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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rebeldia da palavra.




Rebelar de sentimentos,
Sem noção de ser,
Se é ou não é, eis a questão,
Questão que ronda o coração,
Que impregna a mente,
Sem tino,
Sem nexo,
Sem sexo,
Pedaço de desejo escondido no peito,
Parcial romper de princípios,
Metade heterogenia da maçã,
Delícia de um único paraíso,
Palavras distorcidas emolduradas na parede do destino,
Faça se a luz!
Não a luz de néon das noites amantes,
Mas a luz da mente,
Numa seqüência de bang bang,
Acertando com tiro certeiro a sorte,
Coisas sem noção de ser,
Se é ou não é...
Impregnando a mente,
Sente,
Invente,
Tente,
Junção de palavras,
Esperma mental fertilizando a criação,
Explodindo-se de várias formas,
É a letra,
A nota,
A canção,
E assim faça-se a luz!
Não a de néon...
Talvez nem seja a da mente,
Mas aquela que prende no papel,
O que deveras sente.

Raquel Luiza da Silva.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Doce ingenuidade...


Angelina entrara correndo na sala, trazia as mãozinhas fechadas em formato de concha.
_O que é isso menina?_A avó dona Xica indagou.
_Minha história.
_Uai! História?
_È, a professora, disse hoje que a gente tinha a nossa história na palma da mão.
A velha senhora riu.
_Então o que faz com as mãos fechadas?
_È que eu não quero que a minha vá embora com o tempo!

RAQUEL LUIZA DA SILVA.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Á respeito da Desilusão.


Não existe profilaxia para tal mal, estamos todos sujeitos á ele, mas só se pode conceber vacina para certos males do corpo após observar a agressividade com que ataca o organismo, o mesmo acontece com a alma, só se saberá criar uma real defesa quando se instala em nossas vidas e sua agressividade nos obriga a criar anticorpos para que não desistamos de seguir...
“A dor é imensa, mas mais imensa é a vontade de se livrar dela, ou se luta ou se entrega, a batalha da alma contra males é como a do corpo, temos barreiras naturais que nos dão apoio, desistir ou não depende da fragilidade da qual dispomos e se entregar ou persistir é só uma questão senso”.

Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Á respeito da Morte...


É algo tão repentino para nós humanos, mas de tal forma bem orquestrado pelas mãos do Criador.
Pouco se tem a falar á respeito, porque nunca se saberá ao certo a imensidão de si e tão pouco me atreveria á descobrir...

Raquel Luiza da Silva.

Á respeito da Amizade...


Tão inexplicável e que se explica em um sentimento mútuo que se perpetua por entre os anos, atravessando o tempo sem perder o brilho, aplainando frestas criadas pela incompreensão, preenchendo vazios da desilusão, assim é a amizade, tão valiosa, por isso não se pode estimar seu valor, forma incondicional de amar, onde se doa sem nada esperar, e espera pelo simples gosto de se doar.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Á respeito do Amor...


A INGENUIDADE DE SUA ALMA SE IRMANA Á MINHA E JUNTOS COMPLETAMOS O UNIVERSO QUE A NÓS PERTENCE E NO QUAL NOSSOS CORAÇÕES SE TORNAM UM, NESTE SENTIMENTO INCOMENSURÁVEL QUE É O AMOR.



Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Voltando para casa.




Hoje, sei lá, me deu vontade de ter asas,
Por alguns instantes voltar para “casa”,
Não a casa de concreto, aços, madeira e pedras,
Mas aquela que quando fecho os olhos pelo meu retorno espera.
Um lugar só meu,
Onde o incômodo é algo distante,
E o futuro ocupa espaço vazio no porta retrato na estante,
Onde cada cômodo é coberto pela brilhante poeira da saudade,
Onde por vezes a tristeza me invade,
Não aquela tristeza ruim, mas aquela que só se sente quando não se quer partir,
E lá em “casa” eu me torno, me viro, de tal modo que ajo por instinto,
Abraçando cada momento, dançando com o vento,
Como que levada pelos sonhos sem fim,
Deixando transparente tudo o que existe dentro de mim,
E é tão belo poder voltar para “casa”, que sempre o faço aliviando meu cansaço,
Exprimindo minhas reais emoções,
Que por vezes acho que tenho dois corações,
Um que me segue no presente diário
E outro com o qual viajo numa bela e terna canção,
Voltando sempre para casa, de nome recordação.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quando o amor acontece em apenas um coração.


Palaciano sentimento de um coração em desalinho,
Abre se á voz do vento, encubado em seu ninho,
Falam-lhe de amores heróicos,
De amores insanos, que povoam sentimentos,
Que correm além dos anos, perpetuam além do tempo.

Num peito que de esperanças vive,
Povoa pensamentos em deslize,
Sofrendo entre o que é real e o que é ilusão,
Abrindo-se em pura decepção.

Pensamentos tão profundos,
Suavizam de modo sem desejo,
O que rompe na mente, o que explode no peito,
Desintegrando em partículas sóbrias,
O que não se pode solidificar.
Abrindo na memória o que não se pode lembrar.

Fatal adaga invisível,
Lâmina de transparente aspecto,
Fecha os olhos ao perigo, os abre no abismo incerto,
Em pegadas sobre folhas mortas,
Rastejar por entre terras tortas,
É a secura da imensidão,
Do que não se pode dizer ao coração.

E o peito é a morada de tais sentimentos,
Sôfrego aspirar em desalento,
Fábula de sonhos em tormento,
Cala-se a boca ao puro sentimento,
Que se dobre em respeito á verdade,
Mas não sabendo o valor de sua vã sanidade,
Desprendendo-se de todo ardil,
Fazendo poemas sob o céu em anil.

E abre-se a alma, sem saber o que lhe abala,
Dizem que o sentimento tudo acalma,
Seguindo a sonhar com o que lhe é tão caro,
O coração às vezes aspira pelo que não pode ter,
Que de tão puro lhe chega á doer,
Implorando pelo que não é seu,
Se debatendo como febril sonhador,
Só quando acorda é que descobre que não se pode aprisionar o amor.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Memórias.


Não sei se ser gente grande é coisa boa,
Deixar para trás pequenos sonhos e pessoas,
Esquecer as cantigas de roda,
As brincadeiras de toda hora,
E então é hora de levar tudo á sério,
Ter medo de coisas além do escuro, porém sem mistérios.

O coração se torna pequenino no peito,
Ao descobrir que tudo e todos têm defeitos,
Outrora os olhos só viam a beleza, que aos poucos toma fim,
A saudade vai tomando formas reais, se apossando de mim.

Vai ficando na saudade, correr pelos campos...
As terras da bisa Raquel, que hoje apenas nos observa do céu.
Não me esquecendo da vó Luiza, de quem também herdei o nome, seguindo nessa vida.
Pouco me lembro do vô Manuel, era cheio de histórias e ainda ficará na memória.
Mas ainda posso saborear as delicias, feitas pelas mãos de fada da tia Dica,
Que me fazem lembrar da infância querida.

É bom parar e olhar para trás,
Lembrar que fui muito feliz, sendo medo de o ser,
De forma completa sem pontos nem finais,
Amando acreditar que o tempo é eterno para nós, simples mortais.

E assim cresci e cresço, acho que me tornando gente grande,
Abraçando as maravilhas da vida,
Não me esquecendo que fui criança um dia,
Levando no peito eternas esperanças,
Acreditando que serei feliz para sempre nesse viver,
Porque decidi que nunca mais ei de crescer.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sou de Minas!


Uai sô, sou de Minas,
Onde você é ocê,
Senhor, sim, é sinhô,
Onde o sol nasce na serra,
Beijando a terra fértil e bela.

Sou de Minas,
Onde tem leite de vaca tirado na hora,
Tem jambo doce na árvore lá fora.
E lá da cozinha a vó descobre meu desejo.
_Olha o pão de queijo!

Uai sô, sou dessa terra,
Mãe de almas, mãe de poetas,
Tem também seresteiros,
Boiadeiros, doutores, escultores e carreiros...

Minas bela, pariu tantos talentos,
Homens e mulheres nessa terra de alento.
Subiu o morro, desceu a serra.
_Lá vem a maria fumaça,ah que saudade...!
Na estação alguém espera.

Ouvi a melodia da seresta,
Alguém me falou do poema, da pedra,
Nunca vou me esquecer de Drummond, o poeta.
Chamei minha saudade para tanto lembrar,
Ergueu-se na mente o menino presidente,
De Diamantina, JK.

Eita que negra risonha,
É a Xica, também de Diamantina,
Requebrosa, toda sestrosa...
É o passado vestido de presente,
É a beleza das histórias da gente.

Temos lendas á correr na veia,
Devia parar e ouvir sobre o Santo Antônio de Gouveia.
E é assim que se vive de sonhos,
Nessa terra de tantos e tantas.
Nasce em outras "fontes" água que boi não bebe,
Lá nas terras do Príncipe,
Onde tem o melhor queijo,
Tem também tanta cultura, o povo do Serro.

Uai sô, sou de Minas,
Terra de paisagens lindas,
Do Velho Chico, que alimenta pobre e rico.
Da oração na noite se São João,
E quando se vai embora,
Da saudade, que no peito aflora.

Minas de Tiradentes,
Salve todos os inconfidentes!
Da beleza das igrejas,
De índios, caboclos, da mãe preta,
Terra que a todos abraça e de quem aqui fica ou passa.

Uai sô, sou de Minas,
Sou pura paixão por essa terra,
De belas cascatas, belas serras,
Do dito e do lembrado,
Do sonho e do legado.

Sou de Minas,
Menina faceira,
Terra altaneira,
Aquela que quem conhece não esquece jamais.
Uai sô, sou de Minas Gerais.


Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Da lembrança.




Uma das várias imagens que povoam minha mente e talvez seja a mais marcante é a do meu avô Geraldo Biana, junto ao portão com seu olhar triste á observar o movimento da rua por entre as grades de metal, seu corpo franzino a deixar sombra sobre o passeio de concreto, seus olhos cor de mel pareciam mergulhar num infinito que só nos era permitido ver até se encontrar com o escuro asfalto a arder sob o quente sol e era capaz de assim ficar por várias horas, e tal ato só era interrompido quando passávamos e lhe tomávamos a benção, coisa que eu fazia sempre que passava por lá, duas, três, quatro...várias vezes por dia, não por mania, mas por achar tão belo o soar daquela voz rouca e doce á dizer : “Deus te abençoe.”
Interessante como só fazemos jus da beleza dos momentos quando eles se vão, hoje percebo como eram preciosas àquelas horas em que meu avô se sentava no sofá da sala, de um lado deixava o velho violão, enquanto em sua pequena sanfona tirava melodia “Asa branca” e baixinho com voz sumida cantava a tristeza daquele nordestino á observar a terra torrar sob o quente sol obrigando-o a procurar outras terras p/ ser feliz, mas ao mesmo tempo embalado pela sua paixão que o esperaria voltar um dia.
Quando tive uma paixão repentina pela música que pouco durou, não lhe saia do pé, aprendendo algumas notas que sofregamente tirava das cordas de aço do meu violão, que hoje se encontra pendurado na parede sobre a cabeceira de minha cama e o qual não me encanta mais como outrora.
Outra coisa que me povoa a mente, era a disponibilidade e a tranqüilidade com que ele se nutria ao atender pessoas conhecidas e desconhecidas até mesmo fora de hora que lhe procuravam para que lhes benzesse de alguma enfermidade, e lá ia ele, com sua calma de sempre fazendo suas orações, apenas no movimento dos lábios em silêncio, era interessante como de fato em poucos dias o enfermo já se encontrava são, posso dizer isso com certeza, pois era eu uma de suas freqüentes “pacientes”.
Hoje, são apenas lembranças, sempre consciente que não mais verei a imagem franzina do querido velhinho á refletir sua sombra sobre o passeio de concreto e nem seu olhar triste indo de encontro ao negro asfalto, porque meu “vô” hoje está em um lugar que ele piamente acreditava e fazia questão de nos falar sobre ele, para onde vão as almas boas, um lugar que não existe dor e onde ele durante toda sua agonia deve ter almejado estar, e creio eu que ainda nos olha e abençoa de lá, com a mesma doçura que nem mesmo a dor do câncer lhe roubara ao dizer “Deus te abençoe”.
Para mim meu “vô” Geraldo sempre será eterno, porque a profundidade da presença dele em minha vida é algo que vai bem além do que se possa imaginar e só quem o conheceu poderá entender que conviveu com um anjo, cujas asas voltara um dia para buscar no céu e de lá não mais regressou, porém além de saudade deixou seus conselhos, suas historias, seu olhar triste...Suas lembranças.
E lembranças são assim, sempre terão um sabor de saudade e de vontade de voltar no tempo e pedir para que ele não passe nunca, a fim de conservar momentos e pessoas que nos são preciosos e que ao longo de nossa vida sempre deixarão suas marcas.


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Da tristeza.


Nem sempre a tristeza é um sentimento ruim, como muitas vezes denominamos, e assim o fazemos erroneamente porque não sabemos controlar suas proporções em nossa vida e tão pouco compreendemos que depressão é quando nos aninhamos na demasia desse sentimento que se torna doentio, porém quando superficialmente o espelhamos em nossos momentos, de forma equilibrada transformamo-o em poesia. Eu sempre me vali desse lado, o de que “Quanto mais triste mais bonito soa” e acabei escrevendo coisas não tão ruins e que já me valeram preencher algumas páginas em antologias poéticas.
Sempre tive na imagem de um grande poeta mineiro o apego e o zelo pela tristeza moderada, transformando aquela dorzinha chata e incômoda em pérolas literárias, foi ele, quem um dia disse que havia uma pedra no meio caminho e eu entendi á minha forma, ou seja,eu poderia parar diante dessa pedra, salta-la e seguir em frente, mas sem carregar muita coisa comigo, viver girando em torno dela, decidindo o que fazer, pisá-la e me gabar disso, ou simplesmente apanhá-la e seguir com ela, tendo em mente que é melhor ter uma pedra “nas costas” que na consciência e que com ela eu poderia construir novos mundos fragmentando sua solidez e tornando-a maleável conforme a lembrança do sentimento que me pesasse em forma de pedra. E nos versos muitas vezes melancólicos de Carlos Drummond de Andrade aprendi á ver quão belo é saber moderar a tristeza, aprisionando-a a fim de que me servisse, fazendo com o que meus sentimentos tomassem forma ante os olhos de quem se atrevesse á viajar em meu universo intimo, porém aberto á todos.
Também não é necessário que sejamos tristes o tempo todo para criarmos algo bom, a alegria também nos inspira com suas matizes contagiantes, e de igual forma nos abre as portas da imaginação.
Certa vez me indagaram sobre meu recolhimento contínuo para escrever e ler, insinuando que era depressão, bom... erroneamente pensam que estar em casa na agradável companhia de um bom livro é manifestação depressiva, mas eu não consigo ver de outra forma a não ser a de conhecermos a mentalidade e os mundos de pessoas que expressam de forma apaixonada e apaixonante o que lhes vem de dentro, seja do coração ou simplesmente da mente e que levariam a eternidade se o fossem viver.
Sempre tive consciência que apesar de um livro ser uma boa companhia nunca substituirá a presença humana ou de qualquer um de seus atos, mas também não esqueço que é uma das melhores formas de aprendizado. Confesso que sempre tive um pouco de medo das pessoas, por isso desde os 9 anos de idade me descobri apaixonada pela leitura, ao ler a “Luneta Mágica” de Joaquim Manuel de Macedo, em que fala da hipocrisia humana em suas diferentes formas e de como se espelha em nossas vidas, falando da miopia moral que nos turva as vistas do entendimento. Vindo da biblioteca do Sargento reformado da PMMG e advogado José Gomes dos Santos ou simplesmente nosso tio Zezé, pessoa maravilhosa e que eu admiro ao extremo apesar de não mais estar entre nós.
E voltando á tristeza, assunto que me inspira á escrever hoje, creio que exista uma certa tendência em querer afastá-la quando mais fácil é transformá-la em algo proveitoso e visivelmente sensível e belo, eu bem que tento, pelo menos é uma forma de levar comigo a pedra que está em meu caminho, ciente que de alguma forma em algum momento ela me servirá quando for necessário usá-la propícia e oportuna, agora, se assim não o for, simplesmente a descerei “das costas”, me sentarei sobre ela e esperarei o tempo passar, na beleza triste a qual espelha os olhos e as palavras de tantos poetas que se fizeram em poesia para mostrarem a beleza da tristeza que traziam consigo, transformando um sentimento sem valor para muitos em reluzentes pérolas poéticas.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 12 de setembro de 2009

Pequenino grão de Ouro.


Felicidade é algo que se desenha de maneira singela com traços firmes, certa vez me pus á pensar como algo tão complexo e cobiçado se apresenta nos pequenos gestos da vida...como abraçar alguém que não se via á tempos, num beijo desejado, ou num simples bom dia pela manhã de pessoas que amamos.
Por um bom tempo pensei que felicidade fosse ver a perfeição das coisas, como amigos sinceros, ter tudo que sempre desejei de maneira fácil e rápida, fazendo as coisas á minha maneira.
Então descobri que só pensamos em certos assuntos quando perdemos o sono ou quando ele de alguma forma nos incomoda, por estarmos distantes ou por simplesmente estarmos distantes, o que não é o caso agora.
Felicidade, tenho sempre o prazer de contemplá-la de minha janela, parece que me acorda todas as manhãs com seu incansável convite”Venha viver!”, claro que nem sempre a ouço, ás vezes cubro a cabeça com o pesado cobertor do mal humor, porém sei que ela vai estar lá, do outro lado da calçada, esperando o momento certo de me ver na janela á sua espera.Descobri isso porque quando algo dava errado em minha vida incansavelmente me julgava ser infeliz, então fazia coisas simples que me davam novamente o prazer de ser feliz e assim deixava para trás tudo o que me anuviava o dia.
Certa vez estava eu á porta de uma loja em Serro, lembro-me bem, usava um vestido longo de cor areia com ramagens verdes, iria ver um “amigo”numa cidade próxima, uma certa decepção que fora contornada por um pequenino gesto proporcionado por um garoto portador de síndrome de Down que se aproximou segurando uma pequena rosa já murcha e me disse:
_Moça bonita, posso te dar um beijo?
Desci da parte alta para que ficasse mais á sua altura, já que por estar usando saltos lhe seria impossível alcançar meu rosto, curvei-me e ele reclamou:
_Cabelo não!
Achei engraçada a frase que soava quase como um pedido para prender os cabelos e assim o fiz e novamente curvei-me.
_Agora sim!
Em seguida estendeu-me a pequena rosa murcha e com um sorriso saiu brincando com as pessoas que estavam á porta das outras lojas, fiquei a olhá-lo, com sua felicidade tão inocente e contagiante, e quando minha decepção se tornou real na cidade vizinha, pude me lembrar do garoto, com seu sorriso, e de alguma forma ele iluminou meu coração, porque eu não poderia me permitir após um beijo puro que havia recebido horas antes ser triste, e então me vi como aquela pequenina rosa,porém...Voltando á vida e melhor, feliz!
Então mais do que descobrir que podia pôr-me de pé após uma queda, aprendi que felicidade é um pequenino grão de ouro, que reluz como o sol numa bela tarde de verão, mas que nos permite ver e sentir o frio de certas ocasiões, para que descubramos seu real valor, tão valiosa e tão presente que com um simples beijo é capaz de aliviar dores que seriam bem maiores.
Felicidade é assim, tão sem explicação que nem vale á pena descobri-la, porque se assim preferirmos perderemos a oportunidade de vivê-la tal como é.

Raquel Luiza da Silva.

Á São Jorge...


No reluzir de sua lança,
Tomba toda força armada,
Vindo primeiro do céu,
Firmou na terra seu apogeu.

Guerreiro destemido,
Transforma em leão o mais frágil menino,
Pisando em serpentes, matando dragões,
É a força dos céus, a luz dos corações.

Selando a paz,
Guerreando contra inimigos ocultos,
Sê sempre merecedor de títulos,
Nosso bom amigo, sempre justo.

Senhor dos metais,
Traz paz aos nossos tormentos, ouve nossos ais,
Filho da lua,
Acalma tormentos do sol ou da chuva.

Sob os cascos de sua fiel montaria,
Protege-nos noite e dia,
Sê a força em nosso caminho,
Abre-nos os olhos diante do inimigo.

Salve guerreiro do céu,
Salve guerreiro da terra,
Protetor dos que em Deus esperam,
Mostrando que seu auxilio á nos prospera.

Salve Jorge Guerreiro!
Salve Padrinho!
Luz permitida em nosso caminho.
Sei que contigo ñ estarei nunca sozinha.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Se calhar...






Tipo assim...
É fácil pegar carona na calda de um cometa.
Aprender a andar de monareta,
Pular em um pé só,
Cantar a vida em fá, sol, lá, si dó...

Tipo assim...
É complicado entender a alegria,
Azar pra lá, sou mesmo amante da vida,
Não quero saber como é, ou como será,
Bom mesmo é contemplar o dia se findar.

Tipo assim...
É bom sentir o frio na coluna quando se vai beijar,
Se me calhar, nadar nua no mar
É feio?Proibido?Ah...Sei lá!
O tempo voa, porque não ousar?

Tipo assim...
Gostoso é curtir o som,
Os sonhos em diferentes tons,
De Jobim, D2, Zeca e Caymmi...
Se me calhar as coisas são assim,
Calma!Não é o fim!

Tipo assim...
O relógio só marca as horas,
Mas eu faço as coisas acontecerem sem demora,
Vamos embora!
Ainda há tempo de ver o bêbado equilibrista lá fora.

E se me calhar...
Vou deixar o tempo passar,
Vou sorrir e vou chorar,
A juventude se finda e não vai esperar.

Então, tipo assim...
Vou me embora, roendo as unhas do tempo,
Com cabelos soltos ao vento,
Nessa grande esfera chamada terra,
Vamos embora, a juventude se finda e o tempo...
Quer saber?
O tempo não espera!


Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alma...

Às seis e meia da tarde do dia 20 de junho de 2009, Neda Agha-Soltan foi alvejada e morta por membros da milícia Basij (Irã 2009)
"Vozes caladas,
Ventre aberto,
São os olhos que choram,
É a fé que fenece.

Passos surdos,
Lágrimas empoeiradas,
Soluços profundos,
São as dores do mundo.

É o corpo que tomba,
O sangue que molha a terra,
É a ganância do homem,
São as marcas da guerra.

É a foto estampada no jornal,
São os corpos despidos da vida carnal,
O regelar do frio da dor,
É a luta por ideais, a disseminação do terror.

Revolta contida,
Raiva escondida,
Corações sem esperança,
Falta percepção para tanta matança.

Destroem em nome de “Deus”,
Em nome de um governo...
É a lembrança,
A Era do medo.

E se é difícil acreditar que somos racionais,
Nome de homens, almas de animais,
Consumindo o mundo,
Tapando ouvidos para gritos mudos.


Vozes caladas...
A fé que fenece.
O corpo que tomba,
A alma que padece.

E ainda se fala em liberdade,
Alcançar a paz para a humanidade.
Em corpos de seres racionais,
Com nomes de homens e almas de animais."

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bela Dona.


E então a Bela Dona se veste com seus trajes nobres,
Seus saltos carmesim á ricochetearem sobre as pedras soltas da praça,
Em algum canto alguém á espera, será um amor?
Será uma farsa?

Ela segue por entre ruas vazias,
É solitário o coração que bate-lhe no peito,
Alguns gatos vagabundos ainda namoram os resquícios da lua,
E ela segue só por entre ruas.

Ajeita o casaco de peles sobre os ombros,
O frio parece incomodá-la,
O vento assanha-lhe os negros cabelos,
Negros tal como a noite que lhe veio.

Ela tem o olhar sempre á frente,
Nada a incomoda, parece decidida,
Vira á esquerda de uma esquina,
Respira fundo antes de seguir sua sina.

O lugar está escuro,
Seu toque na madeira da porta é firme,
Aguarda, respira fundo,
Será ali o fim de seu mundo?

Ajeita novamente o casaco ao ouvir a porta se abrir,
O cheiro de perfume de mulher invade-lhe as narinas,
Aquilo á incomoda, mas de alguma forma á anima,
Sorri ao homem á sua frente, sente-se como uma serpente.

Ele não entende o porquê de sua visita,
E ela não a especifica,
Afasta-lhe os braços e entra,
Tudo aquilo era seu, não se agüenta.

Ele a questiona sobre inusitada visita,
Ela se aproxima e sente o cheiro do tronco desnudo,
Seus lábios quase tocam os deles,
Ela o deseja, porém o orgulho lhe mete medo.

No quarto uma voz feminina se fez ouvir,
Ele virou o rosto como indicando que a outra estava ali,
E a Bela Dona chorou por dentro,
O ódio á invadiu como um frio vento.

E antes que ele dissesse algo, transpassou-o com um punhal,
Fazendo jorrar sangue daquele coração que um dia fora seu,
Rasgando-lhe o peito como ele lhe fizera sem usar lâmina,
Apenas ferindo-a como a vida não manda.

E ele tombou ao lodo dela,
A voz no quarto era insistente,
Ela apenas guardou a lâmina no casaco e saiu,
Ainda pôde ouvir ao longe os gritos.

Acendeu um cigarro, ajeitou os cabelos negros,
Chorava por dentro para não borrar a maquiagem,
Respirou profundamente o aroma da friagem,
E seguiu com seu bilhete de viagem.

Apanhou o primeiro trem,
Levando consigo a dor da perda, não da culpa,
Sentiria falta do corpo dele sobre o seu,
Só agora sentia que tudo se perdera.

A paisagem acinzentada do inverno, a enchia os olhos,
Respirou fundo,
Recostou-se na poltrona, despedindo se do mundo,
E após breve silêncio leva a lâmina contra o próprio peito e adormece...


Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ilusão de vida eterna.


Doce ilusão de que a vida é eterna,
Abraça-me a alma, acolhe-me em sua calma.
Tão doce a ilusão de que os momentos bons nunca se apagarão,
Em minha memória de fazedora de histórias.

Abraçam-me de certa forma, meus tantos sonhos,
Aquecendo de maneira irreal o que pouco planto,
Em tantos campos, que de vastos nem sei,
Abrindo-me á vida que um dia direi que amei.

Num saudosismo amplo que nunca se perderá,
Atado na memória da alma,
Sendo de minha mão a palma,
Erguendo-se de tal forma a triunfar, sem medidas num tempo que se perderá.

Dir-me-ei que o tempo foi amigo, não cruel,
Porque nem todo cálice que provei nessa vida foi de fel.
Abraçando a ligeira esperança da eternidade,
Perguntar-me-ei se tudo que viví foi verdade.

Como um doce colibri á namorar as flores do jardim,
Ou a brisa a se iludir com a tempestade,
Passará o frescor da vida como uma miragem,
Espelhada no seio da terra como uma breve paisagem.

Tendo a doce ilusão de que a morte é doce namorada da eternidade,
Sentencia, não invade,
Abraça com seu véu negro, mas não rouba, não tira o respeito,
E nos levará á bailar para mundos sem fim, em algum lugar, que não nos permite questionar.

E então o grande livro da vida se fechará,
Deixando á mostra o que vivi e o que almejei em sonhos,
Não para que sigam o caminho que segui,
Mas que aprendam como eu, que a vida é livre feito um colibri.


Raquel Luiza da Silva

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Oh doce lua...


Oh doce lua!
De incontáveis mistérios,
Embriago-me com sua doçura nesta terra,
Alimentando minha alma de poeta.

Oh doce artificial!
Da melancolia é puro cristal,
Amada pelas águas do mar,
Natural na arte de fazer sonhar.

Oh brilho intocado!
Que tens o homem em seu solo pisado,
Sem tirar de ti o esplendor,
És ainda o astro do amor.

Oh criança risonha!
Espalhando seu brilho na vida de quem sonha,
Será do guerreiro Jorge a morada?
Ou de ti se apossou como amante, eterna namorada?

Oh bela fidanzata,
Sua beleza aos amantes embriaga,
Rimada em versos e prosas,
Seja cheia, minguante, crescente ou nova.

Oh menina faceira!
É cantada pelo apaixonado seresteiro,
Que com sua doce voz te vem brindar,
Exaltando-te em sua arte de amar.

Oh doce...
Oh doce lua!
Amante dos ternos vagabundos,
Que esperam a ti desposar.

Oh doce ilusão!
Doce como as ondas do mar,
Fazendo caminhos na terra,
Se tornando inspiração aos que fazem da vida a arte de amar.

A cena.


_Quero uma vida inteira ao seu lado. _Disse o apaixonado á sua amada, ela suspirou olhando-o nos olhos e com a voz suave devolveu.
_E eu quero adormecer em seus braços e acordar com seus beijos, até que a morte nos separe.
A lua artificial no céu e as estrelas de néon davam um tom tão real á cena que quem não prestasse bem atenção julgaria que tudo aquilo era verdade, até o amor entre aqueles dois atores que traziam á tona ali no palco daquele teatro uma coisa que aos poucos está se tornando tão distante, o amor verdadeiro.

RAQUEL LUIZA DA SILVA.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Onde chegar...


Tantos pés pisam o chão,
A terra sobe numa nuvem vermelha,
São homens, mulheres, criança, animais...
São estradas a percorrer, é o vazio causado pela intolerância pela ignorância.

São cordões de gente sem fim à procura de refúgio,
Cordões de soldados com suas armas em punho,
Marchas pelas estradas, enquanto os grandes tanques sulcam a terra com seu ódio metálico e frio,
A mesma que em breve sepultará corpos que já não mais valem nada.

Sons de tiros, choros incontroláveis ,
É o dito pelo não dito, a vida que some, que se consome,
São as estradas que seguem sozinhas, estradas de mulheres, de homens...
São pés que não deixam pegadas, pessoas renegadas, da sorte azarada, são pés nas estradas.

É a chuva que cai fria, que lava o suor atrás das barricadas,
É o sol que arde que queima e que fere, mas não toca a alma,
É a fadiga reprimida no calor da batalha,
É a dor latente que dilacera que se prospera,
São corpos, restos, mortos esquecidos pelas estradas.

Estradas, caminhos destinos, vidas salvas...
É o dito pelo não dito, um novo dia,
De caminhos interrompidos de vidas acabadas,
Despedidas e lembranças é o que resta da caminhada.

Enquanto muitos seguem sem fé, sem nada,
Os noticiários reportam a paz acabada
Que resume a vida em pés nas estradas,
Vida e morte unidas num mesmo lugar,
São rostos... Corpos a espera do cessar de todas as guerras do mundo, para que a paz seja a única razão do seu caminhar.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Melancolia


Tudo em mim converge para um ponto,
Nunca sei se é finito ou é infinito,
Mas é algum lugar em alguma parte,
Que de alguma forma me faz crescer, empunhar meu estandarte.

Nem sempre vejo beleza nas coisas,
Nem sempre minha poesia tem rima,
Nem sempre eu acredito nas pessoas,
Nem sempre acredito na vida.

Às vezes me cansa sorrir,
Ás vezes me é doce chorar,
Posso crer ou não acreditar,
Penso se é algo bom, sonhar.

Minhas asas imaginárias ás vezes se partem em mil pedaços,
Meus olhos que vislumbram outros mundos se cansam, ofuscam,
Meu coração de criança se prostra,
E eu me pergunto, será mesmo que o futuro se esconde atrás da porta?

Não coloco a culpa nos governos,
São homens, humanos,
Nunca se lembrarão de serem divinos,
Talvez nunca descobrirão o que é ser imagem e semelhança do Cristo.

É a vida,
Nem sempre a que quero,
É a vida,
Nem sempre a que espero.

É nos momentos de melancolia que vejo a beleza da vida,
A que não precisa de euforia para ser bela,
Mas a que se torna bela por ser feia,
Se mostrando tímida, com focos de luz encoberto por teias.

E então, começo a parar de pensar,
Sinto o cansaço a me pesar os dedos,
Amanhã será um novo dia,
Vale a pena acordar cedo.

E então descubro que o sono é a morte experimental,
O corpo jaz inconsciente,
A mente deseja o que a carne não sente,
E assim a gente repousa, num silencio que não é para sempre.

O sempre é o momento presente,
Em forma de lembrança,
Guardado em caixinha de coloridos retalhos,
Como criança guarda sua infância.

Então descubro que às vezes me tornar triste é uma arte,
Que me carrega por toda parte,
Sem me privar de acordar,
Talvez nem todo mundo saiba com essa arte lidar.

Porque a poetisa que habita em mim tem a alma dos anjos,
A insensatez do mais vil pecador,
A mente de quem não dorme nunca,
E no peito a pura semente do amor...


Raquel Luiza da Silva.