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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tesouros.

Não trago ouro,
Não tenho prata,
Trago apenas um punhado de palavras,
Palavras soltas,
Palavras mudas,
Palavras cegas,
Palavras surdas...
Se sou pobre?
Oh não!
Tenho a liberdade que o ouro ceifa,
Que a prata sufoca,
Mas trago um punhado de palavras,
Por serem tão soltas transformam-me em livre monarca.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aquarela.



A vida não é só cor-de-rosa,
O que me encanta é a paleta de cores com que pinta cada dia,
Por vezes não gosto de algumas matizes,
Mas são necessárias para um quadro perfeito,
Se fosse apenas cor-de-rosa a vida,
Seria um quadro de pintor sem inspiração,
O belo é isso,mistura de cores sem quê nem pra quê,
Uma obra sem fim,
Eternamente inacabada,
Apenas as cores certas, nos lugares certos,
Isso é a vida,
Um grande quadro cor...
Colorido!

Raquel Luiza da Silva

domingo, 24 de junho de 2012

Silenciosa companhia.




Ainda tenho algumas respostas...
...Enquanto maioria das pessoas possuem algumas perguntas,
Não sei se vai chover hoje,
Mas amanhã sei que fará sol,
Tenho algumas moedas nos bolsos, pela casa...
Não tenho dinheiro algum que me possa comprar sonhos,
Vi pela janela cortejos fúnebres passarem,
Ouvi no apartamento ao lado o bebê a chorar, talvez quisesse apenas um pouco de leite...
Enquanto uma sombra esgueirava-se e roubava meus pertences, matéria...
Acenei para as pessoas que olhavam-me por entre as cortinas,
Toquei uma canção que não me sai da cabeça,
Um pouco de vinho me fará bem,trará um pouco de alegria á alma...
Quiseram libertar-me a alma, deram-me panfletos dizendo que Deus residia em algum lugar,
Não sei, tenho medo de não encontrar um Deus que tem morada fixa,
Ontem senti vontade de dançar, não sei dançar...
O anel que usava escorregou-me do dedo, não sei onde está...
Fiz algumas alianças, desfiz algumas alianças...
Do jornal recortei algumas palavras, não tinha mais nada ali de valor...
Deixei a mesa posta, jantarei sozinha novamente...
Sozinha não!
Apenas a solidão e eu.
Apenas nós.
Apenas sozinha,acompanhada pela solidão.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Jogo da vida.




Tem coisas das quais não sinto falta,
Pessoas que nem lembro que passaram pela minha vida,
Momentos há muito esquecidos,
Migalhas de sentimentos deixados ao longo do caminho, perdidas no tempo,
Há um pouco paz quando se tem esquecimento,
Há um pouco de lucidez quando se deixa estar,
Há prioridades maiores que lembranças insignificantes...
Que pessoas pequenas,que não deixaram marcas...
O que se perde nem sempre é ruim,
O que se ganha, nem sempre é bom.
A vida é um jogo, mas quem muda as peças de lugar sou eu.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tardia.





A felicidade é tão doce memória...
Dela apenas nos lembramos quando vai-se embora...
E quando voltará tal primor da vida?
Ora, se não soubestes aproveitar o tempo passado em tão doce companhia, espere pela próxima...
Felicidade tardia.

Raquel Luiza da Silva.

...

Por vezes gosto desse mundo cercado de ilusões,
Por vezes gosto de plantar flores invisíveis no imaginário que me abraça,
Por vezes gosto de pisar com os pés descalços na grama molhada,
Por vezes gosto de lançar sementes ao longo de meu caminho.
E se me perguntrem... Quem sou?
Direi eu apenas: Jardineira de ilusões em um jardim de sonhos.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Paraíso.

.


Hoje acordei a tempo de ver o sol nascer,um espetáculo fantástico!
No meu jardim o canto dos pássaros a saudarem o novo dia era a melhor sinfonia que eu podia ouvir.
O orvalho molhava as flores abertas enquanto novos tenros botões apontava por entre as folhas verdes e molhadas...
E pude respirar o ar fresco e sentir o calor do astro rei a tocar-me a pele.
Tudo aquilo era magnifico! Então ergui os olhos aos céus e agradeci á Deus pelo privilégio de conhecer o paraíso sem precisar morrer.
Existem pessoas que cegas pelas religiões, deixam de ver a beleza que lhes cerca á cada passo, e vivem presas na esperança de conhecerem um jardim prometido ao morrer, talvez se decepcionem com o que verão, pois toda beleza que lhes é dada em vida passa despercebida diante dos olhos e são incapazes de notá-la á cada amanhecer...



Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Palco da vida.




A voz calou-se no ultimo ato...
Quando as cortinas enfim baixaram,
Senti-me tão só diante daquele mundo,
Diante dos aplausos,
Diante do silêncio que em mim dormitava,
Eu estava ali,
Atrás das cortinas...
Outrora encenava uma peça,
Como alguém que vive...
...Pelas ruas...
...Pelos caminhos...
...Pelo tempo...
...Pelo vento...
...Pelo nada...
Tão sóbrio na embriagues insana da procura de respostas...
Vontade e ansiedade impregnadas nas veias,
Existência oculta.
Tentando escalar tantos montes invisíveis diante de meus olhos, na busca de alguma resposta...
Para tantas perguntas.
eu estava ali...
Atrás das cortinas...
Aguardando o próximo ato.
Os próximos aplausos,
Enquanto a vida...
A vida seguia seu rumo,
Tão linda e bela,
Plena e singela.
Como no primeiro dia que ecoei meu primeiro choro.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Saudade.



Vai se embora feito sombras,
Tocadas pelos ventos de um velho moinho,
A saudade que outrora encrustada nas paredes da mente perturbava-me,
Vai esvoaçante em seu negror solitário,
Libertando-me a alma sôfrega, cansada,
Deixando morrer tantos anos de prisão voluntária,
No silêncio que a tudo regela,
Deixo partir a saudade que outrora me aprisionava o peito,
Tal qual pássaro em gaiola de prata.

Voe para longe!
Voe para onde não possa mais vê-la!
Saudade de tempos,
Saudade vai-se...

Levando tudo...
Deixando-me a paz.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Casinha ao pé da serra.



Quero uma casinha naquele recanto, onde o vento faz curva,
Ao pé da serra, apenas um pedacinho de terra,
Quero a liberdade das aves a fazerem barulho no pomar,
Um pouco de sossego ao final do dia, nada mais que paz,
Quero uma casinha naquele recanto,
Santo, canto...
Ouvir o som da chuva no telhado e o cheiro de terra molhada,
Apenas quero uma vidinha, minha, sossegada,
Onde o vento faz curva,
Onde me curvo diante da sagrada beleza infinita,
De vida, de vidas...
Lá ao pé da serra...
Final de mundo,
Início da terra,
Apenas uma casinha,
Sozinha,
Minha,
Ah... Como quero...



Raquel Luiza da Silva.