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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ufania do desejo.


Ele observava o corpo nu sobre a cama,
Apenas a lua a servia de ama,
A pele tocada,
A inocência há muito tomada.
Seus olhos ardiam,
Sentia frio,
Acendeu um cigarro,
Soprou a fumaça para o alto,
Sentia-se estranho em seu próprio corpo,
Se fora tão bom porque tamanho desgosto?
Cobriu-a com o lençol,
Não suportaria ver sua nudez aos raios de sol,
Ficou á olhar a rua,
Sem movimento, sozinha, nua...
Acendeu outro cigarro,
Passou a mão pelo rosto de suor molhado,
Sua ufania de jovem rapaz,
Nem sempre lhe trazia tanta paz,
Numa rapidez tamanha vestiu-se,
Apagou a luz que brotava de uma única lâmpada,
Deixou o dinheiro em um canto da cama,
Saiu sem fazer barulho, olhou-a com singeleza como se fosse uma santa,
Desceu rapidamente as escadas,
Andou sem olhar para trás, talvez alguém o observasse da sacada,
Seguia com passos rápidos
A melodia era das pedras e dos sapatos,
Nunca havia chorado,
Mas sentia naquele momento o coração apertado,
De repente viu-se só,
Sentia que havia tido apenas o prazer de um corpo junto ao seu,
Desejou que ela tivesse sido sua Julieta e ele apaixonado Romeu,
Começou á notar que nunca havia sido amado,
Belo rapaz, estrela de brilho apagado,
Poderia ter tantos corpos que quisesse,
Dormir em tantas camas que lhe apetecesse,
Mas não reteria nenhum calor,
Do tipo que só permanece junto aos corpos que se inundam pelo desejo,
Quando guiados pelo amor.

Raquel Luiza da Silva

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