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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Camuflável.


Não se deixe iludir quando seus olhos tocarem a superfície de um rosto,
Deixe que eles vislumbrem a beleza oculta que não se revela em um corpo,
Tantos foram os que se deixaram levar,
Que se perderam na imensidão de um invisível mar,
Seduzidos pela beleza palpável,
Tão lógica, tão nítida, porém camuflável,
E os olhos por vezes se perdem sem razão,
Na beleza a qual não pode tocar o coração,
E se tornam vazios quando o interior se revela,
Tão cheio de defeitos, tão falso, em novela,
E os olhos nem sempre são capazes de desvendar, o que a beleza de um rosto consegue ocultar.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fim do dia.


Se hoje fosse o último dia de minha vida, queria ficar aqui onde estou a ver o luar,
Tão doce e incansável,
Tão formidável...
Tocando a terra carinhosamente que parecem amantes num ato concreto de lascívia contente,
E assim é como se eu pudesse pintar um quadro na mente, com a perfeição de tantos mestres da arte,
Talvez não...
Talvez eu queira apenas apreciar esse encontro,
No silêncio de um segredo que não quero que ninguém conte,
Sendo embalada pela luz bela e esplendorosa de um astro que se ergue para seu costumeiro show,
Deixando claro que a vida não, mas apenas mais um dia se findou.

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Já não sei..


Não sei que dia é hoje...
Abrace-me para recordar do tempo,
E se essa sanidade perturbadora me levar a razão,
Apenas sorria para que me aprisione no brilho de teus olhos,
É essa eternidade de coisas perdidas que me sufoca,
Tão vazia,
Adormecida num baú sepulcral da mente,
Tão doentio, tão insensato,
É esse entendimento,
Guardado junto ás coisas vazias, num baú na mente,
E se o dia de hoje tornar-se recordação,
Em algum lugar que me faça recordar,
Será a prisão do brilho de teus olhos que me seguirão,
Tão pleno e vertiginoso quanto essa vulnerável razão,
E se o vazio verter-se em palavras...
Apenas tape-me os ouvidos,
Durma ao meu lado,
Para que a mente se esqueça como se escreve momentos,
Desfazendo em nada, tudo que foi o dia de hoje,
No contar das horas...
No passar do tempo...
O que tornar-se-a passado quando chegar o dia de amanhã, que já não sei que dia será.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

...

Quando os sonhos se vão ao longe, é hora de reciclar a realidade.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Felicidade tardia.


Ás vezes sinto que os dias são infinitos,
Que o peso das horas recaem sobre meus ombros como pilares de bronze,
Que cada passo é rumo a lugar nenhum,
Que cada lágrima é dedicada a cada palavra mal dita, mal ouvida, mal sentida...
E que as correntes invisíveis que me aprisionam tem formas dolorosas,
Eu queria ter voz para gritar,
Queria ter forças para partir...
Mas o que me resta além da dor?
O que resta além do que me consome o interior?
Sou como a figura aprisionada no espelho,
Reflexo da carne viva, mas que morre por dentro,
Aos poucos, lentamente...
E tudo nada mais é que um emaranhado de histórias,
Somada a tantas,
No anonimato de um conforto inexistente,
Aspirando a poeira que a liberdade deixa quando se vai ao longe,
Apenas a ver com os olhos embasados de lágrimas a imensidão de um mundo que não me pertence,
Á minha frente convidativo,
Mas tão longe por algum motivo,
E as horas...
Se arrastam, levando sempre um pedaço de mim,
Carregando tantos sonhos,
Tantos sentimentos,
E meus olhos apenas a vislumbrarem,
Na ilusão de uma vida em biografia,
Tentando alcançar o que ao longe se avista,
Tal felicidade,
Tão linda,
Tão tardia.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nota.

Gostaria de agradecer a todos vcs que seguem meu blog, que gostam de passar por aqui e ler minhas simples palavras, ficarei um tempo sem postar devido há alguns problemas que ando enfrentando, mas espero que passem logo e em breve voltarei, caso me surja inspiração não hesitarei em postar.

Abraços, fiquem com Deus.

Raquel Luiza da Silva.



"É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros". (Dalai Lama)

Eu vejo o tempo.


Podes me dar um pouco de tempo para falar desse tempo que passa por mim?
Já nem me lembro bem de como ele é,
Apenas que o sinto tão soberano e senhor de tudo,
Vestido com a beleza dos sois e tão escuro quanto a noite de todos os dias,
Ele é só, apesar de arrastar consigo todo o mundo, todas as coisas,
Não sorri, apesar de ter prazer cada vez que ergue sua mão sobre coisas vivas ou não,
E ele sabe que ninguém o quer por perto, que ninguém quer que leve consigo as coisas que tanto amam,
Mas o tempo...
Ah, o tempo...
Eu me lembro bem, não ouve súplicas,
Não ouve gritos...
Ele é senhor de tudo, e a tudo consome,
E a tudo devorava, com sua boca invisível.
Tão senhor, tão soberano,
Porém com algum tipo de sentimento,
Que verte toda uma vida diante de sua passagem em lembranças,
Creio que as lembranças são uma forma piedosa que o tempo usa para não esquecermos do que ele levou,
Ou talvez seja sua vaidade para nos torturar com tudo que ele abraçou,
Eu vejo o tempo,
Podes não acreditar em minhas palavras,
Podes pensar que a loucura se acomete de minha mente cansada,
Mas toda vez que me vejo no espelho,
Em cada marca que o correr dos dias me deixa,
Eu vejo o tempo,
Tão senhor,
Tão soberano.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hoje não, por favor...


Hoje não, por favor,
Não me incomode com seu desamor,
Com sua falta de fé, de esperança...
Quero ficar no meu canto,
Ouvir aquela canção que falava de um amor eterno,
De coisas que foram e ficaram na saudade,
Não me incomode com a rigidez de suas palavras,
Nem com seus gestos bruscos,
Por favor, feche a janela, não quero ver o dia cinza,
Não quero sentir o frio que regela.
Não me olhe com essa cara de poucos amigos!
Hoje estou de bem comigo,
Devia também tentar,
Não é fácil, mas vale a pena...
Pena que não tenho tempo a perder com a amargura dos dias atuais,
Tenho que me apresar, pois o tempo consome a nós simples mortais,
E é por isso que estou assim,
De bem com essa vida,
De bem com esse mundo,
Suspirando por algo que nem sei,
E você...
Deveria emprestar a esse mundo um pouco mais de amor,
Não me olhe com essa cara...
Hoje não, por favor...

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

No vazio...


No vazio do meu quarto vejo e ouço tantas coisas,
Sei que não as veria ou ouviria se tivesse em meio a uma multidão,
Porque é no vazio e no silêncio que se revelam as visões da mente e se ouve o próprio coração.


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sozinho.


Não consigo lembrar-me com exatidão do momento em que perdi o céu...
Apenas lembro-me da derradeira queda,
Asas perdidas,
Apenas era eu mais um anjo decaído,
Vagando pelos caminhos de uma terra cheia de escolhas,
E então passei a lutar contra meus próprios demônios,
A frequência das batalhas eram as horas que me consumiam,
E por vezes eu obtia a vitória e por vezes eles me venciam,
E o céu?
Passou a ficar tão distante...
Em um limite que me permite apenas vislumbrá-lo através de vagas lembranças,
E essas lembranças aos poucos se consomem, como tudo que o tempo toca,
Canção vazia, notas mortas...
E deixei em algum canto meus aparatos angelicais,
Tudo aquilo que me ligava ao um céu,
Tudo aquilo que me ligava ao divino,
Então provei das delícias dessa terra,
No engano da serpente sedutora,
Provando o néctar do pecado, tal como meus progenitores,
E na revolta dos céus perderam um paraíso,
Algo tão seu, tão preciso,
E meus passos são lentos,
Sem pressa de chegar a lugar nenhum,
Apenas descobrindo o que deixaram encoberto,
E a lentidão de meus passos,
Talvez seja apenas uma forma de marcar caminho,
Para que outros anjos descubram que se perde o céu, quando se é sozinho.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ao meio.


Abdico de metade do meu coração, para que a outra metade viva em paz...
Porém não existe paz pela metade e nem coração ao meio,
Então viverei com um coração inteiro, com sentimentos em permeio.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 28 de novembro de 2010

Palavras soltas.


Hoje não tenho palavras,
Talvez as encontre amanhã ou depois...
Por acaso andam perdidas por ai,
Talvez queiram ser livres num espaço sem fim,
Tão soltas,
Tão loucas,
Procurando se formar por si só,
Com ditos que em nada lembre o esquecido,
Numa liberdade fora do inconsciente de sentimentais,
Abraçando o universo de páginas em branco,
No delírio que não cause espanto em nós simples mortais,
E então tomarão formas,
Letras,
Notas...
E darão vida ao espaço outrora vazio,
Com dizeres carregados de uma desconhecida intensidade,
Se serão verdadeiros ou de pura falsidade...
Não saberei dizê-lo,
Pois palavras soltas, fogem de meu zelo.

RaquelLuiza da Silva.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ausência.


O vazio que toca-me, toma tantas formas, tantos rostos...
Teu só sossego aqui contigo ausente,sentimentos e sentidos vários...
Um misto de verdades e ilusões, perdidos num único momento que se funde, se confunde com o real tormento,
Aqui vês vida, alma e esperança, sonhos do meu bem passado,
E se foi, ainda não sei, talvez tudo tenha adormecido em mim, com vontade de ficar, de nunca partir,
Vivo um drama infindável, ja que dele não posso fugir, mas se um dia te encontrar serei o sol que te guiará.
E tua não será mais a ausência que machuca com real voracidade, a ponto de devorar-me o pulsar do peito e o correr das horas...
Era com o sol e era com as estrelas, que onde agora as minhas ideias se perdem, e era o espaço, onde não é...
E tudo se torna tão lúcido a ponto de me perder em devaneios, plenitude de um algo que não sei se será, apenas está ali, esperando por mim, por ti...
Despertando no frio do abismo da tua ausência é como rodar pelas horas perdidas no meu quarto, recordando cada lagrima que foi tão nossa.
E não sei se serei capaz de refazer-me, voltar a caminhar, agora só, contando passos para chegar, em algum lugar, em lugar nennhum...
Esta ausência de gelo, pedra e silêncio que corta as horas sem piedade, esta ausência infinita de noites e dias não tem final...
É como tentar tocar o oculto com os dedos carnais, é como deixar morrer o coração diante do que não vê a razão, estando tão perto de sentir, deixar viver, fluir...
O tempo passa tão devagar,é a ânsia
de saber de ti, de te encontrar...
O dia arrasta-se, e como na infância,
a mente cria monstros para assustar
meu coração que sofre nessa ausência,
sem saber de ti ou onde te procurar...
E apesar de toda essa angústia apenas uma coisa sei, sempre estarás viva em mim, sempre fará parte de minhas lembranças, ainda que ande só, terei tua imagem viva em mim.
Eu odeio o facto de teres me tornado uma pessoa fria,
Para todo resto do mundo, menos para ti
Eu gostaria de aos olhos dos outros não parecer vazio
Mas tu roubastes meus sorrisos e guardas-te-os para ti...
Num lugar que desconheço, talvez junto com tantas outras lembranças, enquanto que para mim,tormentos de ilusões, restaram apenas a ausência num vazio de recordações.




Nandinho Silva(PT) e Raquel Luiza da Silva

domingo, 21 de novembro de 2010

Lágrimas.


Se hoje o céu se fechar e uma gota lá do alto cair,
Guardarei-a como doce tesouro,
Para lembrar que o céu também sabe chorar.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mundo de todas as raças.


Sei que há um tempo por vir,
Onde todos seremos irmãos,
Onde os pés pisarão a terra sem feri-la,
E o fim do dia será promessa de um novo amanhecer,
As canções serão reconhecimento de uma alegria incontrolável que povoará os ares, os sorrisos, os corações...
Eu direi que será o dia de tantos, de todos...
Onde mãos serão dadas e todas as raças se tornarão unas,
E onde ficará o ódio que nos separou por milênios?
Ele voltará para casa, para o vazio de onde nunca deveria ter saído um dia,
Tantos erros serão perdoados,
Tanta frustração será reparada, Tantas diferenças serão aplainadas, afim de que sejamos iguais, diferentes apenas em nossas artes,
Eu direi que enfim seremos humanos,
Tocados pela mão do invisível que povoou a terra,
Irmanados ao grande artesão que nos tomou ainda pó e nos moldou sua própria imagem,
Não haverá limites para o amor,
Não haverão limites para quem ama,
E esse dia será único e eterno diante de todos que o antecederam,
Porque será o dia da liberdade,
De tantos homens, de tantas almas,
E os caminhos serão condutores de destinos, apaziguadores de velhas disputas,
Deitaremos fora toda história de derrota, dores e sofrimentos,
O forte não sobrepujará o mais fraco, porque serão iguais em virtudes e caráter,
Seremos enfim livres,
Seremos uma raça, una e diversificada para se completar,
Seremos o alfa e ômega da criação,
Voltando para casa,
Reconquistando o paraíso,
Enfim eu direi que merecemos o título de superioridade diante de todas as outras criaturas,
Racionais...
Sei que há um tempo por vir...
Onde o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos, e um menino os guiará...(Isaías 11,6)
Esse tempo se chamará amanhã,
E só dependerá da forma como abraçamos as nossas verdades,
Há muito o que fazer nesse vasto mundo de errôneos conceitos e preconceitos,
Eu acredito no amanhã...
Para que um dia ele possa surgir pleno e belo diante de olhares sofridos e mãos calejadas que o ajudaram a construir,
E o amanhã começa hoje, agora,dentro de cada um de nós e se espalha para construir o novo mundo, a nova terra, de toda gente, de todas as raças.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Queria ser...


Queria ser legal...
Queria ser amável...
Queria ser descolado...
Queria ser notável...

Gostaria de ser rico...
Gostaria de ser nobre...
Mas sou pobre... E temo um dia...
Ser mendigo... Sem amigo... Apenas catando cobre...

Queria um dia viajar...
Mas não terá terra o lugar...Não mesmo chão..
Gostaria de pensamentos interpretar.
Gostaria de conhecer o coração... A razão do gostar...

Queria entender o pensamento...
A conclusão... O raciocínio...
O sentimento... A confusão...
E como está tudo assim hoje, gostaria de conhecer o principio...
Meio... O que pode hoje, ter e dar sentido...
Gostaria de conhecer o desconhecido...
O buraco que há na vida...
Do que faz sofrer...
O que faz para merecer ser sofrida...

Gostaria de saber com é ser pai...
Gostaria de estar no seu lugar...
Gostaria de agora gritar...
Adoraria se pudesse me mudar...

Receio não querer voltar...
Querem me ver? Anotem o endereço...
Não sei se lhe conheço... Mas se queres mesmo me ver...
Venha me visitar... Daqui não saio...
Aqui vou ficar, até o meu carnaval passar..

No meu mundo, você não entra...
Pois, não pude entrar no seu...
Suas risadas... Seu conforto...
Minhas lágrimas... Sofrimento meu...

Sua ignorância... Sua postura Ingrata...
Gerando dor... Onde um dia tive amor...
Meu jardim de rosas... Não mais há...
Nem moças... Pessoas... Ou prosas...


Se sou para você o que sou hoje...
Devo a você...
Assim como não o entendo...
Não poderás me entender...

Fruto de seus berros de ódio...
E gritos de raiva... Socos de ira...
Hoje sou forte... Fortalecido..
Mas tens sorte... Por você, não há ódio em meu coração sofrido...

Nas lágrimas que descem em meu rosto
e molham o papel...
Seu nome é presente em minha tristeza...
Quero fugir... Mas não tenho nada... Tenho só “Minha pobreza”
Nem lençóis para pular a janela.... E fazer “Tereza”...

Mas tenho outras cordas e vou usá-las...
Meu pensamento... Meu sonho... Minha luta...
Minhas vitorias... Meu prazer... Meu gozo... Minha fé...
Pois entre tanto joio, me ensinastes plantar o trigo da fé..

Obrigado por tudo... Ainda que traga em mente a sua inquietude..
De um bruto... Homem rude...
Nem parece que um dia fostes bondoso...
E assim não sei como posso aquentar mais um dia doloroso.

Mas com tudo, ainda temo...
Em um dia lhe ver de longe...
Onde não faz contato o telefone...
Nada pode ser tão fantástico a ponto de atravessar o outro lado...
A morte...

Mas ainda sim...
Gostaria de pássaros ouvir.
Queria ser entre muitas outras coisas...
Ser acima de tudo... Ser uma pessoa feliz...



Carlos Vinicius Silva.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ser humano, Ser poeta.


Todo ser humano nasce poeta,
Porque a vida em si é uma poesia completa,
Alguns aperfeiçoam o dom no decorrer do tempo,
Outros o deixam ir com o vento...
Todo ser humano é poeta
Apenas deixa adormecer em si a arte que o cerca,
E quando abre os olhos para a vida...
Descobre que tudo em si é poesia.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tal como o sol...


Sinto o sol a queimar-me a pele,
A brisa ligeira vez ou outra se arrisca a brincar entre meus cabelos,
Sou apenas mais um ser carente de respostas que vela pelo desconhecido que se perpetua,
Me perguntando o que farei ao amanhecer, ou ao anoitecer,ou ainda nas próximas horas que se seguirão...
Seria muito simples que cada hora viesse com um manual de saber viver,
Trazendo em suas páginas ensinamentos para que tudo seja certo ou perfeito,
Seria muito simples, porém cansativo e ingênuo,
Não sei porque as vezes desejo um tempo só para mim,
Um tempo longe de todos os porquês e poréns que me perseguem desde meu nascimento,
Apenas para sentir que sou a criatura mais completa de uma criação ainda por se acabar,
Trazendo no corpo as marcas de tantos sois que me queimaram a pele,
De tantas vidas que não sei se existiram ou se irão existir,
Abrindo os olhos para um mundo fantástico de fantasias reais,
Abraçando o que não vejo, mas que meus sentidos tocam com sabedoria,
às vezes necessito apenas de mim para entender o que em meio a uma multidão me seria oculto,desconhecido...
Porque eu me conheço!
Eu me sinto!
Eu me preciso!
Tanto quanto qualquer poeta necessita de inspiração para sua obra,
Ainda que seja belo amar o próximo...
Não seria amor se não nascesse em mim, de mim e partisse...
Só posso sentir que o sol me queima a pele se permitir que seu calor me toque,
Então poderei sentir seu abrasar, como uma permissão de meus sentidos,
A beleza da vida está em inebriar-me de amor e deixar que ele parta,
Que toque os que se acercam de mim,
Se o prender, será como a brisa a brincar entre meus cabelos,
Um toque suave que não deixará marcas e não abrasará como o sol.
Por isso as vezes desejo um tempo só para mim,
Apenas para descobrir o que muitos já sabem,
Mas mais do que isso,
Descobrir o que poucos colocam em prática,
Amar a si é deixar que o amor parta,
Porque apenas as marcas de sua passagem é o que deve permanecer, tal como o calor do sol.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Início e fim.


O fim só começa quando termina o início,
As coisas só tomam formas e cores quando manipuladas de maneira sutil,
Uma lágrima pode expressar as maravilhas interiores ou suas dores,
O caminho de cada ser humano é traçado por si,
Vivente nessa terra de sentimentos áridos e de campos virginais,
Abraçando as virtudes, roupas da alma de nós, simples mortais,
E é no reverso dessa história que se chama vida,
Que deixamos nossa fiel caligrafia,
De escritores natos,
Aprendizes de auto-retratos,
E é assim que caminhamos,
Escrevendo, apagando...
Mas jamais sem deixar marcas,
Riscos, frases inacabadas,
Nesse grande livro que para uns começa, para outros se acaba.

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 6 de novembro de 2010

...


Não tenho medo do futuro, apenas me assusta a enxurrada de coisas que ele traz, mas o que mais temo é o que o passado carrega consigo quando passa pelo presente vestido de nunca mais.


Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Simplesmente palavras.


Deixei que as palavras partissem,
Tão revestidas de uma melancolia gélida,
Que aos olhos do mais fiel cristão seria um pecado real,
Um pouco do extinto paraíso em sua decadência verbal,
Uns disseram que eram frias,
Outros sentimentais,
Ainda alguns outros que eram apenas palavras,
Partidas,
Sentidas,
Feridas,
Vazias...
E a amplidão de opinião a cerca de mim,
A cerca das palavras,
Pareciam rostos de feições abstratas,
E elas partiram,
Voaram,
Gritaram,
Se rebelaram...
E não encontraram fronteiras,
Deixando rastros na mente,
Na sombra do alegre ou do descontente,
E nunca mais as vi, desde que partiram de mim,
Tão rebeldes,
Tão gritantes,
Cheias de vazios sentimentos,
Cantando a canção incômoda do que não se pode decifrar,
Se embrenhando num banho de universo,
Num banho de mar,
E então nunca mais consegui dominá-las,
Arredias,
Gritantes,
Caladas...
Na docilidade de uma transformação inexplicável,
No controverso mundo que nasce em mim e não se cala,
São olhos atentos,
Ouvidos apurados,
O toque suave,
A dor que revela,
O coração que pulsa,
O sabor que a vida degusta,
Cada minuto de horas veladas...
As vozes que saem de mim são simplesmente palavras.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

...


Há momentos em que a alma se curva diante da imensidão que é o universo, apenas para apreciar o que não lhe é propício entender.

Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Qualquer lugar serve.


Hoje não sei para onde vou,
De acordo com o poeta qualquer lugar serve,
E não sei o que levar em minha bagagem,
Roupas, histórias, bilhete de viagem...
Para onde vai o sol quando a terra dorme?
Talvez seja um bom destino,
Seguindo a passos lentos,
Tão lentos quanto minha evolução,
Embalando sonhos num pequeno coração,
A intensidade de minha caminhada é algo que desconheço,
Talvez intensa seja a vontade de chegar,
Num dito ou tal lugar,
E não creio que me valha um mapa,
Num momento de viagem, de condução abstrata,
Um vento artificial, imaginado, a tocar meus cabelos em meio ao nada,
E a imagem de vários lugares a passarem por meus olhos fechados,
Qualquer lugar serve...
Ainda que eu não acredite nisso,
Eu insisto em viajar,
Partindo de mim para um inventado lugar.


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 31 de outubro de 2010

Número da sorte?


Bom...9:36, acabei de votar, hoje foi jogo rápido, nada de filas, nada de gente presa na urna...
Ah é isso, a gente já vai votar com um pesar danado, o aparelho se chama urna, urna eletrônica, consequentemente mais rápido, aqui no interior geralmente se refere a caixão como "urna", então a gente fica com o coração doído em pensar que está enterrando o Brasil e de forma rápida, eletrônica...
Se fiz a escolha certa?
Perguntinha difícil hem!
Nem sei viu, o que posso dizer é: Vamos esperar para ver e se não for...A gente lamenta é só o que nos resta.
Já exercí meu poder de cidadã, obrigada, mas exercí...
Agora é só esperar o resultado, isso é como jogar no bicho ou na Sena!
Tomara que meu número seja de sorte, tem cara de azar, mas eu nasci nesse dia, então, é um número lindo!

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 30 de outubro de 2010

...


De acordo com a ciência histórica humana, nossa raça é proveniente do macaco, sempre tivemos o péssimo hábito de escolher alguém para jogar a culpa...Poderão os pobres símios se defenderem de tal acusação ?

Raquel Luiza da Silva.

Simplesmente Amor.


Podes dar-me dar um segundo?
Apenas um segundo...
Para que me olhes nos olhos,
Para que me sintas,
Talvez tenha se perdido em turbilhões de sentimentos,
Em pensamentos inquietantes,
Então, apenas um minuto será o suficiente para que me sintas de forma completa,
Resumindo minha falta em sua vida no apenas girar dos ponteiros do velho relógio,
No mínimo correr do tempo,
Apenas um minuto para sanar a carência que tens de mim,
Deixe-me adentrar em teu coração,
Talvez faça um grande estrago, talvez seja tão doce quanto da ultima vez que nos cruzamos,
Apenas um minuto para revolucionar, criar ou simplesmente deixar as coisas como estão...
Apenas quero que me olhes nos olhos e dê-me um minuto...
E eu dir-te-ei o que fazer em todas as horas de tua vida,
Abraçando cada espaço de teu corpo,
Cada suspiro de tua alma,
E então, deixarei que partas comigo,
Cheio de mim,
Em mim,
Eu em ti,
Deixe-me vedar as arestas ainda abertas pelos últimos momentos,
Os vãos deixados ao acaso,
As feridas não cicatrizadas,
Estou dando-te a chance dada a todos os mortais,
Apenas porque nasço sempre que me perco ou que me perdem,
Porque dou-te a mim,
Dou-te a capacidade de me reinventar e novamente conquistar a tua felicidade,
Apenas...
Unicamente...
Simplesmente...
Porque eu sou o Amor.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

...


Se eu tivesse apenas um dia para decidir sobre um desejo, eu desejaria mil anos para ter certeza de que desejo seria.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Psiquê da loucura.


Aprendi a conviver com meus demônios, já que não os podia expulsar,
Desperdiçar alguns minutos do dia apenas para vê-lo se findar na ponta de um cigarro,
Degustar uma fruta madura, saboreando o doce de poder sentir aquela sensação de prazer.
E então aprendi a desligar a TV e assistir o drama da vida real que morava do outro lado da janela,
Ouvir a música destorcida de talheres em orquestra nas mesas vizinhas e tentar descobrir cada nota, cada acorde...
Velar o sono de quem não dorme, apenas para olhar o branco do teto que nada diz,
Então aprendi a me ver no espelho e não temer a figura gasta pelo tempo e um pouco empoeirada pela poluição da rua, ela era eu,tão eu que me assustava...
Fechar os olhos e imaginar o que estaria á minha espera, se tornou um belo jogo, porque eu sempre acertava o que podia me esperar,ás vezes os móveis da sala ou a janela aberta...
E eu aprendi a contar o valor das coisas em cada experiência vivida e não na ponta de um lápis a rabiscar números num papel,ou a calcular como todo mundo,
Eu não precisava ser todo mundo, era apenas a figura gasta pelo tempo e com um pouco da poeira da rua, que queria apenas ser-se,
E porque?
Não sei, mas aquela vontade de fazer o que ninguém fazia para sentir a vida entrelaçada em meus ossos, nervos e pele..., simplesmente me fascinava...
Então aprendi á dizer adeus quando queria ficar e ficarei quando queria partir, só para contrariar cada pedacinho do meu eu,
E não sei por que me dava prazer apenas ficar parado olhando os ponteiros do meu velho relógio de pulso passar enquanto todos corriam,
Eu dancei na chuva, não porque fosse belo, mas porque queria um resfriado que me prendesse á cama só para que eu merecesse um pouco de atenção, de quem? Não sei...
Por fim comecei a pensar que a loucura se tornava algo essencial ao meu vocábulo de vida diário, pequenas doses, pequenas ousadias...
Então não argumentei quando disseram que eu era normal, mas não estava normal,
Desfiz a figura gasta e empoeirada no espelho, apanhei minhas coisas, ajeitei o cabelo, ousei o primeiro passo,aliás, um mundo me esperava...
Senti que teria saudades daquele meu mundo...De louco? De loucuras? Não sei...
Então caminhei, me entregando á camisa de força que são os dias normais, as rotinas e o seguir as horas...
Me prendi de vez ao mundo normal de coisas anormais...
Nunca mais vi a figura gasta e empoeirada no espelho, apenas seu reflexo, num ser certinho sem nenhum amarrotado ou poeira, gritando para que eu lhe afrouxasse a gravata e lhe tirasse aquele terno...
E eu não a libertei...
Porque tive medo de ser ousado, talvez louco, num mundo normal de coisas anormais e tudo durou nada mais que um dia que me valeu a insanidade da alma, como em mil anos.


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Utópico pensar.


Fecharam-se os pórticos da memória,
Apenas os fantasmas recentes se fizeram livres,
As lembranças a se espalharem feito velho papel de parede embolorado,
E a imagem a esvair-se sobre o peso dos anos,
E o que era passado ficou em seu canto,
Tão esquecido quanto a canção do exílio,
Antes se fazia política por liberdade,
Hoje é utópico pensar nisso,
E então enterramos nossos heróis,
Que descansem em paz em suas tumbas,
Nesse solo brasileiro...
De Joões, Marias e Josés...
Num Brasil de todos, mas não para todos,
E os heróis...
Hoje jazem em suas tumbas,após o dever cumprido,
E nós a esquecermos de tão valorosas lutas,
Porque antes se fazia política por liberdade,
Hoje é utópico pensar nisso.

Raquel Luiza da Silva.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ao encontro do dia.



Não ficarei a espera de um novo dia...
Caminharei...
Sentirei o vento frio e namorarei os resquícios da noite,
Ainda há estrelas por adormecer,
A bela lua se apagará num estalar de dedos,
Mas enquanto ela me espreitar de sua sacada invisível...
Caminharei...
Sem pressa...
Sem medo...
Sem parada certa...
Apenas a enamorar-me dos resquícios da noite,
Deixando que o breu aos poucos, com o toque da intrépida luz do amanhecer resolva partir,
Então...
Voltarei para casa, após vislumbrar tamanha beleza,
De uma lua a despedir-se da terra,
De estrelas que se apagam como tímidos vaga-lumes...
Enquanto o majestoso sol, dispersa seus raios por toda parte...
E seguirei acompanhada do dia,
Esse dia que fui ao encontro, enquanto todos apenas o esperavam nascer.


Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Apenas pó...


Era apenas pó,
Com o toque das mãos do Criador tomou forma,
Com o sopro dos lábios tomou vida,
E ganhou uma companhia tirada de si,
E descobriu junto dela o céu e o inferno,
O paraíso e a terra...
A arte de moldar,
A arte de criar,
A arte de dar a vida...
E a escultura tornou-se escultor,
Imagem e semelhança de quem a criou,
Deteve nas mãos todas as artes,
Na mente todas as imagens,
Porém nunca mais voltou a ver o paraíso,
Tão seu era o ato, tão enorme o precipício...
E a escultura então se resignou,
Aprendeu a viver,
Plantar e colher,
Conviver com a alegria e a dor...
Até voltar a sua real forma,
Ao pó que a gerou...


Raquel Luiza da Silva.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E se me encontrar...


Se eu me perder e você me encontrar, apenas sorria,
Deixe que teus lábios me ditem as descobertas que nenhuma palavra seria capaz de mostrar,
E se ainda julgar pouco para meu entendimento,
Deixe que seus olhos expressem o que não seria capaz de mostrar em gestos,
Não me faça crer que nada sei,
Apenas me conduza para que descubra o que não encontrei,
Se eu me perder e você me encontrar,
Talvez queira que toque meu sorriso com seus lábios,
Talvez queira que parta,
Que fique,
Que se desfaça,
Mas não diga nada,
Não faça alarde pela sua descoberta,
Deixe que também me encontre,
Que me refaça,
Sem medo,
Sem alarde,
Para que me sinta á vontade,
Mas me deixe partir ao amanhecer,
Não queira prender a brisa que sopra,
Nem o tempo que tudo transforma,
Se me encontrar deixe que eu parta,
Para que fiquem as lembranças,
Para que me guardem as palavras ,
Sem medo,
De me perder nos segredos que em mim se encontram
Raquel Luiza da Silva

sábado, 16 de outubro de 2010

?


O tempo não para,
Por isso devemos estar sempre a correr,
Fundindo a loucura cotidiana com os momentos de paz...
Teremos vontades, ânsias, uma insatisfação frustrante,
Na verdade somos seres evoluídos?
Ou seres em evolução?
A constância e a velocidade dessa evolução será sempre um mistério,
Se é mesmo que ela existe,
Se é mesmo que ela tem formas, medidas e tempo,
Tempo que não para, enquanto estamos sempre a correr.
E enquanto nada se prova,
Nada se concretiza,
Vivemos com nossas dúvidas,
Vivemos com nossa falta de resposta,
E evoluímos?
Sei lá...
Não temos tempo, porque o tempo corre,
E a gente não para,
Ou o tempo não para e a gente corre?
Sei lá...
Se não temos respostas para todas as perguntas,
Se ainda temos dúvidas,
É porque a gente corre atrás de um tempo que não para,
Isso é evolução?
Ou isso é evoluir?
Ou isso não é nada?
Depende do ponto de vista,
Depende de apenas um ponto,
O qual nos impulsiona a correr atrás do tempo,
Ou esperar que ele passe...

Raquel Luiza da Silva

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

...


Quero um tempo de palavras mortas,
Quero um tempo de surdez atípica,
Para apenas aprecisar o silêncio que se faz quando se quer algo que jamais irá existir.

Raquel Luiza da Silva

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Coisas de valor



Queres mesmo saber o valor das coisas que trago comigo?
Algumas preservei e não se perderam por ai,
Guardei-as acreditando que um dia poderiam servir,
Talvez não a mim, talvez não a ti,
Talvez a alguém que de longe venha,
Ou de perto se aproxima,
Apenas para saber o valor das coisas que trago comigo,
São tão pequeninas que talvez não as perceba,
Comecei por apresentar-te a gentileza,
Ela chegou antes de mim,
Abriu a porta e o acolheu,
Talvez nem a notara,
Mas ela pacientemente lhe fizera sala,
E agora estás á falar com a simplicidade,
Porque abrindo estou a minha pequena casa,
Esta que costumo chamar de eu,
Deixando que visite cada cômodo, sem incômodo,
E agora sem que notasse, apresentei-lhe a humildade,
Despindo minha carapaça totalmente humana,
Para conhecer a essência que de mim emana,
E o diálogo, tomou forma por mim,
Tão perdido ás vezes,
Que se tornou comum sua timidez,
Mas ele não se desfez,
E agora entre nós se firma a sabedoria,
Não minha, não tua,
Mas nossa, de tal forma...
Que teu silêncio ao me ouvir faz de ti tão sábio quanto eu,
Que trago tais coisas de valor comigo,
Porque o verdadeiro sábio deixa perder as palavras...
Para apenas descobrir os valores de um ser humano que faz de si simples abrigo de valores perdidos.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Enxaqueca


Hoje tenho enxaqueca,
Passo a debulhar o rosário do existencialismo,
Tentando fugir da regra do ser e da questão,
Que me atormentam de tal forma que a náusea se torna a única coisa que aguça meus sentidos,
Não há nada nesse momento que me faça olhar além do facho de luz que entra pela janela...
E isso me arde os olhos...
A sensação é estranha,
A cabeça a latejar, a respiração lenta...
A humanidade as vezes se sente assim?
Tão deprimida e indefesa diante de olhos que apenas observam um facho de luz?
E a sensibilidade é desconhecida porque todos dormem enquanto a dor transpassa cabeças pensantes?
Maldita enxaqueca!
E os olhos se tornam rasos, desejosos de não mais enxergarem a luz que os irrita, mas que ao mesmo tempo os prende,
Só há uma solução para que não haja luz nesse momento...
E em minha soberania de raça superior tapo a cabeça, mas num ar doído de quem implora, brado:
"Será que alguém pode apagar as estrelas, por favor?!"



Raquel Luiza da Silva

sábado, 18 de setembro de 2010

Tudo e nada.


Hoje peguei-me a vislumbrar a nuvem do nada á minha frente,
Um vazio proporcional ao que eu, mais ninguém sente,
Já me disseram que é loucura,
Outros que tem cura,
Afinal, porque existe o vazio dentro da gente?
Uma lacuna que fica ali...
Escondida,
Impregnada no peito, como se sua solidão fosse algo sem jeito.
E a nuvem, puramente feita de nada, fica á minha frente,
Esperando ser preenchida por tudo que não sei se encontrarei,
Procurando pequenas coisas para dar vazão ao que me incomoda,
Um vazio sem lógica,
E então acabo por descobrir que o tudo e o nada fazem parte de mim,
Sensação imperceptível pela razão,
E a nuvem de nada perde-se e torna-se alada,
Quando eu apenas abro os olhos e descubro que o tudo só depende de como vejo o nada.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Aprendizado...


Não direi que o tempo que passa cheio de infortúnios não seja precioso,
Nem que a tristeza que aparece não seja por vezes amiga,
Não maldirei as pessoas que me causam dor,
Nem a dor que por vezes me desanima,
Tudo faz parte de um ciclo necessário,
Merecer ou não é decisão que desconheço,
Esperar é algo que me vale,
Acreditando na luz de um recomeço,
Tudo tem um porque,
Ainda que seja obscuro,
Que doa,
Mas é a força que faz girar o mundo.
Por isso não maldigo o que me dói,
Ainda que a vontade seja essa,
Só quem sabe extrair do que não é bom ensinamentos,
Saberá entender a vida que lhe cerca.

RaquelLuiza da Silva.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

.....

Existe mesmo vida após a morte?
É essa pergunta que acabei de me fazer após terminar agora a pouco de ver o filme "Chico Xavier", um grande homem, numa grande história escrita por Deus? E encenada por grandes atores de renome nacional.
É um filme emocionante e engraçado, mas que nos faz ter uma reflexão um pouco mais aprofundada sobre o dom da mediunidade, algo passível de crítica, numa mistura de devoção, medo e incredulidade.
Não sei até onde vai isso, mas posso dizer que tive o prazer de conviver com um médium, que foi um grande pai, que me ensinou acordes em seu velho violão, que me abençoava,que eu chamava de vó, que talvez eu nunca tenha dito em vida o quanto era importante para mim,mas que eu ainda o vejo sorrir, de alguma forma o vejo, principalmente quando consigo acreditar em mim.
Eu o vi adormecer num leito de dor, sem reclamar da vida, sem dizer que partir era doloroso, e talvez fosse para alguém que tanto ajudou aos outros se ver naquela situação, ele adormeceu desejoso de que nunca esquecessemos a sua bondade e a sua doçura para que pudessemos espalha-la ao nosso redor.
Ele não foi famoso como o Chico, mas foi um grande homem como ele, e eu sei que é um anjo, que sempre estará comigo.

Existe vida após a morte?
Não sei, mas...
"Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia." William Shakespeare



R.L.S

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pecado da criação.


Onde se esconde a essência divina no ser humano?
Nos atos executados?
Na fé que não fenece?
Ou no coração que emudece?
Imagem e semelhança de Deus...
Tão diferente em sua totalidade, mas igual em algo que ainda não sei,
Na imensidão de uma vida que nunca procurei,
Será mesmo o homem parte de Deus?
Ou será a criação apenas da mente, um vão?
Pedaços perdidos numa história a quem se da a um criador,
Dando ao pó um sopro e a vida inestimável amor,
E um dia voltará ao pó donde veio,
Sem o sopro que lhe trouxe o sentido primeiro,
E não me cabe questionar a criação,
Na rebeldia dos atos de Eva e Adão,
Talvez o homem seja mesmo imagem e semelhança de Deus,
Apenas de não dar vida ao divino que existe em si, foi o grande pecado que cometeu.


Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

7 de Setembro.



_Independência ou morte?!
Alguém pode me dizer o que foi mesmo que escolheram?



R.L.S

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando se cala o coração...


Os lábios entreabertos a expelirem a fumaça do cigarro, como se o sofrimento pudesse se esvair de forma rápida e desaparecer com a primeira brisa fria que passa.
Os olhos a vislumbrarem o nada, apenas o vazio de uma paisagem morta ou abstrata.
As mãos pousando sobre a folha, como pesadas pedras a esmagarem um invisível inimigo...
Algo tão novo, algo tão antigo...
E a respiração ofegante, hora calma, parece querer trazer á vida sua ou tantas existentes almas,
Mais um cigarro sendo consumido em longas tragadas, a eternidade a contar suas Eras numa boca sem palavras, vertida em fumaça,
A mente a tique taquear idéias, como a martelar rochas num deserto oculto, tentando ir além do real, ou além de túmulos...
E a mente, apenas a mente a tentar desvendar tais mundos,
Mantendo um ser pensante em desespero profundo,
Como se abrisse e se fechassem todas as portas do mundo,
Sem que ele pudesse ver o que se escondia em seus átrios obscuros,
E então aquele ser,
Apagou o cigarro e deixou que falasse por si a voz que tanto temia,
Que gritassem as vozes que queria trazer caladas,
Eram suas, eram aladas,
E as primeiras letras apareceram na folha branca de papel, traçadas por mãos que de tão leves pareciam plumas,
Trazendo as palavras uma a uma,
E a mente se calara diante da perfeição, a qual ela se curva sem inspiração,
Descobrindo o poeta, que não existe poesia quando a razão se sobrepõe á voz coração.

Raquel Luiza da Silva.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Construir.


Durante bom tempo na minha vida marquei meus caminhos com "pedras", para um dia poder voltar atrás sem perder o que em algum momento havia deixado e segui...
Quando para fugir do momento presente resolvi voltar, não haviam mais "pedras", mas sim vários castelos,sólidos e maravilhosos ao longo daqueles caminhos...
Então descobri que:
1:Voltar atrás num momento para fugir de outro é perda de tempo.
2:"Pedras" quando bem usadas são bens preciosos.
3: Eu tinha apenas caminhos enquanto os outros ergueram seus castelos usando tantas "pedras" que os feriram de alguma forma em algum momento.
5: Que apenas seguir quando se devia persistir era apenas alongar um caminho que sempre daria no nada.
6:Que a construção de um mundo ou de tantos mundos é feita por mãos que se calejaram ao longo do tempo e que mesmo cansadas sabiam do trabalho que deviam concluir.
7: Os caminhos não devem ser marcados, cada aprendizado é próprio de um momento e esse momento quando acabado não deve ser trazido á tona como algo novo.
8: Deixar marcas para voltar quando devia construir ou reconstruir era a mais visivel forma de abandonar a mim mesma ao fracasso.
9: Os caminhos e o tempo sempre serão associados no amadurecimento.
10: Perder-me as vezes para construir uma vida é necessário para que "pedras" não sejam apenas tropeços e o lado ruim do que me cerca,mas possam estar presentes nos alicerces dos vários castelos que almejei erguer ao longo de meus caminhos.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Só Freud explica.


Quando criança nunca soube o que queria ser,
Mas a gente cresce...
O tempo passa...
A gente amadurece...
Agora que sou adulta acabei por me decidir.
Descobri que a dúvida era grande porque a resposta sempre esteve alí.
Longe de toda insegurança,
Hoje sei que sempre quis ser criança



Tem coisas que só Freud explica. (rs)


Raquel Luiza da Silva.

domingo, 29 de agosto de 2010

...

Não se pode passar a vida toda a ter medo de situações ou dos problemas que elas trazem consigo.
Um dia você tem que parar encarar o medo e dizer: "Quem manda aqui sou eu".
Se isso não der certo toca a correr, você falhou, mas...
Se por acaso funcionar, você venceu mais um level no jogo da vida, parabéns!

R.L.S

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Todos os amores...


De todos os amores que tive,
Apenas um se mostrou verdadeiro e forte, Indestrutível diante da vida ou da própria morte,
Quando o descobri, me senti cheia de sorte,
Algo que de tão perfeito mantêm sua fiel forma
Existe algo mais maravilhoso que o amor próprio?

Raquel Luiza da Silva.

domingo, 22 de agosto de 2010

Sem perder-me.


De todos os tesouros que guardo,
Nenhum é tão valioso quanto as lembranças do passado,
Pequenas coisas que não deixo escapar pelos vãos dos dedos,
E que são da memória eterno brinquedo,
Tantas pessoas que partiram num adeus doído,
Levando de mim um pouco consigo,
A visão materializada na mente, de coisas que acredito,
Do pouco que trouxe para o presente,
Envelhecer não me assusta,
Deixar tão longe a infância é que me custa,
Abrir mão de pequenos momentos,
Que fizeram parte desse tempo sedento,
E ainda não sei ser gente grande,
Jogar com a vida xadrez de peças vivas,
Equilibrando num tabuleiro de tortas linhas,
Tentando entender para que lado tenho que ir,
Se devo ficar ou partir,
Carregando para todos os lados meu valioso tesouro,
Que não abro mão nem a peso de ouro,
Porque é onde se esconde a identidade minha,
Mesmo jogando acompanhada ou sozinha,
Não perdendo partes de mim nesse tempo que a passos largos caminha.

RaquelLuiza da Silva.

...

Se o mundo acabasse hoje qual seria meu ultimo pedido?
Por favor, façam pouco barulho, não consigo dormir com algazarra.

RLS.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sem palavras.


Hoje não tenho palavras, volte amanhã por favor,
Se voltares amanhã e ainda não as tiver em meu domínio,
Procure um especialista que tenha um bom olho clínico,
E diga-lhe que perdi as palavras,
Claro que ao analisar-me será constatado que perdi também a alma,
Para o poeta palavras são o suspiro da vida, e quando as perde...
A alma decide por si, vagar sozinha.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sabor...


O amargo da vida é justamente o que não soubemos apurar nos doces momentos de felicidade.

Raquel Luiza da Silva.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Caminhos.


Estou á procura de caminhos,
Caminhos por onde vagam,
Caminhos sozinhos,
Trilhas que não conduzem á precipícios,
Nem trilhas que de mim deixem resquícios,
Por vezes quero encontrar-me,
Por vezes perder-me,
Numa busca que por vezes não consigo compreender,
Apenas quero sentir que caminho devo seguir,
Sem setas,sem metas, apenas intuir,
E na vaga lembrança de memórias distantes,
Fazer a vida não ser como era antes,
Caminhando sem entender,
Na ânsia de me encontrar ou de me perder...

Raquel Luiza da Silva.

sábado, 14 de agosto de 2010

Amanhecer.


Um dia você acorda cometendo os mesmo erros...
Descobre que em seu peito não existe nenhum segredo...
Que tudo se emaranhava como numa enorme teia...
Que todas as palavras se perderam, eram apenas seus anseios de tê-las...
E que o mundo não para enquanto você chora,
Que o mundo é uma selva aberta lá fora...
Há vida, há amores...
Campos secos, campos repletos de flores...
E que seu humor é como as estações, alegres e tristes...
A vida não tem remake, não tem reprise...
Seus pés pisam o chão...
E de repente você consegue tocar o próprio coração com as mãos...
E o que te separa do real e o ilusório são as canções...
Aquelas canções que foram de cada fase próprio repertório...
E você acorda um dia, como em todas as manhãs...
E se transforma com inexplicável afã...
Deixando coisas por conhecer...
E descobre que acordar para si é fazer da vida sempre um novo amanhecer...

Raquel Luiza da Silva.

Tempo que corre...


Vê o tempo que corre?
Já foi menino, rico e pobre,
Já brincou no lago,
Verteu-se em saudade,
Foi vidente,
Da sorte de muita gente,
Correu pelos campos,
Escritor de vidas, de anjos e de outros nem tão santos,
Foi a voz do povo,
Gritos de socorro,
Quebrou encantos,
Esqueceu histórias em um empoeirado canto,
Foi a música que falava de liberdade,de vida de amor...
Passou tão rápido com seu suave torpor,
E você ainda tenta ver o tempo que corre...
Aquele que já foi menino, rico e pobre,
Mas ele já vai longe,
Carregando consigo o que julgamos como breves instantes,
Esquecido em cantos empoeirados,
De um tempo vidente que se verte em passado,
Escrevendo vidas de anjos e de outros nem tão santos,
Apenas para ser escritor de encantos,
E as vezes tão calado quanto os gritos de socorro,
Levando e gerando vidas, sendo assim um pouco do povo,
E o tempo já vai longe...
Numa visão tão distante,
Sendo dono de toda razão,
Que de tão profunda transforma ou cega o coração.

Raquel Luiza da Silva.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Viajante.


Estou a depor minhas armas,
Deixando para trás tantos anos de lutas,
Muitos já partiram,
Muitos se perderam,
E eu continuei,
Lutando contra os moinhos de vento de minha memória,
Insignificantes batalhas,
Grandes histórias,
E meu corpo já cansado poderá enfim repousar,
É hora de retirar as ataduras,
Limpar as feridas,
Avaliar os danos,
Tudo de mim que se perdeu pelos cantos,
E me torno apenas vulto na noite fria,
Voltando para casa,
Recolhendo os cacos esquecidos pelos anos,
Atos que ficaram ao acaso,
Tão reais, tão alados,
Apenas vou seguindo,
Sem parar,
Deixando para trás os moinhos...
Os fantasmas,
Os medos,
Que se tornem de mim apenas segredos,
E restará apenas pó,
De um tempo,
De um cavalheiro andante,
Ou de simples instantes,
Voltando para casa...
Deixando minha saga de viajante,
Lembrando-me da certeza impregnada numa frase,
Da qual não há quem se separe,
E que de mim e de ti será a sorte,
Memento mori...

Raquel Luiza da Silva.