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quarta-feira, 23 de março de 2011

Apenas um sentimento, apenas um poema...


Antes eram só palavras,
Um sentimento entre vários sentimentos,
Intocável como as borboletas da primavera passada,
Sem cores,
Sem morfologia definida,
Sem diagnóstico preciso,
Palavras escritas num papel,
No vazio branco de um papel qualquer,
Nada dizia de si, a não ser alegrias passadas e dores sentidas,
Era o suspirar vazio de pulmões inexistentes,
Num preciso momento de inspiração pungente,
Não se sabe ao certo se de fato sangrava a escrita,entrelinhas,palavras,
Ou se o burburinho de sorrisos era da mente que vagueava, delirante, cansada,
E aos poucos o vazio branco era preenchido,
Deixando de ser vazio...
E podia se tocar aquela escrita,tão alegre, tão desdita,
Como se os relevos invisíveis fossem artérias de um coração qualquer,
E o pulsar das palavras por vezes iluminava, por vezes cegava,
E o tempo, alienado, insano, curvava-se em dias e noites,
Dançando com a sorte das coisas,
Enquanto a vida, tão doce vida, passava...
Por entre os dedos da poesia,
Longe de ser vista, porém perceptível,
Deixando de lado o pudor variável de sua beleza invisível,
E eram de palavras os sentimentos,
Embebidos na tinta negra que beijava o branco papel,
Como mãos que tocavam o corpo, na lascívia de um pecado carnal,
E o deleite daquelas palavras,
Tão bem ditas,
Tão nefastas,
Não passavam de sentimentos de um poeta,
Que dava forma ao seu humor,
Deixando que tomasse vida para serem lidas,
Tocando os corações como as cordas de uma lira,
E depois iriam adormecer ali...
Num canto qualquer,
Até que alguém voltasse a desvendar os fatos,
Daquelas palavras, ou sentimentos em relato.

Raquel Luiza da Silva.

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