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sexta-feira, 16 de março de 2012

Despida de mim.


Eu era o coração pulsante numa folha de papel,
Despida de mim,
Despida da carnal imperfeição,
Tão pura e sincera que causava medo,
Tão liberta e sem destino que prendia segredos,
E eu tocava a superfície de loucos egos,
E cegava os olhos dos apaixonados,
Um coração pulsante...
Uma folha de papel...
E me fragmentava em destinos,
E morria em vidas,
E me entregava á sorte,
Tão destino,
Tão vida,
Tão morte...
Rasgava o véu das Eras,
Ardia em pecado em tantos Édens,
Eu era jardim,
Serpente,
Desejo,
Apenas ensejo,
Areia sob o sol,
Deserto,
Mundo,
Mundos,
Incerto...
Coração ...
Pulsante...
Folha...
Papel...
Eu era...
A transparência viva da alma,
A alma.
E fora dali eu me perdia,
Transformava,
Sumia...
Podia deixar de ser tudo,
Podia ser tudo,
Menos despir-me da roupagem tecida naquelas linhas,
Coração pulsante numa folha,
Viva e doce poesia.


Raquel Luiza da Silva.

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