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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um tempo de solidão...


Um tempo de solidão para encontrar um pouco de si,
Às vezes é preciso deixar-se,
Às vezes é preciso abandonar-se,
Nem sempre um encontro é feito de abraços,
Nem sempre braços vazios significam uma partida,
Um tempo de solidão...
Para entender o significado das coisas,
Para entender a importância de estar consigo mesmo,
Anos de dedicação á coisas, á pessoas...
E esquece-se de seu interior,
E esquece-se de que precisas estar...
Apenas consigo mesmo.
Muitas seriam as curas,
Muitas seriam as descobertas,
Muitas seriam as realizações,
Se você tivesse um pouco de solidão,
Seria capaz de ver quando hoje de manhã alguém orava enquanto dormia,
Seria capaz de perceber que na hora do jantar preparam o prato que você gosta e não fora por coincidência,
Seria capaz de perceber que o desenho afixado na geladeira foi feito unicamente para você,
Seria capaz de perceber que sobre a penteadeira havia um novo frasco do seu perfume preferido,
Seria capaz de ver que a chuva não apenas molhava seus sapatos e calças, mas que por ela sementes se tornariam alimentos para várias pessoas, inclusive você,
Seria capaz de entender o calor das lágrimas que lhe molharam o ombro,
Seria capaz de...
Seria capaz simplesmente de entender que não poderá amar aos outros se não ama á si mesmo,
Que jamais conseguirá externar sentimentos que realmente não sinta,
Porque seus sentimentos fazem o mundo ao redor de si,
Basta que tenha um tempo de solidão,
Basta que tenha um tempo consigo mesmo,
Só assim entenderás o tamanho da ausência que fazes para o mundo,
Quando estás consigo mesmo.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Viver cada dia como se fosse o primeiro...


A vida para mim tem cheirinho de caixa de lápis de colorir novo.
Sabe quando a gente vai para a escola pela primeira vez?
É isso, levando aquele medo de tudo, do tudo que não conhecemos, mas quando se abre a mochila lá está ela, aquela caixinha de papelão fino, toda colorida á guardar nossa ambição infantil, os lápis de colorir, com aquele cheirinho...Cheirinho bom de novidade, de desejo, de sonhos...Daí cada dia de aula passa á ser o primeiro, só que sem os medos de quem inicia, que foram dando espaço ás novidades, á primeira letra que surge meio torta no papel, ao tapetinho colorido de ouvir histórias, as historinhas da tia, a tia que não faz parte da família, mas é tia, do quadro negro que aos poucos vai se enchendo de ensinamentos á casa risco de giz, dos amigos que aprendemos á valorizar, da partida que traz saudade e que se aprende á controlar, e sobre tudo, dos sonhos que se começa á ter e a se desenhar de forma concreta á cada etapa da vida, á cada vitória, á cada derrota, em cada recomeço...
Para mim a vida sempre vai ter aquele cheirinho bom de lápis de colorir, reservando surpresas á cada traço no papel, porque esse é o cheirinho, do sabor de começo, aquele que deve começar á cada dia, de fazer uma caminhada sem pensar no fim, fazendo as coisas acontecerem como se fosse a primeira vez nessa grande escola chamada vida.
Porque o tempo não para, mas você pode parar no tempo e nunca deixar passar uma fase maravilhosa que é aquela em seu mundo está dentro de uma caixinha de lápis de colorir, reservando toda magia e beleza que o mundo possa lhe oferecer, temos que crescer sempre, carregando conosco a essência da alma infantil, colorindo cada canto e recanto da nossa vida com as cores que estão dentro da caixinha imaginária que guarda á tudo o que podemos imaginar ou não, ouso a chama-la de coração, o lugar onde se pode externar todas as cores para colorir a alma das pessoas, porque não apenas vivemos no mundo, nós somos o mundo e se quizermos e acreditarmos podemos vê-lo sempre com a beleza da primeira vez.

Que o Novo ano que se inicia traga variadas cores p/ vc que acredita que cada dia que se inicia é o primeiro de sua vida e p/ que ñ acredita p/ que a perseverança em seus atos possa levá-lo á acreditar um dia.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Coração de poeta.


"Não tenho coração", descobriu o poeta certa vez, de tanto sentir as dores e o amor alheio esqueceu-se de sentir suas próprias dores e viver seus próprios amores.
Pensou ele ter sete vidas, planejou vivê-las com o suave timbre melancôlico das almas perdidas no vácuo das lembranças, misturando os amores infinitos que ouvíra ao longo de sua existência, porém no fenecer do dia, a noite passou a ser sua real companheira, via que nem sempre o que estava á sua frente era real como se imaginava, ou os dias eram tão efêmeros quanto o suspiro ao sair dos pulmões, e ele começou á perder o sentido das rimas, viu-se no espelho tal como reflexo do que trazia no peito, a velhice de seus planos e anseios estampada de forma grotesca no vazio pulsante do peito.
Amou o que era dos outros, viveu as histórias que ñ eram suas e o que lhe sobrou?
Apenas rimas contidas em versos lacônicos espalhadas em empiricas formas que se tornavam ...histórias.
O poeta suspirou, pela primeira vez, notava que sua obra estava a se findar, como as tantas formas de ver o mundo se findavam no ponto final de suas experiências não sentidas, ñ vividas.
Pela primera vez ele notou que suas rimas não rimavam, que seus versos ñ tinham sentido, que o labor de duras horas alí em seu quarto, ñ passaram de vidas mortas, de tempo passado, de vida perdida...
Então o poeta pousou a caneta sobre a mesa, apanhou outra folha de papel e descobriu que era possível recomeçar, justamente quando tudo parecia perdido, ele se encontrou e sentiu que tudo em sua vida tinha sentido,perdeu o medo de sofrer e saiu á luta, a sua luta, aquela que travava com seu intelecto, com seu sentimental e aos poucos percebeu que ñ era o vazio que pulsava em seu peito, mas algo...sim, algo!
Então o poeta descobriu que sempre havia tido coração, apenas ñ o pudera ouvir em diversas ocasiões porque ñ havia tido tempo p/ olhar p/ si mesmo.

Raquel Luiza da Silva

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Liberdade.


A paz a muito almejada se fez por um risco no papel,
Mãos de seda, olhos de mel, diz-se que foi ela,
Princesa de Portugal em terra brasileira,

E dando vida ao sonho,
Sonho de muitos,
Ela deu a liberdade,
Com ar de graça, sem sabor de verdade,

E o sangue que molhou a terra,
Alimentou a ira dos senhores,
Destruiu famílias, dizimou amores,

Apenas com um risco,
Tornou o sonho infinito,
De olhos que não chegaram á ver,
A corrente dos pés correr,

E o risco no papel só não conseguiu,
Fazer compreender porque tanto demorou Isabel,
De entender que homem não se compra e nem se vende,
Que a alma e a cor são inerentes.

Raquel Luiza da Silva.