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sábado, 4 de setembro de 2010

Quando se cala o coração...


Os lábios entreabertos a expelirem a fumaça do cigarro, como se o sofrimento pudesse se esvair de forma rápida e desaparecer com a primeira brisa fria que passa.
Os olhos a vislumbrarem o nada, apenas o vazio de uma paisagem morta ou abstrata.
As mãos pousando sobre a folha, como pesadas pedras a esmagarem um invisível inimigo...
Algo tão novo, algo tão antigo...
E a respiração ofegante, hora calma, parece querer trazer á vida sua ou tantas existentes almas,
Mais um cigarro sendo consumido em longas tragadas, a eternidade a contar suas Eras numa boca sem palavras, vertida em fumaça,
A mente a tique taquear idéias, como a martelar rochas num deserto oculto, tentando ir além do real, ou além de túmulos...
E a mente, apenas a mente a tentar desvendar tais mundos,
Mantendo um ser pensante em desespero profundo,
Como se abrisse e se fechassem todas as portas do mundo,
Sem que ele pudesse ver o que se escondia em seus átrios obscuros,
E então aquele ser,
Apagou o cigarro e deixou que falasse por si a voz que tanto temia,
Que gritassem as vozes que queria trazer caladas,
Eram suas, eram aladas,
E as primeiras letras apareceram na folha branca de papel, traçadas por mãos que de tão leves pareciam plumas,
Trazendo as palavras uma a uma,
E a mente se calara diante da perfeição, a qual ela se curva sem inspiração,
Descobrindo o poeta, que não existe poesia quando a razão se sobrepõe á voz coração.

Raquel Luiza da Silva.

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