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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Saudosismo.


A memória parece não perdoar,
Invadindo cada cantinho do meu pensar,
Posso ver a casinha velha...
A mãezinha com seu olhar triste á porta,
Os irmãos mais moços a espreitarem pela janela,
E eu a andar sem olhar para trás,
Para não voltar no que se faz,
Na velha mala, poucos trapos,um velho rádio e um novo sapato,
Ainda sinto o cheiro da terra solta, molhada, invadindo minhas narinas como um nada,
Tinha na cabeça idéias de jovem, querendo abraçar o mundo com os braços,
Viajei a procura do meu espaço,
A casinha, a mãezinha e os irmãos mais moços,ficaram para sempre numa foto que carrego no bolso,
Chorei nas noites frias,
Nos dias de sol cantava tal como uma cotovia,
Andei por estradas de terra e também por mil rodovias,
Experimentei o cheiro de tantas terras soltas, molhadas...Mas nenhuma se igualava ao da partida, lá de casa,
E o tempo passou, me tornei adulto, contruí minha casa, vendo o tempo que se passa...
Mas na lembrança continuo jovem, ou ainda menino, aquele que saiu de casa seguindo um destino,
Ao longe na lembrança que nunca padece posso ver a casinha,a mãezinha, os irmãos mais moços, numa foto, de um tempo que a memória nunca esquece.
E assim vou aos poucos voltando para casa,
Posso ouvir de longe a passarada,
As narinas se enchendo com o cheiro de terra molhada,
Os olhos avistando ao longe a velha casinha,
Os irmãos mais moços a olharem ressabiados,
Enquanto á porta a velha mãezinha me espera com olhos marejados.



Raquel Luiza da Silva.

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