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sábado, 30 de maio de 2015

Labirinto.

Aquela dor não era minha, derramada na alva folha pela tinta negra que gritava o sofrer, por entre virgulas e pontos, estrofes e versos...
Aquelas lágrimas não eram minhas, a cortar a face, gélidas doentias.
E cada grito de dor ou prazer, quebrava a vidraça invisível dessa mente cansada...
Palavras, palavras, palavras...
E não sei de onde surgiam tantas vidas, vividas em momentos de lucidez extrema, mistura de sofrimento e euforia, diante de minha alma serena.
E a união que se fazia entre minha realidade e a outra parte extrema, me imortalizava no doce alívio de poucas linhas entrecortadas por estrofes e versos,
Eu o ser pensante,
A outra parte o ser errante...
Tocando o céu do invisível de forma angelical,
Com dedos de poeira de um ser mortal,
E a outra parte o infinito, contido na morta folha, viajando pelo invisível.
Naquela mistura de doces delírios, de vidas traçadas á tinta,
De vidas contadas em sentimentos,
Alegrias e tormentos,
De anjos de papel,
Eu o criador de tão humano céu.
E ao findar de laboriosa campanha,
Sete dias de descanso não sei,
Sou de Deus apenas semelhança, nada mais...
E talvez de um sopro,
Chegarei ao contorno dessas vidas sem corpos, de tinta,
Que de minha mente não saem.


Raquel Luiza da Silva.