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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Assim morre um poema.

                                                                                                                             



O papel alimenta o fogo da lareira,
Palavras lânguidas  lambidas pelo ardor das chamas,
Não mais ocuparão espaço em minhas gavetas,
Esses amores perdidos,
Essa felicidade tardia,
Esse coração que freme ao invés de bater,
Essa força cobiçada,
Esse abraço apertado... apertado,..
Esse sorriso cativante,
Tudo se rende ao calor que os chama,
Sem reagir,
Sem lágrimas,
Sem dor.
Sem drama.
Meus olhos já cansados apenas observam o sumir das palavras,
Silenciosa morte, tornando-se pó...
Pó de tinta,
De gente sem cor,
Sem rosto,
De alma cinza.
Mas misteriosamente com sentimentos.
E eu cá não sei porque me doe essa partida,
Se fisicamente não os vejo,
Se fisicamente não os sinto.
E meu adeus é igualmente silencioso,
E minha mente é igualmente silenciosa,
Sem lágrimas,
Sem drama.
Despedindo-me de parte de mim,
Desse tempo que vai-se embora,
Tão suave,
Tão calmamente,
Consumida por ardente chama.





Raquel Luiza da Silva.

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