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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Basta-nos


Num canto do meu coração ainda posso tocar-te
Nas lembranças que se escondem beijar-te
Nas penumbras do passado possuir-te
E no recôncavo dos meus desejos buscar-te

Posso vê-lo, senti-lo, ainda que distante.
Posso ouvi-lo sussurrar, ainda que estejas em silêncio.
Posso saber seus segredos ainda que os oculte
Posso vê-lo ainda que se esconda.

Estás em mim como eu em ti
Somos a síntese do desejo impregnando a alma
O doce pecado na singeleza do sorriso
Somos unicamente frutos do amor e isso basta-nos.

Raquel Luiza da silva

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nem sempre...


Dói-me a ausência de sentimentos,
Tento desenrolar nas dobras da vida, as dores do tempo,
Nem sempre o poeta é só poesia,
Tem-se que cobrir a alma com a poeira do esquecimento e da nostalgia.
Buscar nas feridas do passado o bálsamo ou antídoto para o que ainda não veio,
Abrindo as portas de sua vida como se fosse um enorme celeiro,
Deitando sua alma na morbidez de seus sonhos,
Descansa seus passos em algum caminho,
Aliviando seu vil cansaço,
Não conseguirá nesse momento distinguir o real do ilusório,
Nesse momento em que ele se descobre como poesia,
Mesmo sabendo que nem sempre a vida será só de rimas,
Vai se curvando sobre a folha em branco,
Desenhando vidas e amores de tantos,
Não se lembrará de seu caminho, quanto menos de onde partiu,
Apenas viajará, assim como corre o rio.
Se abrindo em versos os quais precisa sentir,
Modelando em poesia, fazendo a vida seguir,
Sob a suave mão do tempo que a tudo faz ruir.



Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pobre palhaço.


Lembranças mortas deixadas ao relento,
Palavras perdidas nos vãos do silêncio,
Sentimentos torpes,
De um pobre palhaço sem trupe,
Na negra agonia que o nutre.
Numa canção cantada na infância,
Sobre algo que morre, não dança,
Carregando no peito sua máquina humana,
Um coração que não bate, arranha.
E na garganta um grito selado,
Amargo, gelado...
E o triste palhaço não sabe sorrir,
Quanto menos para onde seguir,
E sua peregrinação será eterna,
Nessa vida, nessa terra,
Porque o corpo se vai, mas a alma jamais.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O que você quer ser quando crescer?



Quando voltava do trabalho naquele dia, resolvi parar na pracinha duas quadras antes de chegar em casa, me sentei em um dos bancos, que na minha infância e adolescência eram inteiros e fiquei a olhar duas crianças brincando na grama a poucos metros de mim, era uma menina de mais ou menos seis anos e o menino aparentava ter a mesma idade e se não o fosse era pouco mais, falavam sobre o que seriam quando crescessem o diálogo era o seguinte:
_ Meu pai é médico._Disse o menino rabiscando o espaço de terra com um graveto.
_O meu é mecânico.
_Você vai ser mecânica?
_Não, suja as unhas e as roupas e você?Vai ser médico?
_Não sei...
_Porque não sabe?
_Tenho medo de sangue.
_Eu não, até ajudo a minha fazer molho pardo.
Achei graça da comparação.
_Então vamos fazer o seguinte, você fica com a profissão do meu pai e eu com a do seu.
_Está bem, não me importo de sujar as unhas e as roupas.
_E eu não me importo de ver sangue.
Ficaram ali muito tempo, operando pobres besouros e formigas que na sua falta de sorte se tornavam pacientes daquela pequenina de cabelos ruivos e pele sardenta e o garotinho de pele morena e cabelos crespos que por sua vez se empenhava no concerto dos “carros”, na verdade frutinhas que caiam das árvores e ele as espetava com pedaços de paus dos lados que finfia serem rodas.
Tudo isso me fazia lembrar da minha velha infância, onde também tive um amigo, o Valtinho, eramos carne e unha como se diz, íamos juntos para escola, brincávamos juntos, brigávamos também, mas sempre estávamos um ao lado do outro, ele era magrelinho e de tão branco podia lhe ver as veias no corpo,ele tinha um dedo defeituoso o que lhe dera o apelido de “Dedo Podre”, o que o irritava ao extremo, acho que se tivéssemos crescido juntos teríamos nos casado, pois ele veio pra capital ainda criança, eu só o fiz depois de adulta e independente e me formara em pedagogia, mas nunca mais o vi, apenas me lembrei disso porque aquelas crianças brincando ali na grama haviam me trago aquelas recordações, ele sempre dizia que quando crescesse iria ser médico e eu nos meus sonhos de menina queria ser professora, talvez eu ainda o encontrasse em algum hospital e me serviria de seus préstimos profissionais, assim pensei antes de tomar o ônibus e voltar para casa, dei uma última olhada nas crianças que ainda brincavam absorvidas pelas suas profissões de mentirinha.
Lembro-me como hoje, me levantei e fui para o ponto, o ônibus estacionou e eu entrei, me sentei na última poltrona, não estava cheio, porém todos os passageiros estavam assentados, pouca conversa se ouvia, á minha frente uma senhora carregava uma criança de mais ou menos um ano que vez ou outra olhava para mim e sorria, e eu, por minha vez correspondia aquele sorriso doce e ingênuo.
Era sexta feira e a tarde estava linda para dar um passeio na praça ou tomar um sorvete, levar os filhos para passear, era isso que eu faria se os tivesse...
O ônibus parou e um homem branco entrou, de tão brando podia lhe ver as veias, me dera um arrepio de repente e eu não sabia porque, ele ficara em pé a duas poltronas de mim, parecia nervoso e vez ou outra tossia, quando alguém fez sinal para o motorista ele deu um passo para frente e gritou:
_Todo mundo parado!_Tirou debaixo da camisa presa á calça um revolver.
O pânico fora total, a senhora á minha frente protegeu o bebê abraçando-o.
_Isto é um assalto, se cooperarem ninguém sai machucado.
Fechei meus olhos pedindo á Deus que tudo desse certo e que saíssemos dali com vida, o homem tremia, nós tremíamos, o clima ali dentro era horrível.
_Por favor, deixem celulares, jóias e dinheiro no corredor.
As pessoas obedeciam, afinal mais lhes valia a vida do que aqueles objetos que poderiam ser comprados novamente.
_Meu Deus...
Olhei para a direção onde ele olhara preocupado.
_Droga...!A polícia.
Ele estava nervoso e parecia violento ao arrancar das mãos dos passageiros os pertences.
_Todo mundo no chão, agora.
Eu apenas olhei para a senhora com o bebê, ela segurava a criança fortemente contra o peito, antes de se deitar no chão sussurrou pra mim:
_Se acontecer alguma coisa comigo tenho endereço na agenda aqui em minha bolsa...
_Acalme-se senhora, nada irá acontecer , isso logo acabará e em breve estaremos em nossas casas aliviados.
Ela me sorriu se deitando no chão com o bebê.
_Você.
Eu já estava de joelhos no chão quando ele apontou para mim.
_Venha cá logo.
Eu obedeci, não queria provocar a ira de um assaltante armado.
_Você será meu escudo, a polícia não vai atirar em mim com você aqui.
Eu tremia ao sentir aqueles braços fortes ao redor do meu pescoço, mas estranho, eu tinha uma sensação de familiaridade, como se já os conhecesse, era um misto de medo e prazer, fechei os olhos tentando esquecer que eu estava ali.
_Droga!O ônibus está cercado.
Sai do meu devaneio com uma sacolejada, sendo arrastada para perto da janela, o clima começava a ficar tenso.
_Porque está fazendo tudo isso?
_O que?_Estava distraído olhando o movimento dos policiais do lado de fora.
_Porque está fazendo isso?
_Olha dona, não sei se vai servir de resposta para a senhora que parece ter uma vida boa, mas se tivesse em meu lugar e ouvisse o seu filho chorar pedindo leite e você não tivesse como comprar, faria o mesmo.
_Não seria mais fácil pedir?
Ele riu ironizando.
_Até parece que iriam dar algo para um homem sadio e de boa aparência.
_Você já tentou?
_Chega dona, não me enche com seu papo de crente, se quer me converter ta perdendo seu tempo eu já vi coisas demais para acreditar que as coisas vão mudar, você nunca deve ter entrado numa favela, não é?
_Não.
_Então fique calada e não me enche com esse seu papinho.
Um estrondo me fez ser arrastada para longe da janela com violência.
_Se continuarem atiro nela._Gritou para o policial que ameaçava se aproximar.
_Olha, vamos conversar, amigo...
_Não tem nada pra conversar se aproximar atiro nela.
Ele tremia mais ainda, o que deixava bem claro para mim que era iniciante.
Fechei meus olhos e me veio na mente a lembrança das crianças brincando na praça e do meu amigo Valtinho...Voltei a mim com um estrondo, e algo a me escorrer pela roupa, passei a mão, o líquido era viscoso, mas eu não sentia dor, senti apenas os braços se afrouxarem ao redor do meu pescoço e o escorregando até cair ao chão.
_Meu Deus!_Ajoelhei-me ao lado dele.
_Talvez seja melhor assim, dona.
_Você vai ficar bem, vão te levar para o hospital.
Ele sorriu.
_Eu quis ser médico um dia...
_E porque não o foi?
_Uma longa história..., olha se nas quebradas da vida conhecer uma professorinha dedicada, diga a ela que eu tentei.
Naquela hora meu mundo desabou, não podia ser coincidência aquela história, então me lembrei de olhar a mão dele e qual não foi minha surpresa ao ver o dedo defeituoso.
_Eu sou a professorinha..._Ele já não podia ouvir, era tarde demais.
Os policiais se aproximaram, eu estava em estado de choque olhando para o corpo estendido no chão, ouvia vozes pessoas rindo de felicidade, o bebê chorava, policiais correndo...E eu só tinha olhos para o corpo no chão, aquele homem ali era parte da minha história que tomara rumos diferentes, eu o desejei nas noites de solidão em meu quarto frio, esperei-o como se esperava um príncipe encantado, estive em seus braços por algumas horas e o perdi para sempre e naquele momento enquanto todos enxergavam um bandido, eu via um pobre homem marginalizado, sem fé e que não vivera o suficiente para ver os filhos crescerem e ensina-los as nossas leis, as leis da selva, onde o mais forte sobrepuja o mais fraco colocando de lado o ensinamento do Deus que nos criou, “Amai vós uns aos outros como eu vos amei”.
Ontem voltei á praça e qual não foi minha surpresa ao me deparar com as duas crianças sentadas novamente na grama, como me sentia triste me aproximei para falar com elas, me olharam sem medo com aqueles olhinhos ingênuos.
_Quer brincar com a gente? _A menina me convidou.
_Claro!_Eu tinha lágrimas nos olhos me lembrando do ocorrido ha um mês atrás.
_Estamos brincando de profissão._O garotinho mostrou-me o carrinho que trouxera de casa._Eu quero ser mecânico e a Nanda médica, e você? O que quer ser quando crescer?
Eu estava muito emocionada, me lembrando da cena do meu amigo caído, morto sem nenhuma chance de mudar o seu destino, vítima das políticas excludentes e da intolerância humana, enxuguei uma lágrima que corria e respondi.
_Eu quero ser criança.

RAQUEL LUIZA DA SILVA.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quanto dura a eternidade...


A cada amanhecer, a descoberta de um novo caminho...
São sonhos, são vidas, nada mais é que uma eterna busca...
Nada é por acaso, nada é em vão...
Vivemos o que temos que viver e depois...
Depois partimos para o descanso, onde tudo é paz...
E não se é mais necessário viver sonhos, ou almejar a vida eterna...
Nesse lugar, apenas a paz nos basta...

Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Rotina



“As coisas nunca mudam!”
Pensava Miguel girando o dedo dentro do copo de leite aguado, nem nisso via diferença, já que a mulher buscava o líquido branco todas as manhãs na padaria e da mesma maneira abria a caixinha e virava em seu copo, colocando um pouco de açúcar para adoçar seu paladar que há muito tornara-se amargo.
_O que foi homem de Deus?Acordou hoje com uma cara de réu e agora ta aí pensativo._Enxugou as mãos no avental após terminar de lavar a louça.
_Nada não._Apoiou o rosto entre as mãos e os cotovelos na mesa, deixando de lado o copo de leite aguado.
_Que nada é peixe, e outra, nada, não deixa ninguém assim com essa cara de pão dormido.
Ele fechou os olhos á procura de uma resposta plausível para o que sentia.
_O leite está ralo._Foi o melhor que encontrou.
Ela gargalhou mostrando os dentes bem cuidados cujo tratamento lhe custara os olhos da cara.
_Minha Estrela Dalva! Você bebe esse leite há 25 anos e juntando com os nossos dez de casados são 35 e só agora nota que o leite é ralo?
_É...Você tem razão._Respondeu desanimado.
_Se eu fosse você me adiantava viu, porque já ta quase na hora do trabalho e sempre que se atrasa e o chefe te chama atenção, me irrita o resto da tarde.
_Eu nunca te irrito, sempre que chego atrasado no trabalho e o chefe me chama a atenção , vou para meu quarto, passo o resto da tarde lendo e á noite durmo calado._Tom de desanimo persistia.
_Ah, é mesmo!Sempre me esqueço que você nunca muda seus hábitos.
_Por acaso está me confundindo com alguém?Sei lá...Outro homem?
_Vem cá, por acaso está insinuando que estou te traindo só porque comprei novos sapatos e novas roupas, arrumo sempre os cabelos e as unhas, recebo flores sempre e comprei uma cinta-liga vermelha?
_Não, longe de mim!Você é uma santa.
_Ainda bem que você sabe._Ajeitou os cabelos deixando o pescoço a mostra um cordão com um pingente que ha alguns dias não usava.
_Se eu me chamo Miguel, você se chama Vanessa e não temos filhos, porque você está usando um pingente com a letra T?
_Uai...
_Está bem, não precisa explicar, já estou atrasado._Beijou-a, em seguida apanhou a pasta sobre o sofá.
_Morzinhooo..._Tinha a voz manhosa._...Vou precisar do carro.
_Está bem, vou á pé._Fechou a porta atrás de si ganhando a rua, o sol estava forte, mas a medida que andava notava que nuvens pesadas começavam a aparecer, já no segundo quarteirão sentiu algumas gotas a molhar-lhe o cucurútio, olhou para o céu já imaginando o toró que viria, apressou os passos, faltavam algumas ruas para chegar ao trabalho, mas foi surpreendido pela chuva mais ágil, tentou proteger a pasta que continha papéis importantes , olhou desesperado para os lados a procura de um abrigo quando enfim notara a marquise de uma loja de lingerie, já estava todo molhado, sacudiu os poucos cabelos molhados, e de repente se pegou olhando aquelas peças provocantes naqueles manequins sem vida, sem calor, com o corpo semi nu, sem sexo...Estranho, mas lhe batera um prazer....Talvez porque não sabia o que era intimidade com a esposa há quase dois meses quando começaram a surgir nela as dores de cabeça que a faziam virar para o lado e dormir a noite toda, ele ficava olhando para o teto imaginando tanta coisa...Mas agora, ali, todo molhado, vendo aqueles seres de resina a sua frente, sentia-se provocado de tal maneira que tivera que esconder com o paletó o volume que se fizera na calça, meneou a cabeça ao notar o olhar curioso de uma das atendentes em sua direção.
A chuva parara , continuou sua caminhada, olhou no relógio, estava duas horas e meia atrasado, já imaginava o desfecho da história, entrou para sua salinha onde revisava os documentos da empresa, não tardou o chefe entrar, estava sério, olhou-o sem desejar bom dia.
_Está demitido.
Miguel deixou a pasta sobre a mesa, até porque não necessitava daquilo, não iria levar nada, aliás, nada ali era seu, passou os olhos se despedindo do local onde se “refugiara” há dez anos, ajeitou o terno molhado no corpo e saiu sem dizer nada aos colegas que o acompanhavam há anos,o sol brilhava novamente,não havia sinal da forte tempestade,parou em frente a loja de lingerie, só que dessa vez resolvera entrar, a mesma atendente que outrora o olhava curiosa através do vidro viera ao seu encontro, ele fez o pedido.
_Não será possível senhor!_Foi o que ouviu.
_Pago o preço que pedirem.
_Se é assim...Vou falar com a gerente._Voltou minutos depois com um sorriso nos lábios._Tudo resolvido, o senhor quer que embrulhe?
_Não, não, vou levar assim mesmo.
Por onde passava era seguido por olhares curiosos, alguns riam e comentavam algo que ele fingia não ouvir, vez ou outra erguia sua compra que insistia em escorregar por baixo do braço, enfim, com um pouco de dificuldade chegou em casa, como já era de se esperar a mulher não estava, substituiu o terno molhado pelo pijama de girafinhas, após retirar todas as roupas femininas do guarda-roupas, ajeitou o travesseiro e abraçou sua compra que estava no travesseiro ao lado.Horas depois a mulher entrava em casa ajeitando a roupa amarrotada no corpo, estranhou todas aquelas malas na sala, se desesperou ao imaginar que o marido descobrira sua traição, já preparava o discurso para enrola-lo com sempre fazia,entrou no quarto com uma cara triste e qual não foi sua surpresa ao vê-lo dormindo docemente agarrado a um manequim de resina vestida com uma provocante lingerie vermelha.

Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Vontade de sentir saudade.


Hoje me deu vontade de sentir saudade...
De abrir os olhos com preguiça e sorrir para a vida.
Hoje me deu saudade de abrir os braços e sentir o vento,
De dançar e cantar sem ter medo do tempo.

Hoje me deu vontade de comer cachorro quente,
De sentir medo do dentista quando sinto dor de dente.
Hoje me deu saudade de correr na praça,
De gritar de alegria ou fazer pirraça.

Hoje me deu vontade de usar os saltos de minha mãe,
De sonhar com o primeiro beijo na frente do espelho.
Hoje me deu saudade de não ter medo do futuro,
De encolher e só temer o escuro.

Hoje me deu vontade de brincar na chuva,
De abraçar o mundo sem nenhuma ajuda,
Hoje me deu vontade simplesmente de abraçar,
De acreditar que sou rainha de algum castelo, em algum lugar.

Hoje me deu vontade de brincar na lama,
De ouvir alguém dizer que me ama,
Hoje me deu saudade de um dia ter sido criança,
De ter acreditado, de ter tido esperança.

Hoje me deu vontade de poder voltar,
De poder sonhar,
Hoje me deu vontade...
De sentir saudade.

Raquel Luiza da Silva

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Os anjos possuem covinhas.


Ele chegou meio sem jeito, pediu licença e se sentou no assento livre ao meu lado, o ônibus não estava muito cheio, eu lia meu jornal e assim continuei.
_Que distração minha, moça! Nem perguntei se tinha alguém aqui...
_Não. _Continuei a ler meu jornal.
_Parece que vai chover.
_Não vai.
_Como sabe?
_Estou lendo a previsão do tempo e diz que teremos sol a tarde toda.
_Ah sim...
Aos poucos o ônibus ia ficando apertado, mãos presas nas barras de segurança, um esbarra, esbarra a cada freada e eu continuava a ler meu jornal.
_O dia ta bonito, né?
_É. _Eu não tirava os olhos do jornal.
_Você mora longe moça?
_Sim. _ Será que aquele cara não se tocava que eu queria apenas ler meu jornal?
_Gosta de desenho?
_Depende.
_Como depende?
_Depende, já disse. _Estava meio irritada.
_Está bem, desculpa.
Ele retirara um lápis do bolso do jeans surrado e começara a rabiscar algo numa das enormes folhas de papel que trazia, aquele barulho do grafite passando na folha me irritava e ele ainda pra piorar começara a cantar baixinho, a voz era bonita, mas pelo amor de Deus, eu queria ler o meu jornal!
_Você é bonita moça.
_Obrigada. _Dei um meio sorriso para parecer um pouco gentil, aliás, não era todo dia que alguém dizia isso para uma pessoa que não ligava muito para a aparência, no caso eu.
_Não precisa agradecer.
Continuou a cantar sua canção e a rabiscar na sua folha de papel e eu a ler meu jornal, enquanto pessoas desciam em seus pontos e outras subiam, eu já estava doida para chegar em casa.
_Você tem namorado moça?
O que aquele cara estava querendo?Não me deixava ler meu jornal e ainda queria saber da minha vida?
_Não tenho.
_Que pena!És tão bonita, mas tudo é no tempo de Deus, no tempo do Pai.
_É.
Papinho chato aquele, cara chato! E ele continuava a rabiscar sua folha, eu não tinha curiosidade para ver o que era e nem para olhar em seu rosto e ver quem ele era, assim o tempo passava e eu tentava ler meu jornal com aquele barulhinho irritante.
_Bom...Acho que cheguei no meu ponto.
_Que ótimo..._Resmunguei tentando controlar meus nervos.
_Moça, obrigado pela companhia.
Aquele cara era mesmo um louco!
_De nada._ Não tirava os olhos do jornal.
_Fique com Deus.
_Tá bem.
Ele se afastou e desceu junto com outros passageiros, meneei a cabeça e sorri ao me lembrar de toda aquela chateação, olhei pela janela a tempo de ver parado no ponto a me acenar um rapaz em seus vinte e poucos anos que ao sorrir exibia lindas covinhas.
_Tem alguém aqui?
Uma senhora se aproximou.
_Não senhora.
_Então onde eu coloco seu desenho?
Meu desenho?Olhei para a folha de papel nas mãos da senhora e me emocionei, ali eu estava á lápis e num sorriso espelhava de uma certa maneira toda a minha alma, coisa que ninguém soubera ver, já que eu me fechara para mim e para o mundo, aquele rapaz expressara num desenho o que eu relutava em mostrar, talvez pela correria do dia a dia ou pela falta de fé nas pessoas, no mundo e novamente em mim mesma, deixei o jornal e peguei o papel.
_Obrigada._Sorri.
_De nada._Ela se sentara ao meu lado e no decorrer da viagem foi me contando de sua vida e no final me dissera que o meu sorriso fora tão sincero que ela se sentira impulsionada em não desistir de sua própria vida a qual ela julgara amarga e triste e eu nunca havia me sentido tão bem em toda a minha vida porque havia feito a diferença na vida de alguém.
Cheguei em casa e logo providenciei uma moldura para aquele desenho e quando enfim ele já estava preso á parede da minha sala foi que notei uma coisa, eu não tinha covinhas, aquelas as quais o desenho esboçava lindamente.
Assim eu descobri que sempre deixamos nas pessoas que ajudamos um pouco de nós, não visível aos nossos olhos, mas aos olhos do coração e aquele doce rapaz havia marcado profundamente o meu destino a ponto de eu julgar que todos os anjos do céu possuem lindas covinhas.

RAQUEL LUIZA DA SILVA.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Faça-se


Seco minhas asas imaginárias ao sol,
Cansadas de tanto cortar o espaço que abrigo em minha mente,
Uma espécie de mundo regido pelo que sinto.

Trago no peito um coração menino, desinibido,
Que se abre á vida de tal forma, que se é impossível entendê-lo direito,
Porém sempre á amar ao seu jeito.

Posso ter a leveza da pluma a transportar-se pelo tempo,
Vagando através de meus moinhos de vento,
Transpondo tantas terras e tantos mares, repousando em tantos lugares.

Com o que vejo traço histórias,
Com o que sinto crio vidas,
Sou um pouco do que crio, por isso me revisto de rosas e espinhos.

Fecho no tempo o rascunho da memória,
Sou poetisa, faço minha história.


Raquel Luiza

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Aprendi...


Certa fez resolvi fazer um rápido curso de cuidados com idosos,de início para mim era apenas um curso, já que tinha muito tenpo livre, não custava nada aprender mais um pouco.
Era uma turma animada de pessoas que já tiveram experiência ou cuidavam de idosos, o mais perto que cheguei era da porta do quarto da casa de minha avó á ver minha mãe a cuidar do meu avô e aquilo me assustava a tal ponto que começava a ter medo de envelhecer, não pelas rugas ou cabelos brancos, mas pela dependência e necessidade dos outros.
As aulas teóricas eram praticamenete coisas que já conhecia do colégio, á respeito de alimentação,higiene...Até alí estava fácil, pois bastava estudar,aprender e decorar para a prova escrita, o mundo não se parecia tão assustador ao ter que comer verduras e legumes, ter que tomar remédios nas horas certas ou sentir algumas dores, já havia passado por isso quando criança.
As aulas práticas no asilo da cidade, era como um desafio, alí estavam pessoas algumas com limitações,mas bem cuidadas, por monitores que os respeitavam, que zelavam por eles que cuidavam deles, mas que não substituíam o carinho de uma família, por mais carinhosos e atenciosos que fossem.
Aquelas aulas já não eram mais apenas teoria, mas sim aprendizado para a vida, vida está que tem início, meio e fim, mas que nem sempre o fim que imaginávamos um dia, envelhecer ao lado de uma família que nos acoberte com carinho e compreensão, não nos deixando ver o fim como um doloroso caminho lento e vazio, mas como uma fase pela qual muitos passarão.
Aqueslas pessoas estavam alí, longe de suas famílias, muitos a relembrarem do que foram e possuíam, alguns á esperarem o retorno para o lar, com o olhar triste perdido por entre as grades, como pequenos pássaros indefesos.
Eu vi meu avô até os ultimos momentos, adormeceu com um semblante doce de quem viveu a vida até em seus ultimos minutos, ao lado das pessoas que amava e que o amavam,ele adormeceu.
Envelhecer para mim hoje é poder sentir de forma doce a vida correr, como uma cascata a deslizar por entre as rochas, abraçando uma imensidão de caminhos, com passos lentos e com a convicção de que o oceano está próximo, indo,sempre indo...Nunca se esvaindo, sempre indo, para algum lugar desconhecido.
Envelhecer não é deixar a vida partir é deixar que ela simplesmente siga seu curso...

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ao povo brasileiro


Tanto se fala em liberdade,
O homem cria grades em torno de suas verdades,
Tanto se fala em cercear a fome,
Muitos morrem, enquanto muitos comem,
Tanto se espera que mude nosso país,
Mas á sua frente ainda temos homens de pensamentos vis,
Tanto se espera dos dias que virão,
Porém pouco se tem para garantir o pão,
Tanto se deseja mudanças,
Mas ainda permeia os sonhos a falta de esperança,
Tanto se ergue à voz em clamor,
Mas ainda tapam os ouvidos aos gritos de dor,
Em meio á tantos...
Em todos os cantos...
Ergue-se o povo, raças em busca do novo,
Índios, negros, brancos...
Terra Brasil, de todos os santos,
Mãe que amamenta em seu peito,
Filhos que gritam por seus direitos,
Terra de povo que sofre,
Mas também de povo que acolhe,
Parabéns ao povo de garra desse país,
Que carrega em seus ombros a vontade de ser feliz,
Que acredita na força de um sorriso,
Mesmo quando tudo parece perdido.

Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amelha? Nunca mais!


“Ser ou não ser, eis a questão”.


Hoje ao olhar-me no espelho notei uma nova espinha, mais uma para retirar o brilho que teria o meu primeiro encontro após uma separação catastrófica em que eu e meu ex marido quase nos engalfinhamos diante do tal juiz que tentava nos propor uma separação amigável.
Pois bem saindo dessa parte chatíssima entro na nova fase da minha vida, a fase do “liberdade ainda que tardia”, fase em que não terei de retirar cuecas molhadas do banheiro ou toalhas de cima da cama, ou ainda limpar sozinha a casa após uma partida de futebol na TV assistida por vários marmanjos a sofrer por causa de 24 homens correndo atrás de uma bola, meu grito de independência foi dado exatamente quando o meu ex marido chegou em casa de madrugada com um cheiro horrível de perfume barato, olhou para minha cara, sem eu nem perguntar, levantou o sobrolho e disparou:
_Querida eu estava trabalhando em um novo projeto, fiquei até tarde no escritório e meu chefe pediu para redigir alguns documentos, é isso.
Tudo bem, eu poderia ter acreditado se não fosse o simples fato de ele ser bioquímico e pelo simples motivo dessa ser uma explicação que eu dava quando chegava tarde do escritório onde trabalhava como secretária, analisem bem, ele bebe, sai com outra que por sinal usava perfume barato desses comprados em barracas de camelô e ainda tentava se explicar com uma das minhas explicações!Não deu outra já cansada da minha crucial vida de “Amelha”, pedi o divórcio, ele fez ceninha, até chorar chorou, depois olhou pra mim e disse:
_Tá bem, se quer o divórcio, terá aliás você não é mais a Vivi que eu conheci está horrível, gorda e começa a aparecer rugas, tenho outra melhor que você.
Confesso que aquilo me machucou e muito, vai ver ele tinha outra mesmo, ficara estranho comigo depois que engordei, isso eu notara, toda vez que o chamava para sair ele inventava uma desculpa e nunca ia, ou estava cansado ou tinha que rever algum projeto, mas sempre me deixava ir sozinha e eu ia, ficava no restaurante, vendo os casais chegarem, como eu queria ser feliz também!De tanta raiva acabava comendo mais do deveria e isso implicava para aumentar ainda mais a minha obesidade.
Numa noite sai para um desses meus jantares sozinha e quando voltei, pensando em como seria a minha nova vida levei um enorme susto ao chegar no meu apartamento, estava totalmente vazio, sem nada o cafajeste levara até as minhas roupas, não precisa dizer que o ódio sobrepôs o susto em seguida.
Fui dormir na casa de uma amiga do escritório, desolada sem ter noção do que fazer, chorei a noite toda me lembrando dos momentos felizes há oito anos atrás e também da mudança brusca após isso e como ele me evitava de todas as formas como companheira de prazer e de companhia, aquela noite para mim fora extremamente crucial, não dormi, me lembro de ter acordado de madrugada vestida com a única peça de roupa que eu tinha e que por sinal era uma saia longa e uma blusa de mangas compridas com a qual eu havia saído para jantar.Andei sem destino, quando como que por coincidência passei perto de um escritório de advocacia”Dr. Carlos Roberto Álvares Silva”, as palavras eram grandes e chamativas, mas postadas de uma maneira que deixava em evidência o bom gosto do dono, passei os olhos rapidamente no restante do letreiro, a última frase acabara me chamando a tenção “...Causas conjugais”, era disso que eu estava precisando!Coincidência ou não eles resolveriam o meu problema, pois bem, fui para o trabalho e no intervalo do almoço lá estava eu, sentada no escritório relatando os últimos episódios da minha odisséia conjugal para aquele simpático senhor que decidira me atender sem marcar hora.
_Não se preocupe senhora o que é seu por direito será devolvido com juros e correção monetária.
Se levantou apertando a minha mão no final da consulta e eu?Apertei aquela branca mão com um sorriso de confiança.
Bom só restava agora esperar não é?enquanto isso fui resolver algumas coisinhas como comprar roupas e algumas outras coisinhas para continuar morando no apartamento, não queria incomodar a minha amiga de trabalho,ter ficado na casa dela aquela noite já estava de bom tamanho.
A casa ficara praticamente vazia com a nova mobília resumida em apenas uma cama no quarto, uma mesa e quatro cadeiras na sala e um fogão na cozinha, passando longe da classe que ostentava cada cômodo bem organizado por um designer amigo meu.
Agora era a minha vez de dar a volta por cima, ele me chamara de gorda e horrível, eu precisava mudar, eu morava no vigésimo quinto andar, passei a descer e a subir pelas escadas, passei numa nutricionista que me dera uma dieta que me levava a ter vontades loucas de comer chocolate e sorvetes, mas eu a segui e para finalizar, passei a freqüentar uma academia , eu estava mesmo disposta a enterrar todo o meu passado e o estava fazendo.
Um belo dia quando fazia minha caminhada matinal antes do trabalho o Marcio meu colega de escritório por coincidência me acompanhou:
_O que deu em você?
_Comecei a surtar com a minha barriguinha de cerveja.
Ri.
_Mas aqui é bem longe da sua casa!
_É...Mas eu precisava de uma companhia é chato e desanimador ter que caminhar horas e horas sozinho, então pensei, já que a Vivi está caminhando sozinha...
Sei lá, mas minha intuição feminina captara algo a mais que uma simples companhia...Continuamos a caminhar e eu paciente esperava notícias mais animadoras do meu advogado e no final do quarto mês meu celular tocou, era o meu anjo da guarda o Dr.Carlos dizendo que o juiz já havia marcado a audiência para a sexta, estávamos na terça, três dias era o tempo de espera para encerrar dezoito anos de casamento os quais eu vivi unicamente para aquele homem, me esquecendo de cuidar de mim e dos meus sonhos, naquele dia após a notícia eu me lembrara que os tivera, quis ter viajado, ter estudado, ter tido uma segunda lua de mel...AH, resolvi deixar pra lá e me concentrar apenas na audiência da sexta feira, depois eu teria tempo o suficiente para organizar tudo de novo, aliás eu tinha 36 anos de idade e muito o que fazer na vida.
Os dias pareciam voar só para aumentar a minha agonia e na quinta feira eu me lembro de ter recebido a visita do meu amigo Marcio e pedido orações e ele me disse uma coisa que não esperava nunca ouvir:
_Vivian, eu não sei como dizer a você...
Olhei-o a espera do fim da frase.
_...Está bem, eu...
_Eu...?
_Eu gosto de você, pronto, falei.
_Eu também gosto de você._Sorvi um gole do café que eu havia passado para nós.
_Não, não é dessa maneira que você pensa, não é como amigo de trabalho ou de caminhada, eu gosto, gosto do seu sorriso, da sua garra do seu carisma, gosto da mulher maravilhosa que você é.
_Olha, você tem sido um amigo maravilhoso principalmente nestes dias difíceis em que vai sair o divórcio, mas eu não quero me envolver com ninguém, pelo menos não agora, será que você me entende?
_Claro._Sorriu sem graça.
_Mas eu...
_Não precisa se explicar, eu já entendi._Deixou a xícara sobre a mesa e saiu.
É estranho, mas ele acabara despertado em mim o meu lado apaixonado e eu pensei nele aquela noite, mas assim que o dia amanheceu fui obrigada a esquece-lo e me concentrar na audiência a qual eu citara anteriormente e que tive ganho de causa, ficando com o apartamento e o meu ex sendo obrigado a me devolver minhas coisas, o que sobrou para ele fora uma casa velha que tínhamos no subúrbio, por isso o ataque de raiva dele unido ao meu ódio recolhido nos levou a nos engalfinharmos ali mesmo na frente do juiz.Fui embora toda despenteada, mas muito feliz, afinal, eu não iria sair do meu apartamento e poderia reconstruir minha vida.
O Marcio passou a me ignorar no trabalho por um tempo e sua resposta para aquela reação fora simples.
_Será melhor assim.
Mas como o tempo é senhor das coisas, após um mês eu não mais me lembrava daquelas coisas horríveis que me aconteceram, numa noite eu estava sozinha em casa, me sentindo só, olhei para uma foto na minha estante, nela estava a turma do trabalho numa festa, o Marcio sorria, mas eu sentia que ele estava triste, não pensei duas vezes, peguei o telefone...
Fui para o trabalho normalmente no outro dia, havia um bilhete sobre minha mesa:
“Podemos jantar no final de semana? Iremos a um restaurante vegetariano se preferir.”
Te amo.
Ass:Marcio.

Senti-me feito uma adolescente boba.

Pois bem, o dia do almoço chegou, é hoje, tive que ir ao shopping não haviam roupas em meu guarda roupas que me servissem todas de numeração maior acima do meu manequim, hoje 35, tirando a espinha na ponta do nariz eu estava ótima, vestido colado ao corpo, salto alto...”Vestida para matar”, aliás, aquela era a minha noite.
A campainha tocando?
Fui atender, era da floricultura, rosas vermelhas, simbolizando paixão, as minhas preferidas, como o Marcio sabia?Eu não contara.
Peraê, tem cartãozinho!
“Com muito amor, a única pessoa que amei de verdade, minha querida esposa Vivian”
Ass: Valter.

Ps: Incluindo convite para um jantar romântico hoje ás 8 da noite, no nosso restaurante.

Olhei o relógio, eram 19:30, dei uma última olhada no espelho, peguei minha bolsa e...Poucos minutos depois o táxi estacionava na porta do restaurante italiano, desci, ajeitei o vestido no corpo, passei o olho ligeiramente pelo ambiente requintado, lá estava ele, elegante como sempre o fora, se levantou puxando a cadeira para que eu me sentasse á sua frente, um perfeito cavalheiro.
_Como você está ótima querida!
_Obrigada, dei um duro danado nesses últimos meses para voltar a minha forma.
_E conseguiu, deixa eu adivinhar...manequim 35, acertei?
_É, acertou._Sorri.
_O que vamos jantar?
_Você eu não sei, Valter, mas eu tenho um encontro e estou meio atrasada.
_?
_Está bem, você está querendo saber porque eu vim, vou te dizer então, só para te agradecer.
_?
_È, agradecer por ter me feito ver que a minha vida de trabalho excessivo e dona de casa estavam me transformando em uma orca sem sentimentos, agora se me de licença, tenho um jantar.
_Com quem?
_Um namorado, de lembranças á sua namoradinha por mim.
Ajeitei novamente o vestido e sai.De dentro to táxi ainda pude vê-lo boquiaberto e em estado de choque.
_Por favor, o senhor poderia ir um pouquinho mais rápido?
Se dizer nada o motorista acelerou, desci na porta do restaurante que não era vegetariano, mas eu sabia que tinha um cardápio variado, para minha surpresa o Marcio estava saindo.
_Marcio._Gritei indo em sua direção.
_Não precisa se explicar.
_Eu tive que resolver uma coisinha antes de vir.
_Podia ao menos ter me ligado, né?
_Pois é, eu errei, mas podemos voltar para o restaurante e jantarmos.
_Não, perdi a fome, vou para casa.
_Está bem, vou com você.
Ele se assustou com a minha determinação, eu não iria perder a minha chance de ser feliz, nunca mesmo.
Imagina, ainda não acredito que ele não reparara a enorme espinha no meu nariz e ainda disse que eu estava linda, dizem que o amor é cego e é mesmo.
Acho que voltei a ser adolescente, me sinto como boba deitada naquele peito forte e peludo após horas maravilhosas de amor, coisa que eu havia me esquecido há tempos que era bom...Agora... Se me dão licença vou aproveitar minha noite aliás é minha noite não é? Meu primeiro encontro, meu primeiro namorado, decidi que começaria tudo de novo até porque a vida é muito curta e deve ter um início sempre a cada dia...
“Amelha? Nunca mais!


RAQUEL LUIZA DA SILVA.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carta de amor




Queria eu aprisionar todas as minhas vidas num único abraço,
Entender a beleza real dos sentimentos que me circundam,
Apenas para descobrir no calor de teus beijos a real razão de viver.
E teu amor me bastaria nessa terra de sonhos, de ilusões efêmeras,
De inexplicáveis sentimentos onde o amor se cala diante dessa tal razão,
Razão que não que explica a ausência ou peso da saudade.
E num papel faço por zelar todo meu sentimento,
A encontrar-te em algum lugar,
Em alguma parte,
Em algum canto, desse recanto imenso,
Onde te escondes de meu calor, mas não poderás fazê-lo do que sinto, do que sentes.
E assim vou seguindo,
Contando sóis, contando luas...
Num passo infinito de dias, meses e anos,
Aprisionado nas horas dessa era,
E eu procuro-te loucamente na imensidão de meu infinito,
Seguindo sem rumo,
Sem saber explicar ao coração que seu amor lhe basta,
Que apenas teu calor,
Somente teu calor o aquecerá, derretendo todo gelo de desilusões anteriores,
E tu, somente tu serás capaz de encher minha vida com o verdadeiro amor,
Preso numa folha de papel, mas com a liberdade e a graça das aves do céu.


Raquel Luiza da Silva

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quando é hora de dizer não...


Algo te sufoca, e você só nota o mal que lhe causa após anos
Então é hora, de romper com os velhos conceitos,
De romper com os velhos medos e dizer que a coisa mais importante para você nesse mundo é você mesmo.
Sim é você!
Como você será importante para os outros se não conservar os valores enssenciais humanos?
Muitas vezes o cansaço que se apodera de seu ser, o desânimo que parece tomar conta de sua alma, é culpa, unicamente culpa sua, que se aprissiona dia após dia em coisas que nunca serão concretizadas...Será um amor que não deu certo e você quer que ele continue sem nunca ter tido futuro?Um emprego massante que te altera os nervosos e te torna intragável por externar suas piores emoções? Ou será a criação que da á seus filhos, os quais acabara deixando longe do alcance de suas mãos e de suas palavras?Ou será a incoerência de seus atos, simplesmente á se voltarem contra você? Tudo isso por um único motivo, o de ter medo, medo de dizer "Não".
Somos donos de nossos atos e palavras, fazemos o mundo ao nosso redor,a nossa vida é o que queremos que ela seja, não adianta lutar contra esse fato, pois esse é o fato.
Diga a uma criança que roubar moedas de alguém é algo feio e fará dela um cidadão de bem, esconda seu ato e futuramente responderá pelo adulto perdido que se tornará.
Você é dono de sus atos, mas tambêm influencia nos atos de pessoas ao seu redor.
Com uma corda ao redor do pescoço, é assim que vive pessoas que não se controlam, mas que inssistem em controlar os outros, tudo pode ser transformado, quando você souber diferer os momentos, a hora de dizer "Sim" e "Não".
Existem homens e mulheres destruidos, pessoas que jamais se erguerão, porque acreditaram na soberania de suas palavras, disseram sim quando era momento de dizer não, disseram não no momento de dizerem sim, mudaram os rumos de suas vidas, por não saberem controlar suas emoções, seus atos.
Então devemos sempre aprender quando é hora de dizer não, para os outros e muitas vezes para nós mesmos, mesmo que isso nos doa ou doa a um alguém que amamos, um dia, ainda que distante recordaremos ou se recordarão disso, e saberemos a real força de nossa decissão, não em nos privar ou privar alguém de algo, mas sim de amadurecermos e entendermos a necessidade de nem sempre dizermos sim.
Se o "não" fosse usado com razão, diríamos não á tantas guerras, á toda corrupção, á tanta violência, á toda essa decadência que se tornou a humanidade, porque o nosso sim é dito em momentos errados e de forma errada.
Há um ditado dito como certo: Errar é humano, permanecer no erro é ignorância.
Infelizmentes existem mais ignorantes do que audaciosos.

Raquel Luiza da Silva

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O adeus do Pierrot


Eu precisava de um pouco mais de mim, resolvi deixar de lado minhas vestes negras,
Luto permanente do teu adeus, que me fez viúvo sem ter tu abandonado a vida.
Precisava olhar-me no espelho novamente e ver que a beleza que se esvaíra aos poucos ainda podia ser reavivada ao menos em parte pelas maquiagens coloridas.

A casa precisava de mais cor, mais luz... Poderia eu voltar novamente á viver após tantos anos amargos de introspecção?
Doe-me lembrar como foi, reviver as cenas ,os momentos se tornaram rotina dolorida, mas tinha que fazer isso para não me esquecer da tua ultima imagem, o adeus, a despedida.

A faxina precisa ser feita, a faxina da alma, limpar cada canto, recanto, arejar, deixar o sol entrar, vislumbrar o nascer, o pôr de cada dia...
Cantar a canção alegre que toca nas ruas, convidativa á bailar, me misturar aos arlequins e colombinas, deixar enfim a vida continuar.

Porém... Não consigo arredar os pés dessa soleira, me distanciar da dor dilacerante que segue, me persegue...
Preso á você, aos momentos, ao amor, á loucura que ainda me faz te esperar.
Não mais regressarás, algo em mim diz isso, porém não consigo ouvir e ainda espero, sem acreditar que foi o fim.

Vozes se misturam, num carnaval barulhento, cheio de serpentinas, plumas e paetês...
Da janela, apenas uma viúva em vida observa o movimento, alguns passam e me julgam fantasiado...
Outros passam e têm pena da figura que vêem, sofrida, enrugada, morta em vida.

Todos os carnavais são a mesma sensação de que irá voltar, porém...
A música se acaba, cessam-se as vozes e os carnavalescos se vão, assim como você se foi um dia, com ele...
Tão belo arlequim de sorriso falso e maquiado e eu fiquei só, triste Pierrot apaixonado.

Novamente fecharei as portas e janelas, da casa, da minha própria alma,
A espera do próximo carnaval, para que me invada a vontade de limpar tudo novamente,
Acreditar que em algum momento do meio da multidão sairá e em meus braços descansarás.

Pobre Pierrot em luto, sua amargura, será eterna, porque não vês?
Olho-me no espelho, pareço um vulto, envolto no negror da agonia,
Tenho sede, o cálice sobre a mesa é proposital, convidativo, festa, último carnaval
E me delicio com o sabor amargo que me rouba a vida, me sentencia.

Corpo ao chão, casa fechada, as vozes lá fora se findaram de vez,
Apenas eu sorrio a bailar pela casa, atravessando móveis, fazendo ranger a madeira do chão...
Não existem mais olhares em minha direção.

Exausto enfim, noto que estou só e sinto pena de mim, minhas vestes continuam negras, O luto sou eu e noto que não mais existe música e o que fica é a lembrança do teu adeus.
Triste Pierrot apaixonado é o que agora sou, fadado á espera eterna de minha colombina que se foi com um arlequim de sorriso falso e maquiado no carnaval passado.


Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Marinheiro solitário


O sussurro do vento á bater nas velas do navio que sangra o mar gélido da ilusão, impetuoso, bravio, não tenho rumo, faço o meu caminho, busco novos portos , a procura de novos mares, lugares que me satisfaçam a alma e me acalente o espírito.
A névoa que me abraça á noite toma a forma da mulher que almejo, me ama sem pudor e me beija com seus lábios carmesins e se vai embora com o sol da manhã, como uma meretriz que apenas cumpre o seu papel de amante.
Não ancoro em nenhum coração, porque sou feito de amores, em cada porto, em cada vilarejo, em cada mar... amo e me deixo-me amar, mas não permaneço, porque meu barco não tem âncora e parto assim que o sol raiar.
Fito o horizonte ao final do dia, a espera de que me encontre em um ou qualquer lugar, seja aqui ou bem longe, nas sombras ou na luz do meu olhar que busca outros mares á singrar.
Iço as velas e sigo, meu caminho é longo, meu tempo tardio, as ondas que se foram não serão mais lembradas, as sereias que beijei da mente apagadas, cada grito de prazer se perderá com o sussurro do vento, enquanto eu... singro o mar a procura de mim, neste horizonte sem fim de sonhos e desejos.


Raquel Luiza da Silva

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Esperança.


Paulo voltara mais cedo para casa, estava cabisbaixo, o chapéu na mão refletia ainda mais a tristeza que lhe incorporara a alma e que era expressa fisicamente, entrou em casa, a esposa fazia o café, olhou-a ternamente e foi para o quarto, a agonia por não ter encontrado emprego em mais aquela tentativa lhe dava um ar de derrota enorme.Como pagaria o colégio das crianças?E a luz, o aluguel...?Não tinha coragem de contar para a esposa, só tinha um pensamento em mente...
Ajoelhou-se , tinha as mãos trêmulas, as lágrimas lhe rolaram quentes pelo rosto sulcado pelas rugas, sentia-se impotente, quando a porta se abriu.
_Papai!Vamos, começou a chover!
O filho mais novo arrastou-o para fora e as lágrimas se misturaram com a chuva lavando-lhe a alma e quando voltou para casa estava pronto para continuar no dia seguinte a sua jornada em busca de emprego, descobrindo que a dor podia ser encoberta pelo simples fato de se sentir vivo e que a esperança ressurgia plena após cada tempestade.


RAQUEL LUIZA DA SILVA.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cminhante solitário.


Quando meus pés tocaram os caminhos do meu destino, eram apenas um par de pés
na poeira solta da estrada, sem caminho, sem rumo certo...
Era poeira nas roupas, era a bagagem nas costas, eram os sonhos e as ilusões de um caminhante se fundindo com a distância da caminhada, era eu e a estrada.
O tempo me fez assim buscar a liberdade, sonhar com a liberdade, passar por ela em forma de gente, de animal solto, como eu, bicho solto a vagar por todas e tantas estradas.

Foram histórias que se perderam, de amores que se romperam, de paixões que não vivi, de sonhos que esqueci, perdidos pelos caminhos, deixados nas encruzilhadas
Eram sombras, sois vermelhos, sorrisos e lágrimas, gente que nascia, gente que morria gente que se encontrava, gente...Que se perdia pelas estradas.
A beleza se fazia viva, outrora se despedia e eu seguia, caminhante solitário, em busca de algo que me compensasse tal vida.

Se me doía o peito e me assombrava o peso da solidão, eu me erguia e continuava aquela caminhada sem razão.
A vontade era de chegar á algum lugar, ancorar talvez, cessar a busca pelo desconhecido, mas ali estava ela, linda e bela me convidando á continuar.
E eu não parei, me tornei viajante, sem medo do caminho, lutando com moinhos de vento, não cessei de caminhar.

Estradas se tornaram caminhos, eu segui sozinho, resolvi não mais voltar, pois me esqueci de tantos sonhos que me fizeram viajar.
Talvez ainda me reste um pouco mais de tempo para descobrir que o tempo foi o carrasco do meu caminhar.
Se me faltam forças e o cansaço me consome só me resta esperar que eu encontre no fim da estrada a felicidade que saí á procurar...
E será nas tantas estradas que denomino de vida que espero repousar, sacudindo a poeira do corpo e cessando meu caminhar.


Raquel Luiza da silva

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A criação do poeta




A luz trêmula da vela iluminava lhe parcialmente o rosto, as mãos percorriam aquele corpo pálido de mulher dando lhe vida e aos poucos cor, os lábios se entreabriam e somente sussurravam doces palavras de paixão, com os olhos ela lhe pedia que a tomasse nos braços e ele... Ele apenas a observava e moldava o corpo e quando julgou que já estava perfeita depositou a caneta no tinteiro, apagou a vela e a sua amada adormeceu presa á folha de papel em forma de doces versos num poema de amor.


Raquel luiza da Silva

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Não se fazem "amelhas" como antigamente.


Quando ele me pegou nos braços, senti a volúpia, os desejos se aflorarem na pele, aquele cheiro já conhecido era o doce aroma que eu precisava para continuar respirando, desejei naquele momento que ele me arrastasse para longe dali... de ímpeto me desvencilhei daqueles morenos braços, ajeitei a roupa no corpo e disse:
- Tenho que ir.
Ele me olhou assustado, quando agente brigava, ele dizia que ia embora, eu chorava, ele voltava e continuava bebendo,traindo, voltando, me deixando...
- Acho que cansei de ser "amelha".
- De onde você tirou isso?
- Você não assistiu o ultimo capítulo da novela?


Raquel luiza da Silva

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sentimento...



Sentimentos vêm e vão,
Num bailar inseguro e febril,
Como os amores eternos que nascem em abril.

São sonhos de imagens turvas,
Olhares perdidos na vidraça á ver a chuva.
E de tal beleza que a voz torna-se muda.

De encantos que bailam por entre a imaginação,
Rasgando o peito feito um terrível furacão,
Feito da doçura incompreendida de um pobre coração.

E a vida segue seu rumo...
Rumo de caminhos cheios de mundos,
Em que a vida se vai além de túmulos.

E o sentimento...
Senhor,
Dono do que é tormento.

Abrasadora versão,
Da alma em compaixão,
Abrindo-se de tal forma a estilhaçar o coração.

E tal sentimento leva consigo o nome que nunca se perde no tempo,
De histórias mil,
Como amores eternos que nascem em abril.

E assim, tão controverso...
Tão cheio de versos...
Perde-se nesse mundo efêmero.

E diz-se ser o tempo senhor da razão
Esta que tenta calar o coração,
E sente apenas o que se pode tocar com as mãos.

E o sentimento perdura com todo calor,
Amparando-se nas poucas linhas de vários poemas,
No abstrato do sentimento real,
Que revela o quão sobrenatural é o incompreendido amor.


Raquel Luiza da Silva

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Adeus


O seu olhar já não cobre mais a extensão do meu corpo,
Sua voz já não me faz mais sentir calafrios,
Seu toque não mais me arrebata á outros mundos,
Seu sorriso já não me toca a alma,
Nada em ti me satisfaz ou me agrada.

O teu sorriso bobo que me era precioso,
Agora me parece bobo demais,
O teu abraço que me envolvia,
Não contem o calor que me aquecia.
Somos diferentes agora.

Por favor, não se aproxime,
Me machuca a idéia de me possuir sem querer-te,
È melhor continuar ai, apenas me observando,
Ou pelo contrário se machucarás também,
Dois corações, dois corpos indiferentes, sem afinidade,sem desejo.

O sentimento morreu em mim,
A poesia morrerá em ti,
Adormeceu a euforia do amor,
Tudo se parece tão distante, de mim e de ti.
Nada é eterno, nada será eterno, nada permanecerá eterno.

Peço que fique apenas com as boas lembranças,
O resto jogue fora, poemas, versos, cartas, fotos...
Não necessitará dessas ferramentas de tortura,
Não é necessário que sofras, apenas esqueça,
Para não sofrer, para não morrer de amor, de dor.

Não deixarei endereço,
Não precisa saber o meu destino, meu caminho,
Nem eu mesma o sei,
Apenas vou, para que não seja continuo esse momento.
Não me odeies apenas te peço, não encha de amargura o teu coração.

Acho que é só,
Malas prontas, sorriso sem graça,
Está na hora da minha partida,
Seu silêncio me cala, me atormenta, me dói.
É só isso,foi bom enquanto durou...
Adeus...


Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Yara


Ela desceu do salto, sentia as pernas doerem,cuidadosamente retirou a meia calça para que não puxasse fios, detestava quando isso acontecia.
Após o feito, massageou os pés cansados e em seguida foi até ao banheiro.
Olhou-se demoradamente no espelho,depois retirou a maquiagem do rosto,as unhas e os cílios postiços, e também a peruca, se sentia bem daquela maneira, naquele mundo de mulher que não lhe pertencia por completo, apesar de grande parte da sociedade a denominarem como uma aberração cheia de pecados e defeitos.
Vestiu o pijama e foi para a cama, beijou o crucifixo no catre, fez suas orações agradecendo á Deus pela sua vida e adormeceu Yara para no outro dia acordar como Miguel.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lá no morro...Lá no alto...



Lá no morro,
Lá no alto...
Oh Maria, traz o pirão,
O sol a rachar, A criançada a jogar bola na terra vermelha,
Mosquito a picar a pele seca do trabalhador foveiro á bater a laje.
Oh Maria, traz o pirão,
Lá no morro,
Lá no alto,
Misturando o tino com tiner,
O nexo com sexo,
Lá no morro,
Lá no alto...
A deslizar a chuva,
A deslizar o morro,
Morro se não corro,
Lá no morro,
Lá no alto,
De tão alto que não alcanço,
De longe que me canso,
Achando achado,
Bala pra todo lado,
Lá no morro lá no alto,
Mas também tem união,
Pra levantar o barraco,
Pra não cair o morro,
Prestar socorro,
Lá no morro,
Lá no alto,
No Samba,
No gingado,
Pra levantar o barraco,
Nem tudo vai ao chão,
Lá no morro,
Lá no alto...
Oh Maria traz o pirão...

Raquel Luiza da Silva

Incógnita


O poeta é uma alma solitária,
Consegue em meio a uma multidão estar só em seu mundo,
O poeta é uma alma cativa,
Consegue na liberdade aprisionar-se em seus versos,
O poeta é uma incógnita absoluta,
Consegue fazer-se incompreendido quando se é transparente,
O poeta é junção de sentimentos,
Consegue sombrear-se do deveras sente,
O poeta é a solidez da palavra intocada,
Consegue ergue-se no abstrato incompreendido,
O poeta é a emoção,
Consegue fazer sangrar uma folha de papel,
O poeta é a face indefinida,
Consegue extrair de si o riso e o choro,
O poeta é falta de compreensão,
Consegue fazer-se incompreendido quando tudo é razão,
O poeta é único,
Numa unicidade que soa como cumplicidade,
Não se sabe se o poeta é feito de poesia,
Ou se ela surge de si,
E nunca se saberá se ele é obra prima de sua criação,
Ou se a criação é algo de sua real ilusão.

Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Uma estrada chamada vida


Um dia me dei conta de que a vida é muito parecida com uma estrada,
Tem-se o início de tudo e o fim também,
Segue-se num caminho de incertezas, sem saber o que virá na próxima curva,
Porém temos que seguir.

Virão sois e luas, muitas vezes com efeitos catastróficos,
Devastarão grandes áreas e farão estragos irreparáveis,
Porém... Na primavera, quando tudo estiver florido e a vida encher os campos,
Notar-se-á o poder transformador da esperança.

Talvez seguir-se-á só, mas nunca se estará sozinho, ainda que por escolha,
Sempre existirão passos ao nosso lado, uma flor solitária... Ou um coração perdido,
Sempre existirão pessoas que necessitarão das nossas mãos ou simplesmente de um abraço.

Dei-me conta de que a vida é mesmo parecida com uma estrada,
Gerando caminhos, levando vidas, sempre seguindo...
Aprender a dar o primeiro passo é essencial para se seguir
Continuar a dar passos é o sinal da evolução do caminho.

Raquel Luiza da Silva