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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ressurreição.



Onde estou agora?
Perdida entre mundos,
Entre o que foi-se com correr do tempo,
Entre o que ficou com o tardar das horas.
Encontrando-me em velhas gotas de tinta,
Perdendo-me nessas páginas de vida sucinta, ao romper da mortuária luz da aurora.
E a fragilidade dessa alma sôfrega,
Que perambula por entre amores invisíveis,
Rouba o brilho e a virtude de suas coirmãs sensíveis,
E das bocas vermelhas,
E de seus pecados,
Doces deslizes.
Onde estou agora?
Perdida entre mundos,
Entre a venialidade e a insensatez,
Despida em algum Éden,
sem a moralidade da primeira vez.
Diga-me tu onde estou agora...
Talvez como tantos não possa,
Ver-me por entre mundos,
Ressurreta nestas gotas de tinta,
Refletida na mortuária luz da aurora.


Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


 
A mulher terminou de ler o poema e chorou, achou-o tão parecido com sua triste realidade solitária. O homem por sua vez achou bobagem, coisa de filósofos lunáticos. A amiga da mulher gostou das palavras, de alguma forma tinham um quê de verdade, de sentido. O amigo do homem nada entendeu. A amiga da amiga da mulher copiou e enviou-o a alguém. O amigo do amigo do homem achou belas as palavras, mas eram apenas palavras e palavras não mudavam o mundo... Mais alguém achou de uma monotonia sem igual, e o outro comentou que poderiam com aquilo fazer uma revolução interior...
Eu li novamente e continuei a ver o céu estrelado, a brisa tocante naquelas páginas mudas, o beijo que não aconteceu, o adeus da partida misturando-se com a euforia da chegada, e lá pelas ultimas palavras, morrendo naquele ponto final, a imaginação que começava, eu podia ler novamente e ver as mesmas coisas, porque as palavras nunca mudam, o que muda é a interpretação refletida nos sentimentos, que não mudam com palavras.

Raquel Luiza da Silva.