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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Larápio tempo.

Ah larápio tempo...
Levastes coisas sem meu consenso,
Chegastes e partistes tão depressa,
Que nem notei-te a passar por entre as arestas.
Os anos saudosos...
As pessoas amadas...
Os aromas...
Os sabores...
As cores...
Os amores!
Pouco resta, ou quase nada...
Como sois egoísta terrível larápio!
Tudo escondestes onde não posso tocar.
E o que resta-me?
Oh! Cá está...
Saudade, saudade, saudade...
Foi o que não conseguistes levar.
Onde te escondes?
Apenas sussurras em meu ouvido: Deixai-me passar.
E tão depressa partes deixando essa monotonia covarde que insiste em perturbar-me.
Talvez dessa agonia um dia farte-me e te vá procurar,
Nos escombros de tantas Eras,
Na poeira sobre os móveis,
Na chama apagada da lareira
No balançar de cortinas nas janelas,
Talvez te vou encontrar...
Ah larápio!
Buscar-te-ei antes que roube-me o que vale de fato.
Dar-te-ei de pronto a razão,
Mas não toques com teus pesados dedos enrugados, nas pequeninas coisas que ainda guardo no coração.

Raquel Luiza da Silva.

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