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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Grande senzala.





Somos filhos dessa grande senzala, 
Nascidos de ventres livres e mentes
acorrentadas,
Somos filhos dessa nação que geme,
Desse povo que sofre, que torce, que se arrepende...
E dirão que somos pobres, oprimidos...
Comprimidos nessa falta de vontade de poucos em seus ternos de bons alfaiates.
Somos filhos dessa terra de vultuosa riqueza, de vasta beleza, de poucos arremates.
E no cair da noite o samba é algo ligeiro,
Vozes cansadas, vozes em desespero.
Enquanto a bola rola o povo se enrola,
E tudo parece tão perfeito...
A fome tamborila seus dedos magros no estômago do trabalhador,
Tantos morrem nas filas por falta de um doutor,
A violência se alastra feito fumaça...
A educação tem-se que trazer de casa, pois cá fora não há não.
E nas televisões, compradas em tantas prestações vamos  ver nossa aclamada seleção...
E a bola vai rolar nos estádios construídos com o sacrifício de nossas mãos,
Desse povo que canta uma triste canção depois de mais um dia de trabalho...
Que tem que se virar nos trinta com o mínimo de um salário.
No final das contas somos todos  brasileiros,
Misturas de raças,
De povo guerreiro...
Mas muitas vezes esquecemos como é que se luta
Por medo? Para manter a conduta?
Não sei dizer...
Talvez a culpa seja desse título que nos força a sermos eleitores.
Promessas e promessas de analfabetos e doutores...
Que nos prendem em correntes invisíveis que arrastamos por toda uma vida,
Nesse círculo vicioso sem aresta para saída.
E a senhora presidente vai aparecer mais uma vez contente dizendo que o Brasil é o país de todos...
E quando a  bola rolar vamos esquecer nossas mágoas e todas as lutas e tantas batalhas...
Vamos mais uma vez crer...
E sorrir...
E viver...
Nessa terra que filho chora e mãe não vê. 


Raquel Luiza da Silva.