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quinta-feira, 25 de março de 2010

Eloi, Eloi, Lama Sabachthani


Rompe no peito um grito de várias vozes,
Fazendo morrer nas trevas o que sufoca a alma,
"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani",
Não se rasga o véu do templo,
Porque não existe mais véu, nem mesmo templo,
As manchas fluorescentes da vergonha se espalham,
Estão nas mãos dos homens feito navalhas,
"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani",
É o brado das vítimas do terror,
Das vítimas da exclusão social,
Dos pobre pequeninos vítimas de pedofilia,
Das vítimas da guerra,
Dos que bradam e ainda esperam,
Onde está a importância da vida?
Onde ficou o amor?
"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani",
E estampadas nos jornais estão as verdades,
São tantas, absurdas e incorpóreas,
Que parecem regras da retórica,
E os gritos saem rasgando o peito,
Como um soluço escondido, sem jeito...
"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani",
E se despe o homem diante de suas fragilidades,
Caindo por terra tantas vãs verdades,
E do alto de tantas cruzes,
Tantas bocas em corpos dilacerados á gritar,
Do alto de tantas golgotas,
Esperando que alguém os ouça,
"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani",
Implorando por mais vida e menos sangue.

Raquel Luiza da Silva

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