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terça-feira, 31 de julho de 2012

Felicidade disfarçada.





A saudade é um tipo de felicidade,
Felicidade que se disfarça de vontade,
Vontade de querer mais e mais...


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Olá saudade...


Olá saudade, porque não partes logo e deixa-me em paz?
Eu sei...
Se fores, sentirei saudade de sentir saudade...
Serei um vazio profundo,
Um poço seco, sem final.
Uma alma vaga a vagar...
Um indigente no sinal.
Olá saudade, porque não ficas e doa menos?
Eu sei...
Talvez nunca aprendesse o significado da lágrima,
O frio do adeus,
O sentido de sábias palavras,
O tempo que corre, que maltrata.
Olá saudade, por favor fique e faça-me companhia,
Doce controvérsia vontade,
Desejo de sentir...


De sentir-te, saudade.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Simples assim.





Um dia você descobre que não aprendeu nada com suas experiências,
Que o tempo que levou atrás de respostas fora perdido,
Que a bagagem que trouxe nas costas tornou-se um peso morto,
E que todos os caminhos te levariam a algum lugar,
Então você para,
Enxuga o suor do rosto,
Sacode a poeira da roupa,
Despe-se de todas suas conclusões e convicções...
E começa a viver.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pois é José...

Não tenho dinheiro...As contas já chegaram, água, luz, telefone, colégio...
Vi na TV que o governo vai fazer melhorias...
Hoje fui assaltado, levaram o mínimo que podiam levar, meu salário.
Peguei o ônibus cheio, reclamações, um bebê chorava, devia ter fome, uma senhora falava alto ao telefone, estava nervosa, o marido teria que ser internado as pressas, de certo ela tinha medo que ele morresse, pelo que ouvi a família não dispõe de plano de saúde, vai fazer a cirurgia necessária pelo SUS, isso se ele conseguir chegar lá, com esse trânsito,com hospital lotado...
O dono da casa me cobrou o aluguel, ele disse que sentia muito ter que fazer isso mas estava apertado, que a vida não tá fácil pra ninguém, talvez tenha razão, não tá mesmo, e eu que pensei que as coisas iam mudar, que uma estrela de fato ia brilhar na imensidão desse azul anil...
Azul, o Cruzeiro perdeu a ponta do brasileirão, ainda bem que temos futebol, dentro do país, porque fora o trem tá feio, quase tive um infarto na ultima copa do mundo, e o que ia ganhar com isso?
É, parece que vai chover, vai descer morro em algum lugar, sempre desce, vai dar na TV, sempre da.
Eu queria que o pessoal dos direitos humanos fosse na minha casa, ia relatar as coisas que o governo faz comigo, me sinto totalmente desrespeitado em todos os meus direitos. Eu tenho mesmo direitos? Semana passada assaltaram minha casa, até pensei em espancar o bandido, mas eu poderia ir preso por lesão corporal ou coisa pior, não tenho passagens pela polícia, não queria ganhar uma ás custas de um pobre bandido, pai de família que nem eu, deixei que ele fosse, se for preso vai ganhar mais que eu, é, eu ganho apenas um salário mínimo por trinta dias trabalhados...
Mas há coisas boas, comprei um sapato semana passada, sei que está cheio de impostos, impostos são para melhoria do país não é?
Minha rua tem buracos, ás vezes falta luz, a escola está precária, o ônibus é sempre lotado...
É, eu pago impostos...
Mas sou feliz... "O Brasil é um país de todos", essa é uma bela frase, em fevereiro tem carnaval e a copa vem ai... E eu? Vou pra onde?
Desculpa aí parceiro pelo falatório, mas passa o dinheiro, tenho que pagar o sapato que comprei semana passada, o aluguel e as contas que não podem atrasar, aqui está meu endereço e nome completo, a delegacia mais próxima fica naquela esquina á direita, vou estar em casa esperando a polícia, não vejo a hora de passar a receber R$915,05, até que enfim vou me livrar do mínimo! Obrigada pela atenção.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Tempo...Tempo...



Perdi a conta de quantas palavras deixei morrer em meus lábios,
De como olhava o mundo com olhos fechados tentando encontrar respostas...
De como tudo mudou ao meu redor enquanto eu dormia,
Não vi o sol nascer,
Não vi o sol se por,
O tempo e eu andávamos atados um ao outro,
Eu sempre por acabar, ele sempre acabando...
Mas pude entender a dor de perdas valiosas,
De horas de insônia infindáveis,
O tempo por vezes não passava, insistia em não deixar-me ir...
E eu aprendi a abraçar cada pedaço de vida, deixados pelos cantos...
Aprendi a tocar o céu quando descia de meu orgulho,
Aprendi...
A caminhar acompanhada, só, sendo eu, sempre eu,
E deixei alguns minutos para o nada,
Para o vazio das horas ociosas...
Um pouco de tempo para o tempo que não para...
Então adquiri migalhas de sabedoria, sugadas das páginas de empoeirados livros,
E li sorrisos,
E li lágrimas,
E li...
Cada minuto deixado de lado correndo atrás do...
Do tudo que me era tão desnecessário para ser feliz,
Então eu parei,sentei-me e vi o sol nascer...
E as horas passaram-se...
E vi o sol se por...
E aprendi a viver sem as horas,
Com o tempo acorrentado a mim, beijando palavras que nunca saíram de meus lábios.


Raquel Luiza da Silva