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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pequena Andorinha.




Conta um velho fazendeiro, que ao longo de sua vida muitas coisas víra pelos campos onde criava seu grande rebanho de gado, mas nenhuma o marcara como a pequena andorinha, assim, todos que se achegavam de sua propriedade ele pacientemente fazia questão de contar o que víra...


Conta o velho fazendeiro que certa vez ao voltar dos pastos já castigados pela geada do inverno parara á uma certa distância ao ver um pequeno ponto negro a movimentar-se por entre as folhas molhadas pelo orvalho da noite anterior, apeou-se do cavalo e calmamente se aproximou, o suficiente para ver o que era, qual não foi sua surpresa ao deparar-se com tal cena, a mais linda e impressionante que seus olhos já haviam visto até então.


O ponto que vira era uma andorinha que já molhada pelo contato com o capim, pulava de todos os lados, como se estivesse agoniada, de inicio o fazendeiro pensou que ela poderia ter perdido algum dos ovos que chocava, porém ao voltar os olhos para a copa das árvores próximas, não avistara nenhum sinal que indicasse a existência de um ninho, aproximou-se mais um pouco e pôde ver ao chão outra pequena andorinha, parecia ferida, talvez houvesse se perdido das companheiras que fugiram dali á procura de lugares mais quentes, imaginara ele que a pobre ave tivesse passado toda a noite sobre a grama, castigada pelo frio, mas porque aquela outra, sã e com capacidade de voar estaria ali, submetendo-se á igual sofrimento se poderia já estar em terras quentes?


Ele não saberia responder, apenas ficou á observar o que se seguiria.


E qual não foi sua supresa ao ver a desesperada andorinha abrir as asas e pousar sobre a moribunda tentando aquecê-la, sabia o homem que aquilo de nada adiantaria, conhecia bem como o frio daquela região era capaz de levar á morte qualquer ser que não se agasalhasse o suficiente, doia-lhe o coração tal cena, mas esperou para ver até onde iria a perssistência da pequena ave.


As horas se passavam e a ave zeladora continuava sua batalha de reanimação, mas parecia sentir que estava a perder a sua amiga de espécie, novamente se ergueu, abriu as asas o máximo que pôde, talvez na tentativa de chamar atenção de algum bando, porém nada se via no céu além de vastas núvens escuras, pareceu sentir a responsabilidade que carregava consigo, se aproximou da moribunda novamente e sentindo a dor de sua decisão passou a arrancar as penas do próprio corpo fazendo gotas de sangue se derramarem sobre a enferma, a dor era tanta que vez ou outra seu trinado era dolorido e chegava á doer o coração de quem a ouvia. Se tivesse que morrer, morreria alí ao lado da amiga, assim, o velho fazendeiro descrevia o ato da pequena andorinha, um amor tão racional, vindo de um ser dito como irracional.


O homem conta que ao ver a avezinha novamente se prostar sobre moribunda montou em seu cavalo e seguiu, nada poderia fazer por elas, estavam á cumprir seu ciclo, com a razão que a natureza lhes dava, mas levaria para sempre em sua vida aquela lição " Sanariámos a fome do mundo se nos doássemos um pouco mais, mas não a fome que reclama no estômago, mas aquela que vem do coração, que nos cega os olhos diante da dor dos outros e nos tapa os ouvidos diante dos gritos da dor alheia"
"Amor como aquele, desprendido de qualquer tipo de cobrança, só existe puro e incondicional nas páginas da Bíblia, onde Jesus se doou em nome da humanidade, que ainda não compreendeu definitivamente seu propósito de morrer numa cruz."




Raquel Luiza da Silva.






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