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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sozinho.


Não consigo lembrar-me com exatidão do momento em que perdi o céu...
Apenas lembro-me da derradeira queda,
Asas perdidas,
Apenas era eu mais um anjo decaído,
Vagando pelos caminhos de uma terra cheia de escolhas,
E então passei a lutar contra meus próprios demônios,
A frequência das batalhas eram as horas que me consumiam,
E por vezes eu obtia a vitória e por vezes eles me venciam,
E o céu?
Passou a ficar tão distante...
Em um limite que me permite apenas vislumbrá-lo através de vagas lembranças,
E essas lembranças aos poucos se consomem, como tudo que o tempo toca,
Canção vazia, notas mortas...
E deixei em algum canto meus aparatos angelicais,
Tudo aquilo que me ligava ao um céu,
Tudo aquilo que me ligava ao divino,
Então provei das delícias dessa terra,
No engano da serpente sedutora,
Provando o néctar do pecado, tal como meus progenitores,
E na revolta dos céus perderam um paraíso,
Algo tão seu, tão preciso,
E meus passos são lentos,
Sem pressa de chegar a lugar nenhum,
Apenas descobrindo o que deixaram encoberto,
E a lentidão de meus passos,
Talvez seja apenas uma forma de marcar caminho,
Para que outros anjos descubram que se perde o céu, quando se é sozinho.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ao meio.


Abdico de metade do meu coração, para que a outra metade viva em paz...
Porém não existe paz pela metade e nem coração ao meio,
Então viverei com um coração inteiro, com sentimentos em permeio.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 28 de novembro de 2010

Palavras soltas.


Hoje não tenho palavras,
Talvez as encontre amanhã ou depois...
Por acaso andam perdidas por ai,
Talvez queiram ser livres num espaço sem fim,
Tão soltas,
Tão loucas,
Procurando se formar por si só,
Com ditos que em nada lembre o esquecido,
Numa liberdade fora do inconsciente de sentimentais,
Abraçando o universo de páginas em branco,
No delírio que não cause espanto em nós simples mortais,
E então tomarão formas,
Letras,
Notas...
E darão vida ao espaço outrora vazio,
Com dizeres carregados de uma desconhecida intensidade,
Se serão verdadeiros ou de pura falsidade...
Não saberei dizê-lo,
Pois palavras soltas, fogem de meu zelo.

RaquelLuiza da Silva.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ausência.


O vazio que toca-me, toma tantas formas, tantos rostos...
Teu só sossego aqui contigo ausente,sentimentos e sentidos vários...
Um misto de verdades e ilusões, perdidos num único momento que se funde, se confunde com o real tormento,
Aqui vês vida, alma e esperança, sonhos do meu bem passado,
E se foi, ainda não sei, talvez tudo tenha adormecido em mim, com vontade de ficar, de nunca partir,
Vivo um drama infindável, ja que dele não posso fugir, mas se um dia te encontrar serei o sol que te guiará.
E tua não será mais a ausência que machuca com real voracidade, a ponto de devorar-me o pulsar do peito e o correr das horas...
Era com o sol e era com as estrelas, que onde agora as minhas ideias se perdem, e era o espaço, onde não é...
E tudo se torna tão lúcido a ponto de me perder em devaneios, plenitude de um algo que não sei se será, apenas está ali, esperando por mim, por ti...
Despertando no frio do abismo da tua ausência é como rodar pelas horas perdidas no meu quarto, recordando cada lagrima que foi tão nossa.
E não sei se serei capaz de refazer-me, voltar a caminhar, agora só, contando passos para chegar, em algum lugar, em lugar nennhum...
Esta ausência de gelo, pedra e silêncio que corta as horas sem piedade, esta ausência infinita de noites e dias não tem final...
É como tentar tocar o oculto com os dedos carnais, é como deixar morrer o coração diante do que não vê a razão, estando tão perto de sentir, deixar viver, fluir...
O tempo passa tão devagar,é a ânsia
de saber de ti, de te encontrar...
O dia arrasta-se, e como na infância,
a mente cria monstros para assustar
meu coração que sofre nessa ausência,
sem saber de ti ou onde te procurar...
E apesar de toda essa angústia apenas uma coisa sei, sempre estarás viva em mim, sempre fará parte de minhas lembranças, ainda que ande só, terei tua imagem viva em mim.
Eu odeio o facto de teres me tornado uma pessoa fria,
Para todo resto do mundo, menos para ti
Eu gostaria de aos olhos dos outros não parecer vazio
Mas tu roubastes meus sorrisos e guardas-te-os para ti...
Num lugar que desconheço, talvez junto com tantas outras lembranças, enquanto que para mim,tormentos de ilusões, restaram apenas a ausência num vazio de recordações.




Nandinho Silva(PT) e Raquel Luiza da Silva

domingo, 21 de novembro de 2010

Lágrimas.


Se hoje o céu se fechar e uma gota lá do alto cair,
Guardarei-a como doce tesouro,
Para lembrar que o céu também sabe chorar.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mundo de todas as raças.


Sei que há um tempo por vir,
Onde todos seremos irmãos,
Onde os pés pisarão a terra sem feri-la,
E o fim do dia será promessa de um novo amanhecer,
As canções serão reconhecimento de uma alegria incontrolável que povoará os ares, os sorrisos, os corações...
Eu direi que será o dia de tantos, de todos...
Onde mãos serão dadas e todas as raças se tornarão unas,
E onde ficará o ódio que nos separou por milênios?
Ele voltará para casa, para o vazio de onde nunca deveria ter saído um dia,
Tantos erros serão perdoados,
Tanta frustração será reparada, Tantas diferenças serão aplainadas, afim de que sejamos iguais, diferentes apenas em nossas artes,
Eu direi que enfim seremos humanos,
Tocados pela mão do invisível que povoou a terra,
Irmanados ao grande artesão que nos tomou ainda pó e nos moldou sua própria imagem,
Não haverá limites para o amor,
Não haverão limites para quem ama,
E esse dia será único e eterno diante de todos que o antecederam,
Porque será o dia da liberdade,
De tantos homens, de tantas almas,
E os caminhos serão condutores de destinos, apaziguadores de velhas disputas,
Deitaremos fora toda história de derrota, dores e sofrimentos,
O forte não sobrepujará o mais fraco, porque serão iguais em virtudes e caráter,
Seremos enfim livres,
Seremos uma raça, una e diversificada para se completar,
Seremos o alfa e ômega da criação,
Voltando para casa,
Reconquistando o paraíso,
Enfim eu direi que merecemos o título de superioridade diante de todas as outras criaturas,
Racionais...
Sei que há um tempo por vir...
Onde o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos, e um menino os guiará...(Isaías 11,6)
Esse tempo se chamará amanhã,
E só dependerá da forma como abraçamos as nossas verdades,
Há muito o que fazer nesse vasto mundo de errôneos conceitos e preconceitos,
Eu acredito no amanhã...
Para que um dia ele possa surgir pleno e belo diante de olhares sofridos e mãos calejadas que o ajudaram a construir,
E o amanhã começa hoje, agora,dentro de cada um de nós e se espalha para construir o novo mundo, a nova terra, de toda gente, de todas as raças.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Queria ser...


Queria ser legal...
Queria ser amável...
Queria ser descolado...
Queria ser notável...

Gostaria de ser rico...
Gostaria de ser nobre...
Mas sou pobre... E temo um dia...
Ser mendigo... Sem amigo... Apenas catando cobre...

Queria um dia viajar...
Mas não terá terra o lugar...Não mesmo chão..
Gostaria de pensamentos interpretar.
Gostaria de conhecer o coração... A razão do gostar...

Queria entender o pensamento...
A conclusão... O raciocínio...
O sentimento... A confusão...
E como está tudo assim hoje, gostaria de conhecer o principio...
Meio... O que pode hoje, ter e dar sentido...
Gostaria de conhecer o desconhecido...
O buraco que há na vida...
Do que faz sofrer...
O que faz para merecer ser sofrida...

Gostaria de saber com é ser pai...
Gostaria de estar no seu lugar...
Gostaria de agora gritar...
Adoraria se pudesse me mudar...

Receio não querer voltar...
Querem me ver? Anotem o endereço...
Não sei se lhe conheço... Mas se queres mesmo me ver...
Venha me visitar... Daqui não saio...
Aqui vou ficar, até o meu carnaval passar..

No meu mundo, você não entra...
Pois, não pude entrar no seu...
Suas risadas... Seu conforto...
Minhas lágrimas... Sofrimento meu...

Sua ignorância... Sua postura Ingrata...
Gerando dor... Onde um dia tive amor...
Meu jardim de rosas... Não mais há...
Nem moças... Pessoas... Ou prosas...


Se sou para você o que sou hoje...
Devo a você...
Assim como não o entendo...
Não poderás me entender...

Fruto de seus berros de ódio...
E gritos de raiva... Socos de ira...
Hoje sou forte... Fortalecido..
Mas tens sorte... Por você, não há ódio em meu coração sofrido...

Nas lágrimas que descem em meu rosto
e molham o papel...
Seu nome é presente em minha tristeza...
Quero fugir... Mas não tenho nada... Tenho só “Minha pobreza”
Nem lençóis para pular a janela.... E fazer “Tereza”...

Mas tenho outras cordas e vou usá-las...
Meu pensamento... Meu sonho... Minha luta...
Minhas vitorias... Meu prazer... Meu gozo... Minha fé...
Pois entre tanto joio, me ensinastes plantar o trigo da fé..

Obrigado por tudo... Ainda que traga em mente a sua inquietude..
De um bruto... Homem rude...
Nem parece que um dia fostes bondoso...
E assim não sei como posso aquentar mais um dia doloroso.

Mas com tudo, ainda temo...
Em um dia lhe ver de longe...
Onde não faz contato o telefone...
Nada pode ser tão fantástico a ponto de atravessar o outro lado...
A morte...

Mas ainda sim...
Gostaria de pássaros ouvir.
Queria ser entre muitas outras coisas...
Ser acima de tudo... Ser uma pessoa feliz...



Carlos Vinicius Silva.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ser humano, Ser poeta.


Todo ser humano nasce poeta,
Porque a vida em si é uma poesia completa,
Alguns aperfeiçoam o dom no decorrer do tempo,
Outros o deixam ir com o vento...
Todo ser humano é poeta
Apenas deixa adormecer em si a arte que o cerca,
E quando abre os olhos para a vida...
Descobre que tudo em si é poesia.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tal como o sol...


Sinto o sol a queimar-me a pele,
A brisa ligeira vez ou outra se arrisca a brincar entre meus cabelos,
Sou apenas mais um ser carente de respostas que vela pelo desconhecido que se perpetua,
Me perguntando o que farei ao amanhecer, ou ao anoitecer,ou ainda nas próximas horas que se seguirão...
Seria muito simples que cada hora viesse com um manual de saber viver,
Trazendo em suas páginas ensinamentos para que tudo seja certo ou perfeito,
Seria muito simples, porém cansativo e ingênuo,
Não sei porque as vezes desejo um tempo só para mim,
Um tempo longe de todos os porquês e poréns que me perseguem desde meu nascimento,
Apenas para sentir que sou a criatura mais completa de uma criação ainda por se acabar,
Trazendo no corpo as marcas de tantos sois que me queimaram a pele,
De tantas vidas que não sei se existiram ou se irão existir,
Abrindo os olhos para um mundo fantástico de fantasias reais,
Abraçando o que não vejo, mas que meus sentidos tocam com sabedoria,
às vezes necessito apenas de mim para entender o que em meio a uma multidão me seria oculto,desconhecido...
Porque eu me conheço!
Eu me sinto!
Eu me preciso!
Tanto quanto qualquer poeta necessita de inspiração para sua obra,
Ainda que seja belo amar o próximo...
Não seria amor se não nascesse em mim, de mim e partisse...
Só posso sentir que o sol me queima a pele se permitir que seu calor me toque,
Então poderei sentir seu abrasar, como uma permissão de meus sentidos,
A beleza da vida está em inebriar-me de amor e deixar que ele parta,
Que toque os que se acercam de mim,
Se o prender, será como a brisa a brincar entre meus cabelos,
Um toque suave que não deixará marcas e não abrasará como o sol.
Por isso as vezes desejo um tempo só para mim,
Apenas para descobrir o que muitos já sabem,
Mas mais do que isso,
Descobrir o que poucos colocam em prática,
Amar a si é deixar que o amor parta,
Porque apenas as marcas de sua passagem é o que deve permanecer, tal como o calor do sol.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Início e fim.


O fim só começa quando termina o início,
As coisas só tomam formas e cores quando manipuladas de maneira sutil,
Uma lágrima pode expressar as maravilhas interiores ou suas dores,
O caminho de cada ser humano é traçado por si,
Vivente nessa terra de sentimentos áridos e de campos virginais,
Abraçando as virtudes, roupas da alma de nós, simples mortais,
E é no reverso dessa história que se chama vida,
Que deixamos nossa fiel caligrafia,
De escritores natos,
Aprendizes de auto-retratos,
E é assim que caminhamos,
Escrevendo, apagando...
Mas jamais sem deixar marcas,
Riscos, frases inacabadas,
Nesse grande livro que para uns começa, para outros se acaba.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 6 de novembro de 2010

...


Não tenho medo do futuro, apenas me assusta a enxurrada de coisas que ele traz, mas o que mais temo é o que o passado carrega consigo quando passa pelo presente vestido de nunca mais.


Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Simplesmente palavras.


Deixei que as palavras partissem,
Tão revestidas de uma melancolia gélida,
Que aos olhos do mais fiel cristão seria um pecado real,
Um pouco do extinto paraíso em sua decadência verbal,
Uns disseram que eram frias,
Outros sentimentais,
Ainda alguns outros que eram apenas palavras,
Partidas,
Sentidas,
Feridas,
Vazias...
E a amplidão de opinião a cerca de mim,
A cerca das palavras,
Pareciam rostos de feições abstratas,
E elas partiram,
Voaram,
Gritaram,
Se rebelaram...
E não encontraram fronteiras,
Deixando rastros na mente,
Na sombra do alegre ou do descontente,
E nunca mais as vi, desde que partiram de mim,
Tão rebeldes,
Tão gritantes,
Cheias de vazios sentimentos,
Cantando a canção incômoda do que não se pode decifrar,
Se embrenhando num banho de universo,
Num banho de mar,
E então nunca mais consegui dominá-las,
Arredias,
Gritantes,
Caladas...
Na docilidade de uma transformação inexplicável,
No controverso mundo que nasce em mim e não se cala,
São olhos atentos,
Ouvidos apurados,
O toque suave,
A dor que revela,
O coração que pulsa,
O sabor que a vida degusta,
Cada minuto de horas veladas...
As vozes que saem de mim são simplesmente palavras.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

...


Há momentos em que a alma se curva diante da imensidão que é o universo, apenas para apreciar o que não lhe é propício entender.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Qualquer lugar serve.


Hoje não sei para onde vou,
De acordo com o poeta qualquer lugar serve,
E não sei o que levar em minha bagagem,
Roupas, histórias, bilhete de viagem...
Para onde vai o sol quando a terra dorme?
Talvez seja um bom destino,
Seguindo a passos lentos,
Tão lentos quanto minha evolução,
Embalando sonhos num pequeno coração,
A intensidade de minha caminhada é algo que desconheço,
Talvez intensa seja a vontade de chegar,
Num dito ou tal lugar,
E não creio que me valha um mapa,
Num momento de viagem, de condução abstrata,
Um vento artificial, imaginado, a tocar meus cabelos em meio ao nada,
E a imagem de vários lugares a passarem por meus olhos fechados,
Qualquer lugar serve...
Ainda que eu não acredite nisso,
Eu insisto em viajar,
Partindo de mim para um inventado lugar.


Raquel Luiza da Silva.