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sexta-feira, 4 de março de 2011

Samba adormecido.


O meu samba adormeceu no baú da saudade,
Tinha um quê de virtude, um quê de raridade,
Era samba de nêgo,
Era samba de criôlo sem segredo,
Cantado no barzinho da esquina,
No gingado do capoeira,
No rebolar da menina,
Era feito de batuque de copo,
De choro do cavaco sem remorso,
Era o som malandro do pandeiro,
O rebolo que não se cansava o dia inteiro,
Era meu samba,
De nêgo,
De criôlo,
Feito no barzinho,
Aquele lá do morro,
Era um pouco de mim,
Era um pouco de tudo,
Era choro sem lágrimas,
Era dor velada,
E então, ele adormeceu,
No calor desse carnaval, nesse peito meu,
Fecharam o barzinho da esquina,
Aquele lá do morro,
Eu desci pra cá, deixei tudo lá,
Morrer, o samba não morre,
Mas quando esquecido, se transforma em choro contido,
E esse tempo transformou tudo em saudade,
O barzinho,
O morro,
O batuque,
Eu...
Esquecido nesse canto,
Lembrando do samba meu.

Raquel Luiza da Silva.

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