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domingo, 20 de novembro de 2011

Qual a cor da Consciência?





Era a oração calada vinda do âmago dos navios negreiros,
Era um amontoado de gente, sem vida de gente,
Numa dor doída e vazia,
Silêncio gritante nos olhos inflamados,
A história que se criava,
De lutas, derrotas e vitórias...
E o cântico doloroso que se espalhava em fraca voz,
Ganhou coro em tantos cantos,
Em tantas vozes,
E era a liberdade desejada,
Buscada na luta dos dias comuns,
No morro de tantos Cristos,
Longe de chibatas e fuzis,
E o choro que outrora doía,
Abriu-se em fortes brados,
De homens e mulheres, rompendo as algemas da história,
Detendo a chibata maldita,
Abraçando sua real identidade,
Afundando os navios de onde o choro e o lamento eram orações,
Abrindo os olhos ao invés de fecha-los diante da insanidade da intolerância,
E o cântico outrora doloroso, fere os ouvidos dessa história,
Escrita com sangue de tantos,
Com a fé de muitos,
Pelas mãos da insensata covardia,
E não se calaram as vozes,
E ainda não cessaram os lamentos,
Porque a luta não finda,
É renovada a cada dia,
Revestida de tantas formas,
De derrotas e vitórias...
Marcando na pele a certeza de que é a cor da alma que revela real cor da pureza.

Raquel Luiza da Silva.

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