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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Psiquê da loucura.


Aprendi a conviver com meus demônios, já que não os podia expulsar,
Desperdiçar alguns minutos do dia apenas para vê-lo se findar na ponta de um cigarro,
Degustar uma fruta madura, saboreando o doce de poder sentir aquela sensação de prazer.
E então aprendi a desligar a TV e assistir o drama da vida real que morava do outro lado da janela,
Ouvir a música destorcida de talheres em orquestra nas mesas vizinhas e tentar descobrir cada nota, cada acorde...
Velar o sono de quem não dorme, apenas para olhar o branco do teto que nada diz,
Então aprendi a me ver no espelho e não temer a figura gasta pelo tempo e um pouco empoeirada pela poluição da rua, ela era eu,tão eu que me assustava...
Fechar os olhos e imaginar o que estaria á minha espera, se tornou um belo jogo, porque eu sempre acertava o que podia me esperar,ás vezes os móveis da sala ou a janela aberta...
E eu aprendi a contar o valor das coisas em cada experiência vivida e não na ponta de um lápis a rabiscar números num papel,ou a calcular como todo mundo,
Eu não precisava ser todo mundo, era apenas a figura gasta pelo tempo e com um pouco da poeira da rua, que queria apenas ser-se,
E porque?
Não sei, mas aquela vontade de fazer o que ninguém fazia para sentir a vida entrelaçada em meus ossos, nervos e pele..., simplesmente me fascinava...
Então aprendi á dizer adeus quando queria ficar e ficarei quando queria partir, só para contrariar cada pedacinho do meu eu,
E não sei por que me dava prazer apenas ficar parado olhando os ponteiros do meu velho relógio de pulso passar enquanto todos corriam,
Eu dancei na chuva, não porque fosse belo, mas porque queria um resfriado que me prendesse á cama só para que eu merecesse um pouco de atenção, de quem? Não sei...
Por fim comecei a pensar que a loucura se tornava algo essencial ao meu vocábulo de vida diário, pequenas doses, pequenas ousadias...
Então não argumentei quando disseram que eu era normal, mas não estava normal,
Desfiz a figura gasta e empoeirada no espelho, apanhei minhas coisas, ajeitei o cabelo, ousei o primeiro passo,aliás, um mundo me esperava...
Senti que teria saudades daquele meu mundo...De louco? De loucuras? Não sei...
Então caminhei, me entregando á camisa de força que são os dias normais, as rotinas e o seguir as horas...
Me prendi de vez ao mundo normal de coisas anormais...
Nunca mais vi a figura gasta e empoeirada no espelho, apenas seu reflexo, num ser certinho sem nenhum amarrotado ou poeira, gritando para que eu lhe afrouxasse a gravata e lhe tirasse aquele terno...
E eu não a libertei...
Porque tive medo de ser ousado, talvez louco, num mundo normal de coisas anormais e tudo durou nada mais que um dia que me valeu a insanidade da alma, como em mil anos.


Raquel Luiza da Silva.

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