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domingo, 3 de março de 2013

Apenas vivi...


Vago por esses caminhos,
Vago pela essência escondida no âmago dos brutos,
Transpiro o suor dessa terra, sou pó.
E posso ver além, bem além dos olhos que possuo nessa face enrugada.
Talvez ainda sinta os efeitos dos impulsos ardis da juventude,
Talvez ainda sinta os efeitos dos sentimentos que passaram por esse coração...
Velho coração...
E há ainda quem diga ao tempo que volte,
Que corra...
Eu apenas digo que siga seu caminho,
Que não volte, que não corra,
Apenas siga...
Assim como eu...
Hoje tenho histórias,
Sentimentos,
Memórias.
Penso quão vazio seria se nada trouxesse comigo,
Se os erros não incorporassem com os acertos que tive por ai,
Se não abraçasse a vida com assiduidade e ao mesmo tempo com a morosidade de certas vontades minhas.
Eu vivi, poderei dizer algum dia,
Sem palavras bonitas,
Sem palavras mentidas,
Sem muitas palavras.
Vivi como tinha que viver,
Por entre caminhos,
Por entre flores e espinhos.
Vivi como vive todo e qualquer ser humano,
Sendo pó e temendo voltar ao pó, inevitável estado da matéria humana.
Mas não falemos de morte,
Ainda posso exprimir minhas poucas idéias,
Algumas palavras dessa mente, que não mente, mas talvez finja.
Ora, estamos em um grande palco!
Atuando, amargos, felizes, agoniados, reis, rainhas, palhaços...
Por vezes, gosto de ficar aqui, apenas aplaudindo...
E sei que muitos fazem o mesmo,
Tal como eu, esperando a hora de encenar ou encerrar...
Mas já estou velho para as grandes peças,
Fui menino um dia, sabia?
Claro que sabia...
E quando disse que vagava por caminhos, eu menti, ou melhor, fingi...
Pois já faltam-me forças para tais peripécias,
Apenas gosto de sentir o que minha mente ilimitada consegue trazer ou reproduzir com um toque de satisfação minha.
Bom, as cortinas começam a baixar,
Sinto que minha peça sairá de cartaz em breve,
E minha encenação nesse grande palco que é a vida, ficará guardada em algumas cabeças, e se tiver um pouco mais de sorte, em alguns corações.
E como um bom profissional na arte de viver...
Não quero drama,
Que seja feliz o adeus, sem piegas, ainda que finjam, ainda que mintam...
Apenas adeus!
E quando lembrarem-se de mim,
Sintam sem delonga o poder do que estará gravado em minha lápide...
Vivi como tinha que viver.


Raquel Luiza da Silva.

2 comentários:

  1. Apenas viver é algo tão ruim, e tão difícil de não fazer. Traz segurança e pode trazer problemas. Viver para se rechear com memórias, com talentos, boas amizades e brindar aos outros com felicidades -- isso é o melhor que há :). Vez por outra confiar que outros corações batam no lugar do nosso.

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  2. Ora Eduardo, "apenas viver" pode significar muita coisa, se vc analisar o texto num todo irá notar que o significado de "apenas viver" p/ o personagem vai mais além de uma vida vazia, ele recheia o "apenas vivi" com memórias da juventude passada,fazendo uma breve análise de momentos passados, ele foi apenas simplório ao reduzir em uma pequena frase toda uma vida.

    Obrigada pela sua colocação!
    Abraços!

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