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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Se...


Se saudade fosse remédio ninguém morreria de tédio,
Se solidão fosse solução, deixaria de ser consequência para ser decisão,
Se perder fosse só uma questão, ninguém optaria por tal condição,
Se esquecer fosse verdade, tudo se perderia na realidade,
Se todas as escolhas fossem certas,o erro seria uma nova descoberta,
Se a mentira aliviasse a alma, não haveriam tantos traumas,
Se a vida não tivesse tanto "se" a gente viveria mais ao invés de apenas tentar descobrir.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Meu coração...


Por vezes já me perguntei de que é feito meu coração,
Será mesmo um músculo oco que não pode conter falhas?
Ou será uma caixa de sentimentos que se verte em palavras?
E em minha ignorância humana vou seguindo assim,
Tendo um músculo oco de palavras sem fim,
Vertente de tantos sons mudos,
Tic Tac aos ouvidos surdos,
E que pode falar a tantos outros corações,
Sentimentos, ou simplesmente palavras ao vento,
Talvez seu ritmo apressado em mim espelha,
Feito de coisas boas e coisas velhas,
Que aquece ou regela,
Feito de tantas linhas,
Que chego a pensar que meu coração é feito de papel, repleto de poesias.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mutável.


Não sou feita de aço,
Existem lampejos de força em meio ao fracasso,
Fagulhas que se expandem, transformando, mutando...
Tenho partes sólidas e um rio de sentimentos esquecidos,
Tão meus, tão vazios,
E a imensidão de tudo que almejo é tão invisível que não cabe em minha cabeça,
E sou forjada na beleza de cada amanhecer,
Tornando-me amante da ultima luz do alvorecer,
Então descubro que não sou feita de aço,
Divido-me em tantas formas, em mil pedaços,
Isolando-me na imensidão de um vida que se abre a tantas saídas,
E o tudo que almejo adormece em segredo,
Na grandeza de um ser que por vezes veementemente nega tanto a razão,
Apenas para abraçar o mundo com os invisíveis braços do coração.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 27 de junho de 2010

Que tempo é hoje?


Me disseram que tempo é hoje,
Tempo de coisas mortas,
De sonhos esquecidos atrás da porta,
Do calor compartilhado e não retido,
De palavras não ditas ou simplesmente esquecidas,
De abraçar para despedir e não para retribuir,
E que tempo é hoje?
De coisas mortas enquanto tudo vive,
De ver a vida em seu eminente declive,
E tudo isso depende apenas de um olhar,
De como enxergamos tudo o que há,
Hoje pode ser tempo de realização,
Abraços com o intuito de doação,
Dizer que ama sem aparente razão,
E que tempo é hoje?
Diga-me tu que fazes parte desse tempo,
Se ele será de paz ou apenas de tormentos.

Raquel Luiza da Silva

sábado, 26 de junho de 2010

Seguir sozinhos.


Hoje senti sua falta,
Tomou o café comigo,
Leu o jornal ao meu lado,
Mergulhado em pleno silêncio foi-se para o trabalho,
Ouvi o som do chuveiro á tardinha,
Não o vi chegar porque nada disse,
Saiu envolto na toalha e nem me viu,
Parecia que minha presença ali nunca existiu,
Se trocou, se perfumou...
Esperei que dissesse algo sobre meu corte novo,
Sobre os brincos que a muito não usava,
Ou a cor do vestido que você tanto gostava,
Mas nada disso aconteceu,
Jantamos em meio a uma nuvem de silêncio,
Dirigia em sua direção meu olhar, mas não encontrava o seu,
O som irritante do garfo era único a tocar a superfície do prato,
Dispensou a sobremesa,
Levantou-se e foi para o quarto,
Voltou logo em seguida,
Parecia decidido a dizer algo, mas como não o sabia,
Eu aguardei,
Olhei-o ternamente nos olhos,
Nos quais já não me via fazia tempo,
Aqueles poucos minutos pareciam um eterno tormento,
_Eu já sei...
Espantado sei que o deixei,
Abracei-o demoradamente,
Me doía por dentro,
Eram tantos anos que não notamos e foram se perdendo com o tempo,
Apanhei minha mala ao lado da porta,
Atitude de quem sai de uma batalha ferida, mas honrada,
Parei alguns instantes a olhar para o antigo ninho,
Era doloroso abrir a porta,
Sentir que aquilo não teria mais volta,
Cruzei a soleira,
Os pés pesavam tal como o coração em descompasso,
E eu alcei vôo,
Não tendo medo de seguir,
Pois a partir daquele momento seria uma vida só minha,
E a lembrança de tais sentimentos, nunca ruirão com o tempo,
Porque entre os escombros nunca se perderão duas vidas que decidiram seguir sozinhas.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Todo dia.


Todo dia sai gente de casa,
Todo dia o povo rala,
Todo dia tem conta,
Todo dia tem-se que segurar as pontas,
Todo dia tem feijão com arroz,
Todo dia a gente sonha com o que não foi,
Todo dia se reclama do salário,
Todo dia somos deixados de lado,
Todo dia alguém morre,
Todo dia vai-se um pobre,
Todo dia tem jornal,
Todo dia falam do que é mal,
Todo dia, tem todo dia,
Todo dia tem trabalhador,
Todo dia alguém chega a uma conclusão,
Trabalhador só merece um olhar humanitário,
Quando deixa de ser trabalhador e se torna presidiário.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Estrelas.


Quero hoje um olhar sereno,
Deitar-me numa rede em algum terreno,
Só quero o céu de estrelas distantes,
Vislumbrar a noite como dantes,
Não quero livros,
Não quero vozes,
Quanto menos abismos,
Quero apenas o céu de estrelas distantes,
Luzes solitárias,
Intocáveis diamantes,
E daqui, dessa distância terrena,
Sentir-me longe naquele espaço,
Como desbravador do acaso,
E se ainda não estiver satisfeito e sentir o ar rarefeito,
Vou fechar os olhos e rir de meus defeitos,
Quero hoje o pouco que se nota,
As luzes de um céu que ninguém toca,
E a amplidão está em meu espaço,
Feito por mim sem compasso,
Deitado numa rede a ver o céu iluminado,
Como se fosse um curioso menino a olhar para o imaginário.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Marcas do tempo.



Voou para longe carregando tanta coisa,
Tanta gente...
Tantas lembranças...
Tantos sonhos...
Tantas esperanças...
E eu não o vi passar, de tão preocupada que estava em o esperar,
E vivi assim, esperando que ele viesse,
Vestido em suas roupas de velho,
Ou nos trapos das coisas que carrego,
Talvez tivesse um ar severo,
Ou marcas em si de tão eterno,
E eu queria ver o tempo...
Dizer-lhe que fosse rápido ou devagar de acordo com que me vinha de dentro,
E ele não veio como eu esperava,
Apontando ao longe na estrada,
Mas me olhei no espelho e descobri,
O tempo esteve aqui,
Quando percebi suas marcas em mim.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nada mais certo.


Não quero saber o que vem depois,
Hoje é mais uma etapa vencida que se foi,
A sorte é apenas uma cúmplice,
Pode ser que apareça e me ajude,
Se não, vou em paz então,
Viver é isso,
Aceitar quedas, driblar riscos,
E se quiser saber o que vem depois de hoje...
Espere o amanhã, nada o será mais certo,
Que um dia depois do outro.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Seguir


Vou seguir,
Só por hoje vou esquecer todos os problemas,
Só por hoje não vou escolher para onde ir,
Seguirei o vento,
Será ele meu guia, meu alento,
Comerei com o mendigo,
Levarei esmolas comigo,
Deixarei meu casaco para quem sentir frio,
Deitarei-me na calçada,
Chorarei com tantas mães enlutadas,
Reconstruirei-me em plena noite,
Serão as lembranças suaves açoites,
Na luz serei luz,
Nas trevas, continuarei sendo luz,
Iluminando quem me segue ou conduz,
Só por hoje deixarei minha mente em paz,
Não perguntarei onde minha ilusão vai,
Vou andar...
Se por acaso não voltar não espere por mim,
Apenas decidi que devo seguir.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 20 de junho de 2010

É só uma questão.


Se quiser me encontrar me procure onde não estou,
É assim que quero, é assim que sou,
Mesclando sonhos e sentimentos,
Acontecendo ao meu contento,
Na fragilidade dessa veste humana,
Vivendo o que o script manda,
Sou a bela, sou a fera,
Vivo num mundo de tantas Eras,
Abrindo e fechando portas,
Procurando ou ocultando respostas,
Dançando com a vida,
Tendo visões turvas e por vezes coloridas,
Seguindo sempre na direção do horizonte,
Esquecendo as ações do ontem,
Sendo o que ninguém escolheu ser,
Abraçando a sorte para viver,
Olhando de minha janela o futuro que me espera,
E a distância entre eu e o futuro...
É só uma questão de visão, estando bem longe ou me espreitando detrás do muro.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 19 de junho de 2010

Deixar-me-ei perdida


Não sei...
Não me encontrei...
Procurei...
Em cada canto...
Em cada recanto...
Perdida por ai...
Sem saber de mim...
Dividida em várias partes...
Ora sem virtudes, ora mártir...
Vasculhando tantos sonhos...
Revirando velhos escombros...
Procurando...
Vasculhando...
São tantos pedaços...
Alguns perdidos pelo espaço...
Formando esse ser de magia...
Repleto as vezes de pura nostalgia...
Forjando a força num fogo imaginário...
Moldando a figura em seu cenário...
E se um dia conseguir me encontrar...
Serei enfim escrava dessa razão, beirando a perfeição...
Então deixarei partes perdidas...
Para não ser a perfeição em meio a minha imperfeita filosofia.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Eternidade.


A voz se cala diante da morte,
As palavras sobrevivem em face da sorte,
Morrem os dias,
Morrem as noites,
Morre a chama da vela,
Mas nunca morrerá um poeta,
Os anos serão um pertence em meio ao seu amadurecimento,
A enfermidade uma prova de que ainda é humano e não seguirá eternamente,
O corpo voltará ao pó,mas as palavras seguirão por si só,
E esse tempo que a tudo consome, não conseguirá apagar histórias, o nome,
E no silêncio da cova fria adormecerá um corpo,
E no silêncio de páginas veladas, se eternizarão almas.

Raquel Luiza da Silva.

Adormece José Saramago ( 18/6/2010)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nua.



Não tenho noção de que dia é hoje,
Não tenho agendas, calendários, nem relicários,
Preferi esquecer,deixar de entender,
Se hoje é um dia especial, me cheira como um normal,
Tantas coisas resolvi deixar ao acaso,
Calculadoras, dinheiro, dicionários...
Vou andar vestida com minha pele,
Negra, reluzente, aos olhos da estarrecida gente,
Nos pés apenas a liberdade de ir e vir,
Tantas coisas eu quis que fossem assim,
Abrir e fechar portas e janelas, sem sequer passar por elas,
Observar esse mundo do alto de algum lugar,
Como se estivesse cá,
E andar assim, sem ter caminho certo para seguir,
Vestida com essa pele de tantos sois,
Na imensidão de tantos lençóis,
Cobrindo a nudez da alma insólita,
Na intensidade de uma vida que desabrocha.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Evolução.


Já conheci pessoas que valeram a pena,
Já conheci pessoas que não passaram de cena,
Já tive medo de um beijo,
Já reprimi desejos,
Já me encantei com um sorriso,
Já me enganei com o que não era preciso,
Já corri riscos por nada,
Já preferi por vezes ficar calada,
Já me lancei de corpo e alma,
Já tive ações ensaiadas,
Já caminhei no escuro,
Já dei de cara contra o muro,
Já brinquei de ser feliz,
Já fiz coisas que ninguém quis,
Já abracei um segredo,
Já escondi meus medos,
Já menti para fazer alguém sorrir,
Já fiz o impossível para algo conseguir,
Já perdi a fé nas pessoas,
Já tive esperança quando eu podia ser uma pessoa boa,
Já atravessei o mundo em meus pensamentos,
Já conquistei o impossível nos braços do tempo,
E eu poderia para por aqui e ver o mundo rodar por si,
Mas prefiro continuar a insistir,
Sou caminhante nessa grande esfera,
Vivendo cada minuto,
Lutando por cada segundo,
De minha evolução que o tempo não espera,
Nesse grande caminho chamado terra.

Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sem palavras.


Sem palavras numa noite sem lua,
Sem palavras enquanto gatos perambulam pelas ruas,
Sem palavras para falar,
Sem palavras para poetizar.


Raquel luiza da Silva.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Asas.


Eu tenho asas,
Membros invisíveis, pela mente camuflados,
Vestimenta da alma alada,
Que viaja por ai,
Vagando em momentos sem fim,
Na transparência concreta da vida que desperta,
Um pouco de sonhos,
Um pouco de assombros,
Trazendo o mundo sobre os ombros,
E as cores são estas,
Roupa velha em dia de festa,
Carta sobre a mesa,
Roupas nobres para a plebe diante da realeza,
E minha viagem não sei quando se acaba,
Abrindo minhas asas,
Reflexos de desejos, de um sol sem medo,
A visão é essa,
Anjo, humano de asas, visto pelas arestas,
Cortando o espaço,
Vencendo o cansaço,
Descobrindo minha real identidade,
Na ânsia de conter a tempestade,
Asas molhadas,
Um anjo que não é santo,
Carregando as marcas de tantos pecados,
Sendo o certo e o errado,
Minhas asas...
Perdidas na imensidão de uma mente que o imaginário abraça,
De anjos, de nada.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 13 de junho de 2010

Nós temos um sonho.


Um dia todas as raças serão irmãs,
O silêncio dos bons será quebrado,
O grito dos violentos será calado,
Porque não existirão divisões entre raças ou entre nações,
Seremos um só povo, seremos irmãos,
Brancos e negros cantarão juntos a liberdade,
Tantas marcas serão apagadas,
A chama da vida será viva na igualdade,
As lágrimas serão de alegria,
Não haverão separações, apenas noite e dia,
As visões perturbadoras e separatistas,preconceituosas e racistas,
Nada mais existirá,porque como gente, aprenderemos a amar,
Como num sonho quebraremos as grades de nossas portas e janelas,
Não haverão mais cadeias, não haverão mais celas,
O menino de rua será estudante,
A meretriz moça com orgulho em seu semblante,
Não existirão heróis de guerra,
Porque não serão necessários em algo que não existirá,
As crianças brincarão livres,
Não teremos medo,
Teremos um incrível e novo enredo,
De fato estaremos num mundo que não nos será estranho,
Porque você e eu temos um sonho.

I Have Dream

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 12 de junho de 2010

Amor


Amor nem sempre nasce a primeira vista,
Poderá morrer a primeira lágrima e será apenas mais uma conquista,
Amor nem sempre nasce de um sorriso,
Poderá se perder quando tudo for improviso,
Amor nem sempre se espelha nos dias belos de primavera,
Poderá não suportar o frio do inverno,
Amor nem sempre cresce quando tudo for perfeito,
Poderá se desiludir quando surgirem os defeitos,
Amor nem sempre é eterno,
Poderá se perder, ou alguém simplesmente não o levar a serio,
Amor nem sempre será sem problemas,
Poderá ter o aprendizado constante como lema,
Amor nem sempre significa estar junto,
Poderá quando real tocar as pontas do mundo,
Amor é assim...
Cheio de facetas,
Aprendizado...
Construção...
Aproximação...
Porque não existe amor sem porque, sem razão,
Será sempre complicado explicar o que é o amor,
Porque está acima da humana compreensão,
Algo, apenas explicável na simplicidade de quem deixa-se render ao coração.

Raquel Luiza da Silva.


Ao Mike, meu anjo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Apenas


Tanto tempo eu estive aqui,
Viajando por entre os moinhos de vento,
Desfazendo dogmas,
Fazendo minha história,
Passeando pelo reverso da vida,
Abrindo e fechando feridas,
Deixando o hoje correr para o amanhã viver,
Percorrendo a pé, os caminhos em mim,
Estradas, vazias de horas sem fim,
Desenhando um tudo,
Nas linhas perfeitas do mundo,
Caminhando a passos lentos,
Dançando com o vento,
Sendo livre apenas para sentir, os caminhos que o tempo traça em mim.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Não existem eternos defeitos.


Minha vida tem concerto,
Mecânica certa de cabeça feita,
Abrindo e fechando portas corretas,
Acreditando que as peças se encaixam,
Para isso foram feitas,
Com precisão e perfeitas,
Minha vida tem jeito,
Basta fazer os arremates direito,
Uma coisa aprendi,
Não existe vida com eternos defeitos.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mais um dia comum.


Hoje foi um dia comum,
Vi querubins a perambularem pelas ruas,
Era tão comum a visão de suas asas,
Era tão comum a visão de suas faces,
Eles não me olharam,
Eu lhes era comum,
Não tinha asas,
Não tinha face,
Eu não era um querubim,
Mas eles eram,
Eles continuavam seu trajeto,
Eu continuava o meu,
Eles eram querubins,
Não eu,
O dia é comum na cidade,
Para querubins e não querubins,
Só se distingue um do outro, pelas ações em comum,
Porque dividem a existência imaginária desse céu sem fim.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Quanto mais triste, mais bonito soa.


A melancolia por vezes é um dom de almas incompreendidas,
Deixo a minha livre quando me torno poetisa,
Poderia eu pintar o meu mundo de variadas cores,
Mas prefiro falar do que a muitos causa temores,
É como pintar um quadro no escuro,
De algum modo eu o vejo, mas não o julgo,
Deixar fluir o que o coração sente,
É uma forma de me desprender do corpo presente,
Mas dessa tristeza só extraio o que é belo,
Transformando em palavras o que é mistério,
Porém a alegria é também um dom quase perfeito,
Que eu expresso a todos que me cercam sem cercear da tristeza seu direito.

Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Falar de mim.


Tenho ainda um pouco de tempo para falar de mim,
Olhar as fotos sobre a estante e lembrar de momentos, de instantes,
Respirar o ar que ainda é puro por aqui,
Apreciar pequenos detalhes que em minha distração não percebi,
Um pássaro canta, trazendo lembranças,
Tanta coisa que perdi quando deixei de sentir,
Sentir a essência da vida que floresce em mim,
Tão simples e indelével,
Imperceptível ao meu ser insensível,
E aos poucos trago a tona,
Os traços a muito apagados,
De um ser que deixou de tudo sentir,
Quando desaprendeu a arte de sorrir.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 6 de junho de 2010

Mistérios.


Eu por acaso não sei quem sou,
Perdida em devaneios profundos,
Na razão inconsequente de um ideal mundo,
Tecendo teias invisíveis de histórias,
Olhando pela vidraça o sol quando tudo se vai embora,
Abraçando o tempo,
Sem medo,
Sem anseios,
Cantando a mesma canção que meus antepassados cantaram,
Na visão de um futuro imaginário,
E amando o que jamais foi tocado,
Na imensidão de um eu,
Que existe em tantas vidas,
Envolvendo-me no oculto que me fascina,
E minha identidade ainda é um mistério,
E será de quem descobrir um mérito,
Visto que sou uma incógnita prescrita,
Que apenas diante do Criador se torna límpida,
Já que ninguém mais conhece a criação,
A não ser quem a ela deu uma alma e um coração,
E fez dela seu fiel esboço,
Que tomou vida após de seus lábios um sopro,
E talvez um dia saberei quem sou,
Por enquanto isso não me causa espanto,
Diante do amanhã que me é oculto,cego e mudo,
Sem muito me questionar,
Prefiro tocar apenas o que minhas mãos podem alcançar.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 5 de junho de 2010

Hora certa


De tantas vidas que tive, lembro-me apenas de uma,
Essa que passa sem preocupação alguma,
Olho o tempo que se vai, pedindo que não mais volte,
Porque quem não sente um pouco de saudade é porque não teve sorte,
E se eu morrer hoje,
Viajar nos braços da morte,
Deixarei a vida com um imenso sorriso,
O mesmo que sempre trago comigo,
Porque a vida é sempre uma grande festa,
E quando se acaba é apenas de voltar casa a hora certa.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Suicida.


O mar está bravio,
Vejo intrépidas ondas se chocarem contra a praia,
Não sei de onde vêm,
Não sei para onde partirão,
Sobejam a areia morna,
Lambem os vestígios humanos que outrora ali estavam,
Ofereço as ondas cacos de sentimentos,
Elas não podem levar consigo o que povoa em mim,
Respiro o ar salgado que elas me oferecem,
Uma espécie de oferenda á figura humana a sua frente,
E eu insisto que levem consigo os velhos cacos,
Mas elas não me ouvem,quebrando na praia com estrondo,
E a noite vem caindo calma...
E o negro véu se estende sobre a nua terra,
E o mar parece ainda mais imenso e bravio a minha frente,
Abro os braços,
Deixo me levar,
Descobrindo que as ondas não me podem, mas eu posso abraçar o mar.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Palavras que falam.


Que me calem a voz,
Mas não me ceguem as palavras,
A visão que refletem elas me vem da alma,
São ditas pelos sentimentos meus,
Na alvura do entendimento ou da ignorância o breu,
Cobertas de razão, ou impregnadas de paixão,
Falando da vida e da morte,
Espalhadas por ai a toda sorte,
Perdidas ou encontradas,
São pérolas ou simplesmente palavras.
Nascendo e morrendo,
Voam a meu contento,
Ou talvez sejam livres,
Na imaginação em que vivem,
Que me calem a voz,
Mas não me ceguem as palavras,
Pois em face do silêncio elas por mim falam.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tal como Narciso.


Outrora me perdia em risos de primavera,
Namorando a juventude do alto de minha janela,
E me era tão doce tal amor e tal zelo,
Pela figura sóbria que se refletia no espelho,
Com belos olhos castanhos,
Lábios de cereja e pele de jambo,
Na essência desperta da tenra idade,
Olhando a vida com laivos de liberdade,
E me curvava como Narciso,
Namorando a beleza de si, beirando ao incrível,
Coberta de vaidade, por olhos que me seguiam pela cidade,
Só não me dei conta que tudo passava,
Até mesmo a doce juventude que eu tanto amava,
Desposara o tempo para meu tormento,
E a figura sóbria no espelho...
Deu lugar ao rosto sombrio e cansado que não sei de onde veio,
E foi ai que me dei conta que debruçada em minha fonte de vaidade,
Não acreditava que a rapidez do passar do tempo era em nós mais uma verdade.

Raquel Luiza da Silva