, que não corra,
Apenas siga...
Assim como eu...
Hoje tenho histórias,
Sentimentos,
Memórias.
Penso quão vazio seria se nada trouxesse comigo,
Se os erros não incorporassem com os acertos que tive por ai,
Se não abraçasse a vida com assiduidade e ao mesmo tempo com a morosidade de certas vontades minhas.
Eu vivi, poderei dizer algum dia,
Sem palavras bonitas,
Sem palavras mentidas,
Sem muitas palavras.
Vivi como tinha que viver,
Por entre caminhos,
Por entre flores e espinhos.
Vivi como vive todo e qualquer ser humano,
Sendo pó e temendo voltar ao pó, inevitável estado da matéria humana.
Mas não falemos de morte,
Ainda posso exprimir minhas poucas idéias,
Algumas palavras dessa mente, que não mente, mas talvez finja.
Ora, estamos em um grande palco!
Atuando, amargos, felizes, agoniados, reis, rainhas, palhaços...
Por vezes, gosto de ficar aqui, apenas aplaudindo...
E sei que muitos fazem o mesmo,
Tal como eu, esperando a hora de encenar ou encerrar...
Mas já estou velho para as grandes peças,
Fui menino um dia, sabia?
Claro que sabia...
E quando disse que vagava por caminhos, eu menti, ou melhor, fingi...
Pois já faltam-me forças para tais peripécias,
Apenas gosto de sentir o que minha mente ilimitada consegue trazer ou reproduzir com um toque de satisfação minha.
Bom, as cortinas começam a baixar,
Sinto que minha peça sairá de cartaz em breve,
E minha encenação nesse grande palco que é a vida, ficará guardada em algumas cabeças, e se tiver um pouco mais de sorte, em alguns corações.
E como um bom profissional na arte de viver...
Não quero drama,
Que seja feliz o adeus, sem piegas, ainda que finjam, ainda que mintam...
Apenas adeus!
E quando lembrarem-se de mim,
Sintam sem delonga o poder do que estará gravado em minha lápide...
Vivi como tinha que viver.


Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 1 de março de 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ressurreição.



Onde estou agora?
Perdida entre mundos,
Entre o que foi-se com correr do tempo,
Entre o que ficou com o tardar das horas.
Encontrando-me em velhas gotas de tinta,
Perdendo-me nessas páginas de vida sucinta, ao romper da mortuária luz da aurora.
E a fragilidade dessa alma sôfrega,
Que perambula por entre amores invisíveis,
Rouba o brilho e a virtude de suas coirmãs sensíveis,
E das bocas vermelhas,
E de seus pecados,
Doces deslizes.
Onde estou agora?
Perdida entre mundos,
Entre a venialidade e a insensatez,
Despida em algum Éden,
sem a moralidade da primeira vez.
Diga-me tu onde estou agora...
Talvez como tantos não possa,
Ver-me por entre mundos,
Ressurreta nestas gotas de tinta,
Refletida na mortuária luz da aurora.


Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


 
A mulher terminou de ler o poema e chorou, achou-o tão parecido com sua triste realidade solitária. O homem por sua vez achou bobagem, coisa de filósofos lunáticos. A amiga da mulher gostou das palavras, de alguma forma tinham um quê de verdade, de sentido. O amigo do homem nada entendeu. A amiga da amiga da mulher copiou e enviou-o a alguém. O amigo do amigo do homem achou belas as palavras, mas eram apenas palavras e palavras não mudavam o mundo... Mais alguém achou de uma monotonia sem igual, e o outro comentou que poderiam com aquilo fazer uma revolução interior...
Eu li novamente e continuei a ver o céu estrelado, a brisa tocante naquelas páginas mudas, o beijo que não aconteceu, o adeus da partida misturando-se com a euforia da chegada, e lá pelas ultimas palavras, morrendo naquele ponto final, a imaginação que começava, eu podia ler novamente e ver as mesmas coisas, porque as palavras nunca mudam, o que muda é a interpretação refletida nos sentimentos, que não mudam com palavras.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Poeira e poema.



Tenho um poema no fundo da gaveta,
Um poema empoeirado, em preto e branco...
Com cheiro de vida,
De vidas,
Traçado em algum instante,
Traçado em algum momento...
Alegre?
Talvez,
Triste?
Não sei...
Poema e poeira,
Poeira e poema...

Palavras perdidas,
Traços desconexos...
Detalhes ocultos.
Apenas um poema,
Poeira...
Um pouco de algo, de alguém...
De mim?
Não sei, talvez...
Um pouco...
No fundo da gaveta,
Apenas poeira.
Poema...

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ouça-me.



Não ouvirão minha voz estraçalhar vidraças fechadas,
Nem meu canto a embalar os sonhos que adormecem pelos cantos da casa,
Serei silêncio na perfeição do momento,
Nem murmúrios,
Nem suspiros,
Serei a voz muda a dormitar em lábios entreabertos...
O silêncio que acalenta a alma,
O silêncio que perturba o altivo,
Talvez possa alguém entender-me,
Sentir-me,
Prescrutar-me...
Se sou silêncio, sou transparente,
Porém não poderei ser vazio se entender-me,
Se vislumbrar-me,
Se tocar-me...
Não ouvirão minha voz,
Nem meu brado,
Nem meu choro,
Nem meu sorriso...
Serei silêncio no propício momento,
Serei silêncio para assim ouvirdes as vozes,
As vozes que falam apenas quando calo-me,
Talvez ouça a doce canção,
Desse meu arfante peito,
Desse meu cansado coração.

Raquel Luiza da Silva.

Enquanto...








Enquanto o sono não vem invento,
Enquanto o sono não vem, crio,
Enquanto sono não vem, amo,
Mato,
Morro,
Revivo...
Enquanto o sono não vem, perturbo-me,
Enquanto o sono não vem, intensifico-me
Enquanto o sono não vem, semeio,
Cresço,
Floresço,
Frutifico...
Enquanto o sono não vem, dissolvo-me,
Enquanto o sono não vem, espalho-me,
Enquanto o sono não vem, tropeço,
Caio,
Ergo,
Sigo...
Enquanto o sono não vem, ilumino,
Enquanto o sono não vem, revolvo-me,
Enquanto sono não vem, finjo,
Minto,
Renasço,
Poetizo...
Enquanto o sono não vem, aguardo,
Enquanto o sono não vem, retrato-me,
Enquanto o sono não vem, parto,
Fujo,
Escondo,
Acho-me.





Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Namoradeira.

E então fez-se silêncio,
As bocas fechadas eram o soneto perfeito,
Após os olhos cerrarem-se cansados...
Enquanto todos recostados adormeciam,
Eu namorava a lua,
Naquela noite com aroma de poesia.

Raquel Luiza da Silva.