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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De mim.





Meias palavras de culpa,
Encravadas na morbidez de um papel velho e encardido,
Diziam de mim,
De algo perdido,
Era eu aquele objeto que riscava seu âmago,
Sôfrego,
Torpe,
Feito de aromas, feito de puro mofo,
E não me diziam as bocas escancaradas,
Que eu era vazio,
Cheio de nada,
Na pureza perdida ao nascer,
Eram de mim tais palavras que sangravam o velho e encardido papel,
Antes de morrerem por baixo do invisível véu,
Ditas de mim em silêncio,
Como se pudessem rasgar esse virginal ventre,
Na aspereza sentida,
Dessas palavras,
Dessa vida,
Eram de mim que falavam afinal,
Criando vida,
Antes de adormecerem no ultimo ponto final.

Raquel Luiza da Silva.

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